WOCA vai ao Egito!

por The Winners
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Matéria escrita por José Roberto Maluf, Presidente da TV cultura, CEO do Grupo Spring e Presidente da Comitiva Oficial e Relações Internacionais do WOCA 2019

 

Foram as aulas de História que despertaram em todos nós a curiosidade pelas maravilhas do Egito, aguçaram nossa imaginação na tentativa de compreender que povo era aquele que conseguiu na Antiguidade, sem instrumentos ou maquinário moderno, construir monumentos fabulosos e adquirir tanto conhecimento sobre assuntos tão diversos.

O fato é que há 6.000 anos, floresceu no Egito uma das civilizações mais antigas da humanidade, com uma história rica e fascinante, cheia de mistérios e tesouros arqueológicos e que teve sua cultura definida, principalmente por duas características geográficas de seu território: o Rio Nilo e o deserto do Saara.

O extenso Rio Nilo, que corre no sentido Sul – Norte por um estreito vale no meio do deserto, deu vida ao Egito. Foi graças às suas enchentes anuais, que inundavam as margens do rio e fertilizavam o seu solo, que os egípcios puderam sobreviver e desenvolver o plantio, numa região tão inóspita.

A agricultura tornou-se a principal atividade econômica. Cultivavam algodão, linho, trigo, cevada, gergelim, legumes, frutas e oliveiras. O rio também desempenhou papel fundamental ao servir de via para o transporte de pessoas e mercadorias facilitando o comércio e o convívio com outros povos.

Quanto ao deserto, como um escudo, protegeu o povo egípcio de invasões. Os faraós, reis do Egito, eram considerados descendentes dos deuses e seu poder absoluto estava simbolizado na construção de monumentos, templos e enormes esculturas que representavam o faraó.

As pirâmides como as de Gisé: Quéops, Quéfren e Miquerinos, erguidas durante o Antigo Império, impressionantes e extraordinárias e a famosa Grande Esfinge, enorme em suas dimensões, com corpo de leão e rosto humano, são apontadas como as mais antigas estruturas monumentais do mundo. Os egípcios criaram sua escrita, os hieróglifos, construíram uma rede de canais para irrigação e drenagem e inventaram o arado. Eram militares, diplomatas e bons comerciantes.

O Antigo Egito era politeísta e Rá o deus mais poderoso, acreditavam na vida após a morte e para preservar o corpo foram mestres na técnica de embalsamamento, conhecida como mumificação. A religião regulava todos os aspectos da vida do povo, havia cerimônias religiosas para nascimento, casamento, morte e também para os acontecimentos que envolviam toda sociedade.

Os egípcios nos deixaram uma rica herança de conhecimentos avançados em engenharia e arquitetura, matemática, geometria, perfumaria, farmacologia e medicina. Estudaram o corpo humano, desenvolveram técnicas e aparelhos cirúrgicos, chegaram a fazer operações no cérebro. Criaram do calendário à pasta de dentes.

O Egito foi cenário de uma das mais importantes e impressionantes civilizações da antiguidade, entre os anos de 3200 a.C. a 32 a.C. quando se inicia o domínio romano.

A partir do século XVI ao início do século XX os egípcios fizeram parte do Império Otomano e depois do Império Britânico, até tornarem-se independentes, estabelecendo uma monarquia, em 1922. O controle do Reino Unido através de uma ocupação militar perdurou até a revolução de 1952, quando os egípcios expulsaram a burocracia e os militares britânicos, nacionalizaram o Canal de Suez e exilaram o rei Faruk e sua família, entretanto mesmo com a deposição do rei, a monarquia continuou existindo até 1953 quando foi proclamada a República.

Em 1956, Gamal Abdel Nasser assumiu oficialmente o poder, era dono de uma personalidade carismática e muito popular. Como presidente aboliu os partidos políticos, fez reforma agrária, combateu o fundamentalismo islâmico, incentivou a indústria e iniciou a construção da represa de Assuã.

Aproximou-se da União Soviética e dos países africa-
nos e asiáticos do terceiro mundo exercendo uma liderança que pretendia um socialismo adaptado e a unificação dos povos árabes. Uniu-se a Síria para formar a República Árabe Unida que em 1961 foi desfeita.

Lutou contra Israel na Guerra dos Seis Dias e perdeu a Península do Sinai e a Faixa de Gaza. Foi sucedido por Anwar El Sadat em 1970 que logo fortaleceu os laços do Egito com os Estados Unidos. Sadat acabou com a oposição política e religiosa e realizou mudanças na economia.

Foi no seu governo a Guerra de Outubro onde o exército egípcio e sírio atacaram Israel e que resultou em última instância, nos acordos de paz de Camp David mediados por Jimmy Carter, presidente dos Estados Unidos. Israel saiu da península do Sinai em troca do reconhecimento do seu Estado.

Sadat foi assassinado, assumiu a presidência Hosni Mubarak em novembro de 1981, que governou em regime ditatorial até 2011 quando renunciou após contínuos protestos populares exigindo sua saída, no movimento conhecido como Primavera Árabe, que eclodiu no mundo árabe provocado pela crise econômica e falta de democracia.

Mohamed Morsi venceu a primeira eleição depois de Mubarak e se tornou o primeiro presidente civil eleito democraticamente no Egito. Sofreu forte pressão da oposição que o acusou de forçar a “islamização” do país. Foi deposto
e em julho de 2013, assumiu interinamente Adly Mansour, juiz que promulgou uma nova Constituição após um referendo favorável.

