Uma história brilhante com caminho aberto para o futuro

por The Winners
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João Roberto de Moura Benites é nascido no interior do estado de São Paulo, mas foi na capital onde começou a construir sua carreira como executivo na indústria de tintas. Foram 35 anos de atuação liderando negócios e projetos em cinco continentes.
A história começa na Reichhold, passa pela Akzo Nobel, ganha força na Valspar e posteriormente na Sherwin Williams. A Valspar foi uma gigante multinacional americana de mais de 200 anos de fundação e capital aberto.
Trabalhando por 10 anos no corporativo da Valspar nos EUA, Benites teve posição de destaque, acumulando a presidência da America Latina com o cargo de vice-presidente senior de vários negócios globais da corporação.
Ele foi o primeiro não americano a ser eleito um corporate officer em 200 anos de história. Com a aquisição da Valspar pela Sherwin Williams, foi convidado a ser o presidente regional Latam e fazer a integração de duas empresas líderes na América Latina.
Benites teve total participação na expansão da Valspar pelo mundo. Ele coordenou diversas aquisições, fundindo operações, implementando novos negócios, criando ambientes e oportunidades. A linha do tempo do executivo, que é formado em engenharia metalúrgica pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), deixa evidente sua eficiência como administrador, gestor e líder.
As histórias de sua trajetória estão contadas na entrevista a seguir na Golden Page da The Winners. Além disso, Benites fala do seu olhar para o futuro.

The Winners – O senhor é do interior de São
Paulo e veio estudar em São Paulo. Sua carreira foi desenhada conforme um grande objetivo ou as coisas foram acontecendo?

João Roberto Benites – Nasci em São Jose do Rio Preto, interior do estado de São Paulo, neto de imigrantes espanhóis e portugueses. Meus pais Afonso e Anna sempre viveram uma vida simples e humilde onde o importante era ensinar a mim e ao meu irmão, Renato, princípios católicos, da ética e da moral. Meus pais sempre trabalharam muito duro
para poderem pagar nossos estudos. Meu pai tinha uma máquina de beneficiar arroz e minha mãe foi professora primária. Estudei em escolhas públicas enquanto vivia em Rio Preto. Aos 17 anos de idade me mudei para São
Paulo para me preparar para o vestibular. Desde aí começou a minha luta, foco e determinação em busca de um sonho: queria formar minha família, depois ser presidente de uma empresa multinacional e morar nos EUA.

TW – Como as tintas e cores podem influenciar o planejamento urbanístico e melhorar o aspecto visual das cidades?

JRB – O vínculo entre a percepção da cor e a existência da luz deu origem aos primeiros pensamentos sobre o tema na antiguidade, quando se definia cor como propriedade da luz ou como propriedade dos corpos.                                             Platão (427a.C.–347a.C.) fundou a Academia de Atenas, onde um de seus discípulos,Aristóteles, defendia o pensamento das cores pertencentes aos objetos.                                                                                                                                                      Mas foi Leonardo Da Vinci quem criou a primeira visão denominada “Teoria das Cores”, publicada mais de um século após sua morte no “Trattato dela Pittura”, textos dedicados a cor e seus impactos na perspectiva urbanística. Planejadores urbanos lidam com tintas e cores no processo de aconselhamento de medidas que possam melhorar a qualidade de vida de uma dada comunidade urbana, propondo como embelezá-la e torná-la mais confortável, proveitosa e economicamente viável a todos os habitantes.
Em uma perspectiva mais contemporânea, na percepção da paisagem urbana, verifica-se a cor como fator de reconhecimento e identidade de um local. A cor é um elemento que traz para a imagem da cidade um viés de pertencimento, influenciando a leitura sobre ela e a qualidade de vida.
O mercado imobiliário tem muitos exemplos de aplicação da cor como valorização
e identidade social em projetos no Brasil e
no exterior.
São alguns exemplos: São Paulo (Edifício Brasil – Guto Requena), Seul ( Atelier 3D Couleur), Chile (Nuria Espina), USA (Gallery of Central Arizona), China (Da Chang Muslim Cultural), Korea (Gallery of Korean) e Hong
Kong (Technlogical Institute).


