Wilson Ferreira Jr: A liderança transformadora no setor energético brasileiro

por The Winners

Wilson Ferreira Júnior, presidente da Vibra (ex-BR Distribuidora), é natural de São Paulo, engenheiro elétrico e bacharel em Administração de empresas pela Universidade Mackenzie e mestre em Energia pela USP. O executivo está no setor há mais de três décadas, sendo referência no mercado nacional e internacional, acumula prêmios e honrarias que fazem dele um dos maiores especialistas do setor de energia do Brasil. Seu primeiro emprego no setor elétrico foi como engenheiro na CESP (Companhia Energética de São Paulo), exerceu diversos cargos até chegar a diretor de Distribuição (1995 a 1998). Foi presidente da Rio Grande Energia de 1998 a 2000, presidente do Conselho de Administração da Bandeirante Energia S.A. de 2000 a 2001 e presidente da CPFL Paulista entre 2000 e 2002. Em 2002, tornou-se presidente da CPFL Energia, cargo que ocupou até 2016. Presidiu também a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) e a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Em julho de 2016, voltou ao setor público como presidente da Eletrobras, onde permaneceu por quatro anos em uma bem-sucedida jornada. Durante sua gestão, a empresa se tornou mais inovadora, competitiva e alcançou quase R$ 11 bilhões de lucro em 2020. À frente da Vibra desde março de 2021, os planos de inovação não param. Defensor de uma política de investimentos em fontes de energia renováveis e abertura de capital, atua em planos gestores amplos e capazes de colocar as empresas e o Brasil nas melhores condições competitivas mundiais. Conheça o que pensa esse executivo que construiu sua vida e carreira em benefício do Brasil.

The Winners – Quando você percebeu que sua vocação estava na área de Engenharia?

Wilson Ferreira Jr – A Engenharia, acredite, não foi o que primeiro surgiu na minha vida. Quando ainda estava no colégio e diante do dilema de todos os jovens sobre qual carreira seguir, eu fiz, não somente um, mas dois testes vocacionais. E nas duas vezes fiquei inconformado com o resultado. Se fosse me basear somente no teste, teria seguido Medicina. Na segunda ocasião, no entanto, a orientadora conversou comigo e me apontou outro caminho. Ela me disse que eu tinha uma visão humanista e que eu poderia estudar engenharia elétrica, porque essa seria uma forma de eu trabalhar com serviços para as pessoas e para a sociedade. E foi o que eu fiz. E jamais me arrependi da decisão. A Engenharia moldou a minha forma de pensar, enxergar o mundo e trabalhar. Seus princípios me guiaram até aqui.

TW – E nesses 40 anos de profissão, qual seria sua grande marca, sua grande contribuição?

WFJ – A primeira marca da minha carreira foi a reestruturação de empresas. Por onde eu passei sempre busquei atingir a excelência operacional, a redução de custos e a melhor prestação de serviços. Isso marcou minha trajetória desde a CESP, a Companhia Energética de São Paulo, que foi onde eu comecei. Lá eu cheguei estagiário e cresci dentro da empresa até chegar a diretor. Naquela época o presidente era o Andrea Matarazzo e juntos fizemos um trabalho para transformá-la em uma empresa muito mais eficiente. Também deixei essa marca nas outras empresas que eu liderei: Elektro, Rio Grande Energia, CPFL e Eletrobras. Um resultado disso foi que eu recebi diversas vezes o Prêmio Nacional da Qualidade. E isso é muito importante para a sociedade: no setor de energia, uma empresa prestadora de serviços mais eficiente atende melhor seus clientes e é mais barata. O País só ganha com isso. Uma empresa que presta mau serviço é mais cara e prejudica a sociedade de mais de uma forma. Por isso é fundamental buscar sempre a eficiência. E a Engenharia nos dá as ferramentas necessárias para executar esses desafios tão complexos.

TW – Já que mencionou desafios, qual o atual momento do Brasil dentro da chamada transição energética? Em que status estamos?

WFJ – Apesar do cenário atual, é importante destacar que o Brasil é um dos países com a matriz energética das mais limpas no mundo e a transição para uma economia de baixo carbono será influenciada pelo contexto local, com políticas voltadas para fomentar a expansão do mercado de energia, especialmente renovável, além dos biocombustíveis, que também somos referência, e da abertura do mercado de gás, que é o combustível de transição para um mundo com menor emissão de carbono. Até 2030, teremos 50% da matriz energética limpa, a meta anterior era 48%. Cabe ressaltar que o país tem ainda um processo é a contínua liberalização do mercado de energia e gás, expandindo a abrangência do
mercado livre. enorme potencial de utilização de fontes renováveis, como a eólica, a solar e a biomassa. Um ponto importante para o andamento deste processo é a contínua liberalização do mercado de energia e gás, expandindo a abrangência do mercado livre.