Nova eleição em maio de 2014 e a vitória de Abdel Fattah el-Sisi, atual presidente do Egito. Hoje, a chamada República Árabe do Egito, localiza-se no nordeste da África e sudoeste da Ásia onde fica a Península do Sinai, é banhada pelo Mar Mediterrâneo e Mar Vermelho e tem suas fronteiras com a Líbia a oeste, Sudão ao sul, faixa de Gaza e Israel a nordeste.

É o terceiro país mais populoso da África, com mais de 95 milhões de habitantes. A religião oficial é o islamismo, 90% dos egípcios são muçulmanos e sua legislação está baseada em leis islâmicas. O árabe é a língua oficial e o Cairo a capital.

As regiões ao longo do Rio Nilo, tanto o vale quanto o delta, são as mais desenvolvidas, numa proporção em que 99% da população usam apenas 5,5% da área total de 1.001.450 Km² do país. O restante do território é deserto e, portanto, pouquíssimo povoado.

Concentrados nas cidades do Cairo, Alexandria, no Delta do Nilo e próximo ao Canal de Suez, os egípcios tornaram-se assim um povo bastante urbanizado. O Egito é a segunda maior economia da África que está baseada nas reservas de petróleo, seu principal produto de exportação, além do ferro, fosfato, gás natural e energia hidrelétrica. Consideráveis depósitos de carvão estão localizados na península do Sinai.

Na agricultura, importante atividade, o país se destaca na produção têxtil e de alimentos, no cultivo de arroz, trigo, algodão e milho. A indústria siderúrgica, de cimento e petroquímica também merece destaque.

O turismo é uma grande fonte de renda para o Egito, sua indústria emprega 12% da força de trabalho. O país cresceu e se tornou o centro moderno da África, onde o atual e o antigo se misturam nas grandes cidades. O Cairo com quase 20 milhões de habitantes, é a capital efervescente e dinâmica. O Rio Nilo corta a cidade e às suas margens encontra-se o que há de melhor para ser visto.

O Museu do Cairo é um dos mais interessantes museus arqueológicos do mundo, com suas múmias, sarcófagos, esculturas, papiros e artefatos. Lá está a máscara de ouro, pesando 11 quilos, que com outros objetos compõe o tesouro encontrado intacto na tumba do faraó Tutancâmon e também a múmia de Ramsés II, o faraó mais importante do Antigo Egito.

No centro histórico da cidade do Cairo, que foi tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, a arquitetura tem clara influência árabe nas casas antigas, mesquitas, madraças, e no mercado, souk, com enorme variedade de lojas e mercadorias.

Assuã, outra importante cidade egípcia destaca-se por ter fornecido a maior parte das pedras para a construção dos monumentos na Antiguidade e hoje, porque lá estão as duas represas que foram construídas para gerar energia e conter as cheias do rio Nilo em suas inundações, permitindo o cultivo de novas culturas. Foi para arcar com as despesas de uma delas que o governo nacionalizou o Canal de Suez, um dos mais longos do mundo, que liga o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho. Inicialmente propriedade da França e do Egito, o canal foi construído pela companhia francesa Suez, inaugurado em 1869.

A alta dívida externa fez com que o Egito vendesse sua parte para o Reino Unido interessado em garantir seu acesso às Ìndias. Em 1956 o presidente Nasser nacionalizou o canal e os bens da companhia que o administrava. Os principais acionistas que eram então o Reino Unido, a França e mais Israel iniciaram uma operação militar que durou uma semana, até a ONU confirmar a legitimidade egípcia. Em 2015, foi inaugurada a expansão do Canal de Suez que permitiu a passagem de navios maiores e também o aumento da quantidade de navios que utilizam o canal.

O Brasil mantém relações diplomáticas cordiais com o Egito desde 1924. Muito antes disso, na década de 1870, D. Pedro II, imperador brasileiro, grande admirador da cultura do Antigo Egito, fez duas expedições ao país, trazendo muito material exibido em nossos museus. O primeiro acordo comercial entre um bloco sul-americano (Mercosul) e um país do continente africano, assinado em agosto de 2010, entrou em vigência no âmbito internacional em setembro de 2017.

O acordo que se destina à abertura do mercado bilateral de bens concede benefícios a produtos exportados do Brasil para o Egito como carne bovina, minério de ferro, produtos químicos inorgânicos, açúcar, milho e frango, enquanto o Egito se beneficia com as exportações de fertilizantes, legumes, azeitonas, algodão e têxteis. A expectativa é de redução de 90% no valor das tarifas entre o Egito e países do Mercosul e diminuição de preço das commodities agrícolas.

Como resultado do trabalho desenvolvido pelas autoridades egípcias e o embaixador brasileiro, Ruy Amaral, houve considerável avanço nas relações comerciais entre os dois países. Em 2016, o comércio bilateral entre o Brasil e o Egito atingiu US$1,8 bilhão, 78% de produtos abrangidos pelo acordo. O Brasil exportou mais de US$ 1,35 bilhão de produtos para o Egito em 2017, com um aumento de 13% em relação a 2016.

Após a realização do WOCA, no Cairo, é esperado um incremento no comércio e no turismo entre os dois países.

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