Turismo, eventos e viagens

por The Winners
0 comentário

O setor de turismo, eventos e viagens foi um dos primeiros a sentir o impacto da crise causada pela pandemia da COVID-19 e deverá ser um dos últimos a sair dela. Com as atividades interrompidas desde março e com uma recente flexibilização, os empresários, gestores, representantes de entidades e associações estão, dia a dia, dialogando e atuando para entender as oportunidades e redesenhando seus modelos de negócios, focando no reaquecimento da economia. Para entender mais, a The Winners Prime Leaders Magazine conversou com Toni Sando, administrador de empresas com MBA em Gestão de Negócios pela FGV. Sando já atuou no mercado financeiro, cartão de crédito, na área de produtos, vendas e operações nos Bancos Noroeste, Nacional e Unibanco, além de atuar na Accor Hotels em marketing; e no Senac e Metodista como professor. Hoje, no 3º setor, participa ativamente do Conselho Estadual e Municipal de Turismo e de diversos conselhos setoriais e associativos, entre eles, na Associação Viva o Centro, presidida por Milton Santos. É 1º Vice-Presidente da Associação de CVBs LatinoAmerica & El Caribe e membro da Academia Brasileira de Eventos e Turismo. Atualmente está como Presidente Eleito da UNEDESTINOS e Presidente Executivo da Fundação 25 de Janeiro.

A Fundação 25 de Janeiro, com as marcas São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB) e Visite São Paulo, é uma entidade estadual, de direito privado e sem fins lucrativos, que trabalha, desde 1983, para incremento da economia do turismo por meio do apoio e captação de novos eventos nacionais e internacionais, capacitação de profissionais e promoção dos destinos paulistas; resultando em um grande movimento para conquistar novos visitantes, que fazem girar toda uma cadeia produtiva de mais de 50 segmentos.

Por sua vez, a UNEDESTINOS – UNIÃO NACIONAL DE CONVENTIONS E VISITORS BUREAUS E ENTIDADES DE DESTINOS é formada por entidades privadas, públicas e mistas especializadas na promoção de destinos, pesquisas, geração de conteúdo, capacitação, apoio e captação de eventos. Com 45 entidades, representam mais de 300 destinos brasileiros e cerca de 10.000 empresas associadas. A entidade trabalha para o compartilhamento das melhores práticas e fortalecimento da representação do setor frente ao poder público. É membro do Conselho Nacional de Turismo.

Raul Souza Sulzbacher e Eduardo Sanovicz com Vinicius Lummertz e Joao Doria em lançamento de voos regionais em São Paulo
Assinatura Alianza Sudamérica MICE com Elenice Zaparoli

The Winners – Toni, qual é a importância do turismo para a economia de um destino?

Toni Sando – O turismo é uma indústria limpa, que gera emprego, riqueza e renda a partir das vocações naturais de um destino, seja de praia,  natureza, gastronomia, ecoturismo, arquitetura, história, cultura, lazer, eventos, negócios ou entretenimento. Em 2019, movimentou US$8,8 trilhões e gerou 319 milhões de postos de emprego em todo mundo. No Brasil, equivale a 8,1% do PIB.
A conta é simples. Um destino bom para o turismo é um destino bom para o morador.
Então, o investimento na atração de visitantes e na melhoria da estrutura, além da criação de políticas de incentivo, gera um desenvolvimento econômico significativo, além de valorizar bens materiais e imateriais da humanidade.
As diversas faces do turismo, que passam pelo turismo de lazer, negócios, eventos, cultural, saúde, rural, esportivo etc., podem ampliar ainda mais a cadeia produtiva beneficiada.

TW – Fale um pouco de como estava o turismo no Brasil, Estado de São Paulo e capital
antes da pandemia.
TS – O Brasil vinha recebendo cerca de 6 milhões de visitantes por ano, em um misto de turismo de lazer, em destinos consagrados mundialmente, e de negócios. Muito pouco comparado ao seu potencial. No Estado de São Paulo, são mais de 40 milhões de visitantes anuais; e na capital, 15 milhões, sendo metade motivada por negócios e eventos. A cidade realizava, antes da pandemia, 90.000 eventos por ano, 1 a cada 6 minutos.
Desde a criação e execução do Plano Aquarela e a marca Brasil, audaciosa estratégia para promoção do turismo, cada
Governo acabou adotando sua própria estratégia para lidar com o setor, deixando de dar continuidade a um plano de 20 anos,que poderia ter colocado o Brasil em outro patamar. A troca constante de Ministros de Turismo e também de Secretários de Estado de Turismo comprometeram a continuidade das ações estratégicas de médio e longo prazo em todo o Brasil. Além disso, tivemos a redução dos recursos destinados à pasta, a diminuição da presença do Brasil em feiras internacionais do turismo e o fechamento dos EBTs, Escritórios Brasileiros de Turismo,
espalhados por diversos países.
No caso do Estado de São Paulo, o destino sempre contou com um forte potencial para o
turismo internacional, doméstico e regional, inclusive de paulista para paulista, com uma grande diversidade de opções. Já a capital paulista é forte pelo turismo de negócios e eventos, ainda que possua uma capacidade enorme a ser explorada para o turismo de lazer e saúde.