TW – Qual a representatividade do setor de tintas dentro da indústria química? Qual é o tamanho do mercado mundial de tintas? E no Brasil, qual é o peso do segmento de
tintas para o emprego e a economia?

JRB – A indústria química exerce um papel fundamental nas economias regionais
em todas as partes do mundo.
Em 2019, o International Council of Chemical Associations indicou que a indústria química
contribuiu com um PIB mundial de US$ 5,7 trilhões (equivalente a 7% do PIB mundial) e mantendo 120 milhões de empregos no mundo.
No Brasil, segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em 2018, a indústria química apresentou um faturamento líquido total de US$ 127,9 bilhões, o que representa aproximadamente 12% do PIB industrial brasileiro (2,5% do PIB total) e empregou cerca de 2 milhões de pessoas.
A estimativa para o valor do mercado mundial de tintas é de US$ 140 bilhões, sendo a maior região Ásia Pacífico responsável por 42% desse total, seguido da região Europa, Middle East e África (EMEA) com 29%, depois América do
Norte com 22% e América Latina com 7%.
O Brasil é o quinto maior mercado de tintas do mundo, contando com centenas de fabricantes, os quais estimasse que empregam 25 mil pessoas. Com um faturamento total de cerca de US$ 3,9 bilhões, a indústria de tintas do Brasil representa 40% do mercado de tintas da América Latina

TW – Como o senhor avalia o momento da economia brasileira?

JRB – A economia brasileira manteve, ao longo do terceiro trimestre, a trajetória de recuperação após o choque da pandemia da covid-19 de março-abril. Além da gradual flexibilização das restrições à mobilidade de pessoas, a extensão do auxílio emergencial, a ampliação do crédito a micro, pequenas e médias empresas com garantia do Tesouro e a política monetária expansionista ajudam a explicar a retomada observada a partir de maio.
A expectativa é que a economia volte a crescer no quarto trimestre de 2020, recuperando parte das perdas do segundo trimestre.
Com isso, a queda projetada para o PIB no ano foi revisada de 6,4%, pelo Banco Central, para 5%, enquanto, para 2021, o crescimento projetado foi mantido em 3,6%.
No curto prazo, a intensidade da recuperação ainda depende da evolução da pandemia, em especial da continuidade da trajetória de redução do número de novos casos e mortes. O efetivo controle da disseminação da
covid-19 é particularmente importante para o setor de serviços, que vem apresentando desempenho inferior aos demais devido às restrições ainda em vigor e ao comportamento
cauteloso por parte de consumidores.
As perspectivas para a economia dependem também, ou principalmente, da redução das incertezas quanto à política fiscal diante do forte aumento do déficit e da dívida pública resultante das medidas de combate aos efeitos da pandemia, bem como das pressões que vêm se acumulando pelo
aumento de gastos.

TW – Como foi a sua trajetória nesse mercado de tintas até a fundação da The Valspar Corporation no Brasil?

JRB – Trabalhei na Tintas Coral por 11 anos, sempre em contato com a Valspar que era a licenciadora de tecnologia em tintas industriais para a Coral. Em 1996 o Grupo Bunge surpreendeu o mercado de tintas vendendo a Tintas Coral para a britânica Imperial Chemical Industries (ICI), um importante concorrente mundial da Valspar.Com o impacto da venda da Coral para a ICI, a Valspar Corporation tomou a decisão de entrar no mercado brasileiro e competir diretamente com os produtores locais de tintas industriais.
Em março de 1997 deixei a Tintas Coral (ICI) para ser o primeiro funcionário a se juntar a recém fundada Valspar Brasil. Ainda em 1997, com a necessidade de uma fábrica para produção local, além de suportes nas áreas administrativas e financeiras, criamos a Valspar Renner Revestimentos para Embalagens, uma joint-venture com o Grupo Renner Herrmann S.A. Quatro anos depois, em 2001 a Valspar Renner foi 100% adquirida pela Valspar, época em que a Valspar já estava presente em quase todos os países da América do Sul.

TW – Que tipos de entraves os senhores encontraram quando a Valspar entrou no Brasil e que desafios destacaria? 