Na cerimônia do Engenheiro do Ano 2021: reconhecimento merecido para 40 anos de uma carreira bem-sucedida

TW – Como você e a Vibra veem a ideia de transição energética? Quais as ações da sua empresa neste sentido?

WFJ – A transição energética é uma demanda da sociedade. A idade da pedra não acabou pela falta de pedra e a era do petróleo não vai acabar por falta de petróleo. A Vibra quer ser o parceiro ideal para essa transformação e vem trabalhando rumo a essa mudança. Nossa missão é apoiar com tecnologia e inovação, levando as melhores práticas e soluções para os nossos clientes e consumidores. Estaremos sempre a postos para levar a molécula de combustível ou o elétron até onde o cliente precisar. A mudança no consumo começa agora e será de longo prazo, para os próximos 20 ou 30 anos. Entre as ações realizadas pela Vibra, estão a entrada em novos mercados, de menor emissão. Podemos citar os investimentos em energia elétrica (aquisição da Targus, agora rebatizada como Vibra Comercializadora de Energia), na comercialização de etanol por meio de uma parceria estratégica com a Copersucar, a produção de biometano a partir de um Acordo de Cooperação com a ZEG Biogás e, mais recentemente, a joint venture com a Comerc para oferecer ao mercado soluções de ponta a ponta em toda a cadeia de valor, em uma plataforma integrada de energia.

TW – Como a engenharia pode se tornar um tema preponderante nas discussões sobre a transição energética? Quais as contribuições do setor de engenharia hoje e como ele pode aumentar essa participação?

WFJ – A engenharia possui um papel protagonista no desenvolvimento e implantação das soluções tecnológicas necessárias à transição energética para matrizes mais limpas e eficientes. O desenvolvimento da humanidade se deve muito à evolução da engenharia, e não vai ser diferente com as questões voltadas à sustentabilidade. Há um universo de oportunidades de soluções para produção, armazenamento e distribuição de energias limpas, por exemplo. Muitas delas estão no início da curva de desenvolvimento, como as baterias para veículos elétricos, além de termos carência de infraestrutura de abastecimento destes automóveis. O mercado de crédito de carbono, inserido na pauta ESG, é potencializado por novas infraestruturas de produção e distribuição de energia limpa – eólica, solar e biometano, dentre outras – e pela busca por sistemas de maior eficiência energética nos consumidores finais. Cabe à engenharia desenvolver soluções para estes desafios, com o uso intensivo de tecnologias digitais, investimentos em P&D e, sobre-
tudo, investimentos na formação de técnicos e engenheiros de diversas áreas.

Protagonismo e competência renderam uma série de homenagens ao longo da trajetória

TW – As empresas e o setor de energia como um todo tem uma maturidade digital – uso intensivo da tecnologia – interessante? O que ainda pode e deve ser feito?

WFJ – O desenvolvimento de tecnologia é fundamental para a transformação do mercado de energia em busca de fontes mais limpas. A Vibra Energia recentemente deu um importante passo na sua jornada de inovação e transformação digital com a criação do Vibra co.lab, que é o nosso Hub de inovação, que permitirá a criação de conexões com startups e scale-ups em temas como mobilidade, conveniência, novas fontes de energia e outras tecnologias emergentes, construindo alternativas para os grandes desafios do mercado. No caso da Vibra, já tínhamos um pilar forte de transformação digital mesmo antes da pandemia e estamos apostando muito em tecnologia. Nos últimos 2 anos, a empresa investiu mais de R$ 250 milhões em tecnologia da informação e transformação digital. A jornada de inovação será cada vez mais importante para as empresas trilharem esse caminho rumo à transição energética e uma economia de baixo carbono. E essa jornada está em todas as nossas áreas, incluindo a conveniência, por exemplo.

TW – Falando em conveniência, o posto deixou de ser um espaço de abastecimento para ser um espaço de serviços. O que a Vibra tem feito para atender esse consumidor busca mais que posto, um centro de serviços?

WFJ – Antes, o posto era um espaço para abastecimento e serviços automotivos. Com as necessidades da sociedade moderna, estes espaços estão se transformando em centros com grande variedade de produtos e de serviços. A Vibra busca desenvolver uma resposta abrangente, ajustando o mix de produtos e serviços que oferece, adaptando sua rede e modelo de negócios de seus postos e lojas de conveniência para aproveitar as oportunidades locais. Na área de Conveniência, a conectividade será um diferencial. Estamos investindo em ferramentas digitais para ampliar não só os meios de pagamento, mas também oferecer, em breve, pontos de retirada de compras online feitas por aplicativo.