TW – Em 2019, se iniciou uma campanha
inédita de promoção do Estado de São Paulo. Qual era a objetivo?

TS – Como falei, o Estado de São Paulo é muito rico e cheio de oportunidades. A variedade de destinos é enorme, com praia, religião, ecoturismo, aventura, compras, eventos, saúde, campo e muito mais. Entendendo a demanda e a oferta, o Governo do Estado de São Paulo, com o Secretário de Turismo Vinicius Lummertz, lançou uma campanha inédita.
Foi a primeira vez, nessa magnitude, desde que a então Deputada Celia Leão promulgou a
Emenda Constitucional n. 29, por meio da PEC 01/2008, que restringia a publicidade do Estado em território nacional.
A campanha “São Paulo Pra Todos” foi ao ar no Brasil e no mundo apresentando os destinos paulistas. Esse movimento se iniciou em meados de 2019, fazendo parte de uma estratégia maior de promoção turística e investimentos.
Buscando fortalecer os resultados, a Abear, Associação Brasileira das Empresas Aéreas, com seu Presidente Eduardo Sanovicz, representando as Cias Aéreas Gol, Latam, Passaredo e Azul, implementou um audacioso plano de novos voos e rotas. Também neste período, viabilizaram ações de “Stopover”, uma vez que São Paulo é um dos principais hubs da América do Sul em viagens internacionais para o Brasil.                                                                                                                Para estimular o aumento do fluxo de visitantes, as Cias Aéreas fizeram, por meio da Abear, um termo de parceria com a Fundação 25 de Janeiro – SPCVB, para que, através de um fundo de promoção, viabilizasse um plano de marketing dos destinos de São Paulo.
Para unificação e fortalecimento da imagem de São Paulo, paralelamente, a Fundação atendeu um chamamento público do Governo, por meio da Secretaria de Turismo, para participar da campanha “São Paulo Pra Todos”, e alinhar uma única linguagem de comunicação. Outras entidades do Conselho Estadual de Turismo
aderiram ao movimento e compartilharam a campanha em seus canais de comunicação.
Assim sendo, neste momento, a Fundação 25 de Janeiro, na figura do Presidente do Conselho de Administração Raul Sulzbacher e com apoio tanto da Abear quanto do Governo do Estado, contratou um novo plano de mídia, além de viabilizar uma série de outras ações de divulgação nacional e internacional.

TW – Quais foram os resultados a curto prazo?

TS – Por mais que o movimento faça parte de uma estratégia maior para resultados a médio e longo prazo, consolidando o Estado de São Paulo como um grande destino turístico, os resultados já começaram a aparecer e 2019
contou com um incremento de 5% na economia do turismo, de acordo com a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, além dos novos voos implementados.

TW – Com a pandemia, o que mudou?

TS – O novo plano de mídia durou até março, quando já planejávamos uma nova fase da campanha, desta vez, voltada para conversão e vendas com o lançamento da plataforma e Market Place: visitsp.tur.br. Já havíamos mobilizado o trade para a criação de produtos e produzido um novo vídeo publicitário. Entretanto, logo que decretada a quarentena, interrompemos todos os movimentos e passamos a estudar o que precisava ser feito.
Todo o turismo, assim como outras atividades da economia, parou. As pessoas precisavam ficar em casa e as fronteiras foram fechadas. A campanha entrou em hiato até entendermos qual horizonte seguro poderíamos seguir. Algo que aconteceu apenas recentemente, com a criação e avanço do Plano São Paulo, com fases de flexibilização e criação de protocolos de segurança. Acompanhando o retorno das atividades, passamos a promover com vídeos
e anúncios, com o tema” São Paulo está pronta para receber”, os protocolos das cias aéreas, meios de hospedagem, bares e restaurantes e eventos, com o objetivo de mostrar como os equipamentos estavam e estão comprometidos com a segurança, higiene e bem-estar.

TW – Com a pandemia, em nível nacional, como o Turismo se mobilizou para enfrentar a crise?