JRB – Éramos uma empresa pequena, em formação e com fome de crescimento e lucro. Realmente tínhamos muitos desafios, desde a falta de competitividade para comprar matérias primas locais, recursos financeiros para pagar altos salários para atrair bons executivos, sistemas que pudessem integrar os resultados locais com o corporativo, pressão sindical, além das coisas que todos os empresários brasileiros sabem quando se trata de custo Brasil. Para lutar contra todos os desafios, eu brincava com meu pessoal que “todas as coisas poderiam ser resolvidas com mais vendas lucrativas”.
Nosso foco era a expansão e fizemos isso muito bem feito com rentabilidade que chamava a atenção da Corporação nos EUA.
Em 2005, fizemos a importante aquisição da Aries Coatings no México e com a fusão do México, nossa operação passou a cuidar de toda a América Latina. A Valspar Latin America se expandia com lucros crescentes!

TW – Como foi ter sido o primeiro não americano a ser eleito um corporate officer da Valspar, empresa tradicional e de capital aberto nos EUA com mais de 200 anos?

JRB – Em função de ter participado da
fundação da Valspar na região e dos espetaculares resultados que estávamos alcançando todos os anos, o conselho diretivo da Corporação tomou uma decisão histórica de eleger pela primeira vez em 200 anos um estrangeiro como corporate officer.
Foi inacreditável, realmente incrível, uma das coisas que eu mais me orgulho na minha carreira. Recebi elogios de muita gente, por muitos anos e isso jamais vou me esquecer. Depois da minha promoção começaram a surgir convites para que me mudasse para os EUA.

TW – Por que foi importante se mudar para os EUA?

JRB –Com a inclusão do México na minha região, eu decidi acumular por um tempo a posição de presidente da Valspar México para poder conhecer a fundo o mercado mexicano de tintas e interagir com os clientes locais. Para isso tive que deixar minha família no Brasil e passei a viajar muito, estando no México várias semanas por mês.
Então o CEO da Valspar disse que eu deveria me mudar com minha família para Dallas no Texas, pois de lá eu poderia cuidar do México, da América Latina e que estaria há apenas duas horas de voo de Minneapolis – sede da Valspar.
Estando nos EUA eu certamente fortaleceria meu contato com os demais officers e com o conselho diretivo da corporação.

TW – O senhor trabalhou nos EUA por quase 10 anos. Como foi viver fora do Brasil por uma década?

JRB – Foram 10 anos muito intensos na minha vida e da minha família pois além de presidente da América Latina, eu acumulei função de VP senior, dirigindo vários negócios globais da Valspar. Isso me levou a viajar pelo mundo todos os meses.
Inicialmente moramos em Dallas no Texas.
Eu havia sido promovido e passei a ser o presidente de duas empresas globais do grupo: Engineered Polymer Solutions (EPS) e a Color Corporation of America (CCA).
Depois de quase três anos em Dallas nos mudamos para Minneapolis com a missão de assumir a direção de mais negócios globais, além de finalmente estar no “coração” da corporação, ao lado do CEO para poder ajudá-lo a cuidar da expansão global da Valspar.
Ganhei responsabilidades adicionais com o objetivo tornar mais globais os negócios de tintas automotivas e depois o de pinturas de bobinas – “coil coatings”.
Aquisições de empresas concorrentes sempre foram parte importante da estratégia de expansão global da Valspar e essa foi outra área para a qual me dediquei muito. Fizemos várias aquisições, sendo a parte mais sensível de uma aquisição a integração das empresas compradas na cultura da Valspar. Isso exigiu muito do meu tempo, em diversos países.

TW – A Valspar foi comprada pela Sherwin Williams em 2017 por US$ 11,2 bilhões de dólares. Como foi a fase de integração dessas companhias?
JRB – O processo de integração de duas

Escritório da J.R. Benites Capital em São Paulo

empresas gigantes nunca é fácil, sempre cheio de desafios, mas nesse caso foi realizado de forma incrivelmente eficiente globalmente. Na América Latina, o portfólio das empresas era complementar e as empresas tinham uma importante presença em quase todos os países da região.
Fui convidado a voltar para o Brasil com a missão de integrar as companhias na América Latina e ainda acelerar o crescimento e a lucratividade na região.
Formamos um time de executivos muito experientes das duas organizações, criamos uma enorme lista de sinergias, elencamos as estratégias para buscar as metas de crescimento e de expansão da rentabilidade e passamos a controlar detalhadamente os resultados alcançados.
O time de executivos fez um trabalho fantástico e já em 2018 os resultados da região foram acima do previsto.