Os aplicativos móveis podem ajudar a aumentar o número de transações, incentivando os clientes a visitar postos específicos em sua rota mais frequente e estabelecer uma interface para programas de fidelidade, por exemplo. Chama atenção também nosso plano de passar de 1200 para 2200 lojas de conveniência até 2025. A virada de chave já está em curso com a recente parceria firmada com as Lojas Americanas, por meio das redes Local e BR Mania. Elas formarão uma joint venture e dividirão a sociedade em 50%. Essa parceria é uma demonstração prática do quanto a Vibra entende que os postos estão evoluindo para atender o cliente de outras formas e oferecendo mais conveniência.

Na CPFL Energia: empresa se tornou benchmark no BEN HIDER/NYSE mercado de energia

TW – Como o processo de transformação digital está refletindo nos postos? Quais iniciativas nesse sentido estão em curso na Vibra?

WFJ – A transformação digital chega aos–stos de combustível unindo os conceitos de conveniência e mobilidade priorizando o cliente e sua jornada. Tecnologias como pagamento mobile, OBD, reconhecimento de placas, personalização de consumo e dashboards de performance despontam como estratégicos nesta abordagem. A Vibra possui projetos em todas estas principais áreas além de investimentos em startups de tecnologia avançada. A criação do Vibra co.lab também vai potencializar e acelerar a transformação digital do varejo brasileiro de combustíveis.

Wilson Ferreira Jr. acompanhado do presidente Michel Temer e de Antonio Claret na cerimônia de entrega da Medalha de Honra ao Mérito – Gestão Pública do GCSM em dezembro de 2018

TW – Como a tecnologia vai ditar os rumos do segmento de conveniência?

WFJ – Com o avanço das compras online e o sucesso do e-commerce e marketplaces, o cliente não quer somente que a entrega de sua encomenda chegue em boas condições. Ele busca o diferencial também na qualidade do rastreamento de suas compras. A Vibra investe para atender o cliente da forma que ele deseja. Além disso, usar big data e analytics em todas as análises vai contribuir para aumentar a receita por cliente. Promoções direcionadas, como ofertas de lojas de conveniência de venda cruzada e lavagens de carros para os consumidores que abastecem, podem gerar a um aumento do fluxo dentro dos postos e da conveniência.

 

TW – Que benefícios os revendedores e clientes têm com essas novidades?

WFJ – Quando aplicada de maneira objetiva e centrada no cliente final, a transformação digital representa um ganha-ganha para todas as partes envolvidas. Clientes finais ganham uma jornada customizada e adequada a suas necessidades, além de promoções mais direcionadas e maior oferta de valor, revendedores ganham com o incremento de vendas, satisfação e a consequente maior fidelidade de seus clientes e a Vibra ganha continuando a ser a marca de preferência nacional tanto de seus clientes como revendedores.

 

TW – Como as ferramentas tecnológicas estão revolucionando meios de pagamento, relacionamento com os clientes e processos de gestão?

WFJ – Meios de pagamento digital já são realidade no mercado brasileiro há pelo menos duas décadas com a criação das carteiras digitais e o crescimento do setor, entretanto a partir de 2020 ganharam maior amplitude e estabilização em virtude da pandemia causada pela COVID-19. Neste contexto, experiências sem contato e digitais foram naturalmente sendo incorporadas na rotina de toda a população possibilitando que as empresas, respeitando os preceitos da LGPD, pu-
dessem ampliar suas ferramentas de gestão. Desta maneira, naturalmente surgem novas oportunidades aos clientes que passam a contar com uma experiência mais direcionada a seus interesses, otimização de seu tempo e seus recursos, maior confiança nas marcas e uma gama crescente de ofertas personalizadas.

TW – Para finalizar, qual o futuro, no médio e longo prazo, da transição energética no Brasil?

WFJ – No médio e longo prazo, por exemplo, teremos a abertura do mercado de gás natural, que é o combustível de transição. O mercado livre de energia também ficará cada vez maior e abrangendo mais consumidores. Para atender ao crescimento de demanda, o Brasil verá ainda uma complementariedade de oferta via fontes renováveis, com destaque para os biocombustíveis, energia solar e eólica e passará a ter uma segurança energética mais efetiva. E muito mais limpa. Seremos um exemplo para o mundo.

Presença em diversos projetos relevantes do setor energético, como a Usina de Belo Monte

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