TS – Os desafios ainda são enormes. Uma vez interrompidas as atividades, o único horizonte possível de se trabalhar foi o da contenção e sobrevivência. De nada vale sonhar com retomada se muitas empresas podem falir até lá
e muitos empregos ficarem comprometidos. Foi nesta linha que o associativismo mostrou mais
uma vez o seu valor.
Isso, pois, para a sobrevivência do setor foi fundamental a atuação do poder público em todos os níveis para a criação de medidas provisórias, decretos e até mesmo projetos de lei que tornem o ambiente sustentável e possível

Eduardo Sanovicz e Toni Sando são reconhecidos pela ADVB
Representando a UNEDESTINOS, Toni Sando com o Deputado Herculano Passos, o Ministro Marcelo Álvaro e o Ex-Governador Geraldo Alckmin

para o enfrentamento da crise, garantindo a manutenção do emprego dos colaboradores e o mínimo de uma operação. Apenas com um setor unificado e com pautas claras que é possível dialogar com os prefeitos, governadores e ministros e conquistar as mudanças necessárias. Somente as associações e entidades de classe têm esse poder para um resultado tão rápido. Muitos segmentos já retomaram suas atividades, embora com limitação de capacidade. O grande desafio atual
é o entendimento das autoridades para liberação dos eventos, que estão prontos para iniciar suas atividades e fechar novos contratos, com todas as normas de segurança e protocolos implantados.
Diversos movimentos foram criados, de extrema importância, como o G8, G20, CBIE e o Supera Turismo Brasil (veja box com mais informações). Recentemente assinamos a Alianza Sudamerica MICE, reunindo destinos da América do Sul para comunicar nossas ações de enfrentamento da crise para o mercado internacional de eventos.

TW – Tanto a UNEDESTINOS quanto com o São Paulo Convention & Visitors Bureau atuam diretamente no setor de eventos. Como a pandemia tem impactado nos negócios?

TS – Um Convention & Visitors Bureau atua para aumentar o fluxo de visitantes de um destino. Alguns destinos são mais “visitors”, outros são mais “conventions”, e alguns atuam nas duas frentes, como é
no caso de São Paulo. No caso dos CVBS com vocação em “convention”, seu objetivo é atrair novos eventos a um destino. É uma atividade que preenche o calendário dos espaços e centros de convenções, aumenta a taxa de ocupação da hotelaria e movimenta a cadeia produtiva como um todo. Um CVB também fortalece os eventos já consagrados
e fixos de uma cidade.
De tal forma, o movimento que presenciamos, a princípio, foi de adiamento dos encontros para o segundo semestre. Como a flexibilização vem acontecendo de forma gradual e cautelosa, os organizadores e promotores estão realizando um novo adiamento, agora para 2021, ou tornando a edição de 2020 virtual ou híbrida. O próximo ano será promissor, pois será dois em um.
Sobre captação de eventos futuros, o trabalho não parou. As entidades associativas como médicas, cientificas, educacionais, jurídicas, entre outras, tanto nacionais como internacionais seguem com o processo de candidatura, ainda que posterguem a confirmação do destino escolhido, na tentativa de entender qual será o contexto da pandemia para a data imaginada.

TW – É possível dizer que há oportunidades frente à atual crise?

TS – Sempre há, mas é preciso ter cautela com um otimismo exagerado. Há quem esteja enriquecendo na crise, criando soluções e produtos, mas a grande maioria das empresas estão sangrando, ainda esperando uma maior ajuda do governo, fazendo as contas para se manterem abertas e torcendo para uma flexibilização mais ágil. Todos estão se reinventado para gerar novas fontes de recursos, mas é preciso lembrar que a economia segue sensível.
No nosso setor, o movimento que acompanhamos, como oportunidade, é o do turismo regional, a curta distância. Com uma demanda reprimida, após meses de quarentena, a população urge por um descanso fora de casa, de
forma segura e controlada. Assim, os meios de hospedagens e equipamentos turísticos no interior e de voos de curta distância, saem na frente na retomada.
Mais do que nunca, é hora para o brasileiro conhecer, de fato, o Brasil e suas riquezas.
Essa é, de certa forma, a maior oportunidade conforme os posts diários do movimento Supera Turismo Brasil.

TW – A promoção internacional está comprometida. Como seria uma atuação ideal dos destinos nacionais para colher furtos em curto, médio e longo prazo?

TS – Acompanhando a publicidade digital ou convencional, já vemos diversos destinos internacionais sendo promovidos, ainda que sem o real “call to action” para fazer a compra de um pacote a curto prazo. Isso, pois, a promoção
precisa ser perene, para que o destino continue sendo objeto de desejo – mesmo que sem uma data certa de retorno. Mas temos um grande desafio de trabalhar a imagem do Brasil e retomar a divulgação internacional apenas após
a crise. É algo que vai impactar no atraso dos resultados que precisamos em curto, médio e
longo prazo.