TW – O senhor tem alguma estratégia para obter resultados com pessoas, equipes em ambientes complexos e multiculturais?

JRB – Antes de mais nada, eu trato de entender os desafios que tenho pela frente e os resultados que preciso alcançar. Com isso em mente, procuro entender qual o perfil de cada pessoa que eu tenho disponível para formar um time.
Aí vem uma questão fundamental, entender as questões culturais das pessoas com quem você está interagindo, pois, às vezes, uma mesma meta precisa ser abordada de forma distinta na China ou nos EUA ou na
América Latina.
Você precisa harmonizar, de acordo com a cultura local, a forma como vai explicar as metas e as estratégias para atingi-las, para que o time entenda bem o plano traçado e acordado, para que finalmente estejam comprometidos em entregar os resultados.
Criar alianças com as pessoas da equipe é um ponto chave. Transparência, consistência no que você fala e faz também são fundamentais para o sucesso.

TW – Dessas experiências profissionais, que aprendizado foi mais significativo para o seu crescimento pessoal?

JRB – Sem dúvida nenhuma meu maior aprendizado foi criar conexões e relacionamentos com funcionários, clientes, fornecedores e outros parceiros em diferentes partes do mundo, com distintas culturas. Você, então, se dá conta que precisa analisar muito e cuidadosamente para aprender como interagir com cada cultura.
Eu costumo dizer você somente conhece algo sobre uma nova cultura quando é capaz
de apresentar suas ideias e convencer o outro. Se você aprende a persuadir, está começando a entender uma nova cultura.
O aprendizado mais incrível é que não importa o país ou o continente onde esteja, você sempre está interagindo com pessoas e o ser humano em qualquer parte do mundo gosta de ser ouvido, respeitado e bem tratado.

TW – Dos cinco continentes onde trabalhou, fora o Brasil, qual foi o mais marcante?

JRB – Vários aspectos marcaram meu trabalho fora do Brasil. As questões culturais foram sem dúvida as mais importantes.
O trabalho nos EUA, como corporate officer, foi marcado pela postura corporativa, formal, de visão sistêmica e de compromisso com os resultados sólidos esperados pelo conselho diretivo, analistas de mercado e acionistas. Nossos resultados nos EUA sempre foram muito consistentes.
O trabalho de expansão fora das Américas foi espetacular. Sempre me impressionou muito os tamanhos dos mercados na
Ásia e a enorme quantidade de oportunidades que você encontra em cada local que
visita. A expansão da Valspar na Ásia foi sempre muito significativa.
A região Europa, Oriente Médio, Índia e África é certamente muito ampla com diferentes aspectos culturais e forte concorrência das gigantes multinacionais do setor. Nosso crescimento nessa região foi espetacular incluindo várias aquisições estratégicas.

TW – Quando uma empresa performa muito bem e durante muito tempo, fica também a curiosidade sobre o clima interno.
O senhor pode falar sobre isso?

JRB – Um dos grandes segredos para a
Valspar performar tão bem, durante mais de dois séculos, estava na capacidade de realização de seus funcionários que trabalhavam verdadeiramente como acionistas.
O clima interno sempre foi fantástico, os funcionários tinham um enorme orgulho de trabalhar na corporação e apreciavam a maneira com que a empresa se expandia de forma tão rentável ao redor do mundo.
A transparência nas ações dos executivos, a estrutura com poucos níveis hierárquicos que facilitava com que as decisões fossem tomadas rapidamente, a autonomia que se dava ao time gerencial e a excelente gestão dos recursos hu

Vânia, Daniel e João Roberto Benites com a fotografia da filha Mariana que mora nos EUA

manos na valorização do profissional faziam com que o clima interno fosse realmente diferenciado, sendo parte fundamental da cultura Valspar.

TW – Enquanto morou nos EUA, o senhor teve que viajar muito em função de sua posição e mesmo assim conseguiu tempo para estudar nas melhores universidades. Qual foi o programa mais importante para um CEO?

