Sebastião Misiara, presidente da UVESP

por The Winners
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The Winners – Você tem sido um dos mais brilhantes empreendedores pelo desenvolvimento da economia municipalista, como isso começou?

Sebastião Misiara – Desde que consolidei o principio municipalista como um dever de consciência, por entender que essa é a única saída para o desenvolvimento do Brasil, com o fortalecimento dos municípios.

Os municípios foram recebendo ao longo dos governantes de plantão, encargos e competências, sem, contudo, receber a contrapartida financeira para execução dos serviços que o povo espera.

O caminho, então, é provocar o encontro entre empresários, prefeitos e vereadores. Isso temos feito com relativo êxito. Por outro lado, não deixamos de lutar pela busca da Reforma Tributária.

TW – Nestes longos anos de municipalismo, com larga experiência e convivência com prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, além de governadores como você vê o horizonte do Brasil nos dias atuais?

SM – Pelos discursos municipalistas, vejo um horizonte promissor. Com olhos voltados para o crescimento municipal, a nação brasileira vai sorrir mais esperançosa.

Temos que perseguir, com essas lideranças apoiando, o desenvolvimento que é a palavra de ordem em todos os setores. E ele só terá sentido se for voltado para o homem, fixado no município, para o levantamento dos níveis de vida da coletividade.

TW – Ao que você atribui esse enorme quadro de excelentes gestores públicos municipais?

SM – A grande crise política brasileira iniciada nos anos 20, e ainda não resolvida, tem sido a crise da autonomia municipal.

Essa crise que atravessa o século faz com que prefeitos e vereadores lutem incansavelmente para solucionar os problemas municipais. Isso os transforma em heróis e exercitam sua inteligência que os torna criativos e inovadores.

Os bons exemplos de governo são dados em abundância pelos municípios brasileiros. O estado de São Paulo é, incontestavelmente, um modelo de desenvolvimento municipalista.

Na terra bandeirante é possível encontrar centenas de ótimos administradores, homens competentes, muitos dos quais nasceram no Poder Legislativo, símbolo da escola democrática.

TW – A marcha pelo fortalecimento da economia do interior do estado tem sido sua missão nessa jornada. Pode citar algumas conquistas. E frustrações, houveram?

SM – Em verdade, a conquista não é pessoal. A missão da Uvesp é articular, entre outras coisas, a relação entre o público e o privado.

Participei de várias missões internacionais, como Estados Unidos, Alemanha, Canadá, com o objetivo de sentir o pulso de empresários interessados no Brasil.

Quando estivemos nos Estados Unidos, por exemplo, a convite do Departamento de Estado Americano, fomos conhecer o sistema de aterros e captação de lixo, com 10 prefeitos que investiram modelos americanos e levaram modelos brasileiros.

Cito, entre outros, os prefeitos da época João Sanzovo (Jaú), Carlão Pignatari (Votuporanga), Renato Amari (Sorocaba). Hoje, participo do GCSM – Global Council Sales Marketing, um conglomerado de empresários, executivos, CEOs que têm olhar crítico sobre investimentos. Com eles, pensamos interior.

Não há frustração. Ao se dedicar a uma missão, como o municipalismo, independente do resultado, há o sentimento do dever cumprido. E a melhor retribuição é encontrar políticos preparados para a arte de servir.

TW – Qual a história da Uvesp. E como tudo começou?

SM – A Uvesp nasceu em 1977, no Guarujá, com o objetivo de fortalecer o Poder Legislativo e levar até a sociedade o verdadeiro sentimento de democracia. Ali se reuniram vereadores de todo o estado de São Paulo.

Com a nossa entrada no movimento, entendemos que o papel da Uvesp deveria ser prioritariamente o de capacitar. Parto sempre da premissa que o presidente da República nasce no município.

À medida que se prepara um cidadão de viés público, é considerável a melhora na qualidade dos que exercem mandato popular.

E essa tem sido nossa prioridade. Orientar, capacitar, fomentar o desenvolvimento, articulando o município com o capital privado.

O Jornal do Interior nasceu com o propósito de servir. Levar a palavra de mestres e doutores em administração pública, dar destaque aos “cases” de sucesso e aproximar os agentes públicos para troca de experiências.