TW – Mesmo com a flexibilização e abertura de economia, promover e incentivar o turismo são temas sensíveis…

TS – Sim, por isso é preciso cautela. Mesmo com hotéis e destinos abertos, é muito sensível
incentivar em massa que as pessoas viagem. Em São Paulo, a estratégia da Fundação, com
apoio da Secretaria de Turismo, da Abear e as demais entidades do trade, está sendo de primeiro promover a conscientização dos protocolos. Ninguém quer uma 2ª onda como está acontecendo na Europa. Iniciamos a divulgação de uma ação que as pessoas aproveitem os hotéis na própria cidade ou a curta distância,

Homenagem da ADVB e Skal com Toni Sando, Vinicius Lummertz e João Doria
Representando o CVB LatinoAmerica y El Caribe, Toni Sando (1o VP) e Silvana Bigiotti (Presidente) com Deputado Herculano Passos

evitando aglomeração em destinos que estão passando por esse problema em finais de semana e feriados. O próximo passo será uma inteligência de busca e sugestão de ofertas que distribua os visitantes para destinos que
já podem receber e estão com mais ociosidade. Os agentes de viagens terão um papel fundamental para assessorar seus clientes na melhor escolha.

TW – E a volta dos eventos?

TS – São dois movimentos paralelos para o reaquecimento da economia. O primeiro, como
supracitado, é do turismo regional, de final de semana, lazer, que aos poucos, com o retorno
da malha aérea, vai aumentando em distância.
Por isso, a criação dos produtos, seguindo os protocolos, e promoção dos destinos são essenciais para essa evolução.
Ainda assim, muitos destinos, como a capital São Paulo, contam com a volta do turismo de negócios e eventos, que ainda segue muito sensível. As pessoas podem se sentir mais seguras para viajar a lazer
para praia ou campo, mas as empresas têm mais restrições para mandar seus executivos para viagens. Por isso a importância da divulgação de que os hotéis, aviões, restaurantes e espaços de eventos já estão com seus protocolos implantados e com toda a segurança necessária.
No Estado de São Paulo há horizontes. Pequenos encontros já são possíveis. Com a passagem da capital para a fase verde até outubro, já será viável retornar feiras e eventos, ainda que dentro das limitações impostas e fundamentais
para o reaquecimento da economia.

TW – Estamos em um ano eleitoral. Qual a perspectiva para o setor?

TS – A cada dois anos temos um ano eleitoral. Por isso, o diálogo é sempre importante em todas as esferas públicas, e as associações têm um papel fundamental em contribuir na elaboração e recomendação de planos de governo, que consideram de fato, o setor de turismo e eventos, como gerador de emprego e renda.
São elas que conseguem abrir portas para o empresário e mostrar aos representantes do
poder público quais são as pautas essenciais.
No turismo, são inúmeras as mudanças que beneficiariam o setor e o tornariam mais sustentáveis, como: investimento em promoção nacional e internacional, a injusta cobrança do Ecad em quartos de hotéis, melhoria de infraestrutura
turística, desburocratização para liberação de alvarás e licenciamento ambiental, liberação dos eventos… e, neste período tão único de enfretamento de uma crise inédita, medidas que viabilizem a manutenção do empregos e
o acesso a linhas de credito para as empresas continuarem vivas, bem como alívio tributário por meio de diferimento e parcelamento de impostos e desoneração da folha, ao menos por um período de tempo, para que o setor ganhe
um folego para se recuperar.
O turismo pode ser um dos vetores na recuperação econômica do País, com muita vontade política e movimentação dos empresários, executivos, associações e entidades de classe.

TW – O que devemos, então, esperar do turismo?

TS – O diálogo com o poder público está avançando. A UNEDESTINOS está em sintonia
com o Ministério de Turismo e Embratur, para que se viabilize e incentive a promoção internacional e fortaleça a campanha para o turismo doméstico. Se há uma lição positiva, foi a comprovação de que a Sociedade Civil Organizada
pode fazer a diferença. O turismo já iniciou a retomada, ainda que gradativa e focando na segurança. Avançando a flexibilização, poderá ser um dos principais vetores para alavancar a economia, gerar emprego, recuperar a renda
e gerar novas oportunidades. O turismo é um agente da prosperidade.

Reunião de alinhamento para ações de promoção do Turismo no Estado de São Paulo

You may also like

Deixe um Comentário