JRB – Mesmo para líderes experientes é difícil trabalhar em ambientes com tanta volatilidade, incertezas, complexidade e ambiguidade. Eles precisam agir de modo mais decisivo e sempre focado na estratégia. Por isso, é fundamental encontrar tempo para se atualizar. É preciso negociar com a família e sua empresa, o
tempo que você vai ficar dentro das universidades, as vezes em um programa de imersão.
Participei de três programas fantásticos para CEOs, que altamente recomendo. Primeiro fiz o Strategic Management na Berkeley – Universidade da California, a segunda escola mais antiga de business dos EUA. Depois estudei na
universidade de Chicago – Booth School, o programa foi incrível, altíssimo nível. E, finalmente, o
melhor de todos, a Wharton School.
A Wharton School oferece uma experiência inesquecível. Um programa somente para executivos experientes e previamente aceitos pela escola. Os executivos ficam hospedados dentro da universidade por cinco semanas, envolvidos em aulas e outras atividades acadêmicas, com muito pouco contato com o seu mundo fora da escola.
Em contato com aproximadamente 50 CEOs altamente qualificados, professores experientes e convidados especiais, você desenvolve uma perspectiva global capaz de te ajudar a entender novas oportunidades para competir com sucesso.
O mais interessante é o networking que é criado com todo o grupo durante o curso. A conexão vai para além da escola. Até hoje falo com meu grupo de amigos há cada 45 dias por videoconferência.

TW – O senhor não acha que a preocupação com o meio ambiente ainda tem pouco espaço nos valores das empresas?

JRB – A preocupação com a preservação ambiental é fenômeno recente. Em 1972 a Organização das Nações Unidas (ONU) começou a debater questões das mudanças climáticas e os efeitos sobre a humanidade. Em 1983, com a criação da
Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, nasceu o termo “Desenvolvimento Sustentável”.
A sustentabilidade tem sido pauta de muitos debates na nossa sociedade. Afinal, os impactos da atividade humana, principalmente a industrial, sobre a natureza já provocaram danos profundos e, se nada for feito,
pode agravar ainda mais a qualidade de vida nas grandes cidades.
Por isso, é primordial que as empresas adotem uma postura proativa e estejam preparadas para minimizar os prejuízos decorrentes dos seus processos sobre a natureza.
Ser sustentável é muito mais do que somente ter preocupação com os impactos ao meio ambiente. É estruturar os processos produtivos de forma harmônica, nos quais o desenvolvimento e a proteção aos recursos naturais sejam condutas empresariais.

Milto Oliveira, João Roberto Benites e Francisco Carvalho relembrando o sucesso da fundação da Valspar no Brasil

No Brasil, a busca do desenvolvimento setorial sustentável é um compromisso assumido pela cadeia de tintas. São exemplos disso o programa para o atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Programa Coatings Care, assim como as mais diversas atividades em que o conhecimento sobre o tema é disseminado e as melhores
práticas são compartilhadas.

TW – E como conciliar trabalho e família, considerando os seus inúmeros compromissos?
JRB – Esse é um tema que sempre argumentamos, pois minha carreira tem sido marcada por viagens internacionais muito frequentes.
Minha família sempre ficou estabelecida em cidades com total infraestrutura, de tal modo que eu pudesse viajar um pouco mais tranquilo.
O segredo tem sido desfrutar juntos o tempo que estou em nossa casa, com qualidade nas relações. Além disso, planejamos duas viagens de férias em família por ano.

TW – Ter foco em outra atividade, algum hobbie ou esporte propriamente ajuda bastante na performance do dia-a-dia, como dizem médicos, psicólogos do trabalho, por exemplo. O senhor tem algum?
JRB – Gosto de futebol e tênis, mas sou mesmo aficionado, desde criança, por pesca.
Comecei a pescar com meu pai quando tinha 7 anos nos rios da região de São Jose do Rio
Preto e nunca mais parei de buscar rios piscosos no Brasil e no exterior. Fiz várias pescarias curiosas nos lagos
congelados de Minnesota, onde eu morava.
Confesso que a parte mais divertida da pescaria no gelo era a bebida que tomávamos
para nos manter aquecidos.