TW – Ano passado a Uvesp realizou o primeiro Conexidades, um dos maiores eventos municipalistas do Estado, em Ubatuba. Quais foram os resultados?

SM – O modelo administrativo brasileiro que tem um pacto federativo às avessas, onde o município é o maior prejudicado, os agentes públicos precisam encontrar saídas na criatividade, inovação.

Isso você conquista com conversas, diálogos e orientações. Os recursos são pequenos e os investimentos podem ser importantes. Os resultados foram bons no aspecto de reivindicações atendidas em Brasília.

Os prefeitos que participaram viram os programas federais e correram atrás do prejuízo. Orientar é nosso objetivo, repito, pois assim teremos resultados positivos para a sociedade.

Dizem que há três tipos de pessoas: as que fazem as coisas acontecerem; as que observam as coisas acontecerem e as que não sabem o que está acontecendo. Queremos eliminar as duas últimas atrás.

Considero, todavia, uma grande conquista a sugestão para os municípios de criarem “Comitês do Futuro”. Isso representa tentar não apenas prevenir problemas, como também tentar antecipar o futuro, uma espécie de radar.

Apenas reagir às crises é correr atrás do prejuízo. Orientar é nosso objetivo, repito, pois assim teremos resultados positivos para a sociedade.

Dizem que há três tipos de pessoas: as que fazem as coisas acontecerem; as que observam as coisas acontecerem e as que não sabem o que está acontecendo. Queremos eliminar as duas últimas.

TW – Esse ano, o Segundo Conexidades acontece de 4 a 8 de junho na cidade encantadora de São Carlos, quais são as novidades e programa?

SM – A ideia do primeiro Conexidades partiu da jornalista Silvia Melo, diretora da WLS Produções e que responde pela comunicação da Uvesp. Foi criado um ambiente de conhecimento, principalmente com os órgãos de controle como TCU, TCE e Corregedoria Geral da União.

São Carlos é a capital da tecnologia, instrumento de conexão mundial. Ali vamos discutir os grandes problemas administrativos e receber soluções da iniciativa privada.

TW – Você tem sido um grande fomentador das relações institucionais do governo do estado no interior, especialmente, realizando uma série de eventos para o secretários de estado. Como isso tem gerado resultados?

SM – Cito como exemplo, o primeiro desse ano. Colocamos prefeitos e vereadores de praticamente todos os municípios do litoral sul e Vale do Ribeira. Participaram Patricia Iglecias (Cetesb) e Vinicius Lummertz (Turismo).

Temas como poluição das praias e o novo caminho do turismo, foram bem recebidos e entendidos pelas autoridades. No caso da Cetesb juntos com a Patricia começaram a resolver esses problemas. Tem o mesmo efeito do Conexidades.

Juntamos o governo e os municípios, o público e o privado. Por outro lado, temos 34 Parlamentos Regionais. Grupos de vereadores que discutem conosco as reivindicações regionais e apontam problemas e soluções. Passamos as informações ao governo do estado.

TW – Que recado você dá aos agentes e servidores públicos?

SM – Governados e governantes devem se fixar na imagem do município com realidade. A União e os Estados são apenas ficções jurídicas. Política e democracia não se fazem fora do município.

Os Estados, maiores ou menores, nada mais são do que confederações de municípios. Para se chegar a essa realidade, basta ver que o Brasil nasceu sob a bandeira do municipalismo.

Foram cidades como São Vicente, São Paulo, Salvador ou Porto Seguro que determinaram o desenvolvimento político e social do país.

São Paulo é um exemplo de municipalismo. A cidade nasce ao lado de uma igreja e de um colégio, símbolos da cristandade e da cultura, e passa a ser o centro da conquista do território nacional e da civilização.

Os bandeirantes vão alargando as fronteiras do Brasil e reproduzindo em seu caminho o modelo de Piratininga. Quem construiu sua história nas estradas brasileiras sabe que não há política, não há Estado, não há paz social, sem o respeito a autonomia municipal.

É isso, a ver meu ver é o que deve nortear a ação dos novos eleitos para o Congresso Nacional, onde tristemente estamos vendo posições contrárias à aprovação da Reforma da Previdência.

O que querem? Uma criança sem futuro? Um adulto sem passado?

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