TW – Recentemente uma joint venture entre o Grupo Votorantim Cimentos, Gerdau e Tigre, comprou a Triider, um marketplace de serviços que conecta pedreiros e pessoas que precisam fazer obras. O plano é criar “one-stop shop” desse mercado de profissionais. É uma tendência?

JRB – Eu acredito muito nesse conceito, pois estamos vendo funcionar muito bem e crescendo rapidamente em vários países do mundo.
Nos EUA, por exemplo, os profissionais são tratados de forma muito especial em locais, nem sempre muito grandes, mas com uma linha completa de produtos e serviços de suporte, inclusive de crédito, que necessitam
no seu dia-a-dia.
Muitas lojas atendem os profissionais cadastrados por telefone ou on-line e fazem entregas rápidas, diretamente nas obras.
A fidelidade do profissional à loja e vice-versa é parte fundamental da estratégia do relacionamento de longo prazo.

TW – Sua carreira te coloca numa posição de destaque no mercado. Há espaço para que tipos de projetos profissionais em sua vida?

JRB – A meta é expandir minha atuação como conselheiro de empresas tanto no Brasil quanto no exterior. No Brasil sou conselheiro certificado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).
Consultorias em estratégias empresariais são estruturadas através da J.R.Benites
Advisory. Na área de investimentos, vamos continuar expandindo a J.R.Benites Capital, buscando empreender continuamente em negócios com grande potencial de crescimento e geração de valor.

TW – Os grandes fabricantes de tintas da América Latina reconhecem que o senhor tem uma carreira consolidada, fora do convencional, sendo o executivo latino-americano que mais alto chegou dentro de uma empresa multinacional de tintas de capital aberto. Que mensagem o senhor daria para empresários, empreendedores e lideranças corporativas?

JRB – Realmente fico muito honrado em saber que o mercado aprova o trabalho que venho fazendo há mais de 35 anos e não encontro palavras para agradecer a todos aqueles que tem me apoiado nessa longa jornada.
Acredito que minha eleição como corporate officer da Valspar fez toda a diferença para
que eu pudesse ter outras oportunidades de trabalhar próximo ao CEO da corporação, na expansão global da Valspar.
A mensagem para as lideranças é que nunca desistam de investir nos seus recursos humanos. Eles fazem a diferença para garantir a longevidade próspera da sua empresa.
Com o evento da pandemia do covid-19, muitas companhias pediram para seus colaboradores trabalharem em casa, em home office. E gostaram da experiência. Certamente trabalhar em casa pode mudar a forma de algumas empresas operarem, mas cuidado, pois isso pode ser uma armadilha no desenvolvimento de relacionamentos.
Nunca foi tão importante estar próximo de seus colaboradores, entender suas reais necessidades e investir no progresso deles.

TW – Qual o futuro das tecnologias em tintas? Maior durabilidade é algo que se pode esperar?

JRB – O desenvolvimento tecnológico do mercado de tintas, impulsionado pelas grandes multinacionais do setor, busca continuamente o incremento de performance e novas funcionalidades, aliadas a sustentabilidade.
Já estão sendo comercializadas tintas sem
odor, tintas reflexivas, antigrafiti, anti-incrustante, anti-embaçantes, antirisco, entre tantas
outras funcionalidades.
Algumas outras possibilidades sendo pesquisadas, são as tintas vegetais formuladas a partir da lignina, um subproduto da produção do papel e produto residual da produção do etanol.
Torna-se possível fazer em laboratórios, organismos estruturalmente coloridos. São bactérias cujas colônias apresentam cores metálicas vivas. Isso abre a possibilidade de se manipular geneticamente essas bactérias em larga escala para produção de tintas biodegradáveis e não tóxicas.
Pesquisadores também estão estudando tintas autorreparo que inibem a corrosão de estruturas metálicas. São nano cápsulas que se rompem quando começam aparecer trincas na cobertura da tinta.
As tintas do futuro vão continuar permitindo que os consumidores se surpreendam com sua performance, suas funcionalidades e cores, mas além disso, um contínuo compromisso com a preservação ambiental do nosso planeta.

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