São Paulo Boat Show 2020 tem sua estreia ao ar livre

por The Winners
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A Raia Olímpica da USP revelou-se um lugar perfeito para quem sempre desejou comprar o barco dos sonhos.

 

Os desafios impostos pela pandemia obrigaram algumas atividades a se reinventar. Recentemente, uma iniciativa emblemática, resultou em um evento sob medida, a 23ª edição do São Paulo Boat Show, que aconteceu entre os dias 19 e 24 de novembro em um cenário inédito e muito especial: a Raia Olímpica da Universidade de São Paulo (USP), ao lado da Marginal Pinheiros e no coração da maior metrópole da América Latina.
A ideia de levar os barcos para a água surgiu da impossibilidade de apresentá-los em ambientes fechados, como em anos anteriores.
A restrição da pandemia, no entanto, não paralisou seus idealizado

res. Pelo contrário, impulsionou um rico processo de mudanças. “Inovações não surgem com manual de instrução. É a vontade de realizar que materializa ideias, é a construção de uma rede de apoio que acrescenta cada uma das peças necessárias para viabilizar os acordos. O desejo de realizar a feira náutica em uma marina artificial surgiu do empresário
Ernani Paciornik, idealizador do Boat Show.
“Como não apoiar uma ideia tão original? Juntos, envolvemos a Universidade de São Paulo, que desde o início reconheceu a importância da parceria com o setor náutico, e com o Governo do Estado de São Paulo, que
ofereceu todo o suporte possível”, relembra Vinicius Lummetz, ex-ministro do Turismo do Brasil e, atualmente, Secretário de Turismo do Estado de São Paulo.
O novo palco foi aprovado pelos expositores e pelo público. Segundo o Grupo Náutica, que organiza a exposição desde 1998, o São Paulo Boat Show 2020 recebeu mais de 18 mil pessoas (no máximo, até 1990 pessoas simultaneamente, de acordo com o protocolo de segurança), o que prova que a Raia Olímpica caiu no gosto dos brasileiros. Famílias inteiras, de todos os cantos do país, foram conferir de perto as novidades do mundo náutico.
Construída em 1973, com 2.200 metros de extensão, 100 metros de largura e 600 mil metros cúbicos de água limpa, a raia olímpica da USP até hoje era frequentada exclusivamente pelos praticantes de esportes aquáticos, como remo, canoagem e stand-up paddle (SUP). O São Paulo Boat Show foi uma oportunidade única de conhecê-la de pertinho por
quem ainda não havia realizado nenhuma pratica no local.
Ao todo, foram apresentados 70 barcos, de vários tipos e modelos, além de motores e muitos equipamentos e acessórios. Após seis dias de evento, a organização contabilizou cerca de R$ 155 milhões em negócios gerados — números muito bons para o momento em que vive a economia do país. Ao todo, fo

ram comercializadas 215 embarcações e as vendas no salão devem refletir pelos próximos três meses na produção dos estaleiros expositores. “Mesmo diante dos inúmeros desafios causados pela pandemia, sabemos que
o São Paulo Boat Show é um dos principais pilares que fomentam o segmento náutico no país, fazendo girar a roda da economia”, afirmou Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica. “A cada nova embarcação vendida,
a cadeia náutica emprega três pessoas diretamente e três indiretamente. Ou seja, a cada mil unidades construídas são gerados 8 mil empregos, números que saltam para 120 mil empregos em todo o Brasil quando incluídas as atividades nas marinas, lojas, serviços e assistências técnicas”, acrescentou Eduardo Colunna, presidente da Acobar, entidade que
representa a indústria do setor.
De acordo com o empresário Paulo Thadeu, presidente do Real Powerboats — estaleiro do Rio de Janeiro — o mercado está muito mais aquecido do que se imaginava.
“Os ventos voltaram a soprar a favor. E com muitos clientes novos. Em 25 anos que tenho de náutico, nunca vi um crescimento de novos clientes como neste ano. De 20 a 30% do total das vendas são para novos clientes”,
destacou. “Também foi uma grata surpresa para nós. A visita do público foi muito boa, excepcional em alguns momentos, por se tratar de um lugar bucólico”, acentuou Jonas Moura, presidente do estaleiro pernambucano NX Boats.
Para o evento ser realizado, foi necessário a aprovação da Prefeitura de São Paulo.
O Grupo Náutica comprometeu-se também a respeitar o Plano SP, do governo do Estado, seguindo todos os protocolos de segurança sanitária. Por sua vez, a reitoria da USP, para abrir as portas de sua raia olímpica, recebeu
um valor pelo aluguel do espaço, além de um barco de 18 pés avaliado em R$ 70 mil, doado pelos expositores, que poderá ser usado pelo Instituto de Oceanografia e demais áreas

de pesquisa da universidade, a critério do diretório acadêmico. Sem contar melhorias na estrutura do lugar, como balizamentos e troca de cabeamento da raia. Por sua vez, o Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp) ficou com 50% da renda do estacionamento. Somados todos os ganhos, a universidade recebeu cerca de R$ 400 mil. “Em comum
acordo com a reitoria, entendemos que essa doação seria um gesto apropriado para mostrar que eventos têm um impacto positivo”, explicou o presidente do Grupo Náutica.
Junto com a exposição de barcos, o São Paulo Boat Show 2020 promoveu uma série de atrações na Raia como remo, canoagem, vela e sup. Houve também uma corrida de barcos movidos a energia solar, além da exibição de um campeão mundial de freestyle: o catarinense Alessander Lenzi, que realizou manobras a bordo de um jet superpotente.
O navegador Amyr Klink, que remou na raia olímpica durante seis anos, também marcou presença no Boat Show. “Na raia comecei a remar”, lembrou Amyr, que estudou economia na FEA-USP no fim dos anos 1970.
“Foi nela também que me preparei para atravessar o Atlântico”, acrescentou, referindo-se à jornada de 7 mil quilômetros em solitário a bordo de um pequeno barco, o I.A.T, entre a Namíbia, no sudoeste da África, e a Bahia, num tempo em que ainda não existia gps ou telefonia celular — até hoje, a única travessia a remo do Atlântico Sul.
A responsabilidade social também esteve presente na Raia Olímpica, por meio de uma parceria do São Paulo Boat Show com a CUFA — Central Única das Favelas —, que atende a milhares de famílias carentes. Para atender a quem mais precisa, foi criada uma “vakinha virtual”, que arrecadou mais de R$ 100 mil.
Desde o início da pandemia no Brasil, a organização do São Paulo Boat Show adotou uma série de medidas de prevenção ao Covid-19, tendo em vista os cuidados com a saúde dos visitantes, de seus colaboradores, dos expositores e da comunidade que mora no entorno da Cidade Universidade. “Atuamos em quatro pilares: comunicação, com
promotores informando ao público as medidas de segurança que deveriam ser adotadas e a distribuição de material informativo; distanciamento físico monitorado e limite diário de público rotativo; proteção e detecção de risco, com equipamentos de proteção, uso obrigatório de máscaras e aferição de temperatura corporal; e, por fim, a adoção de medidas de higiene e segurança, com equipe de limpeza especializada, higienização dos estandes e oferecimento de álcool gel em todos os espaços do evento”, enfatiza Thalita Vicentini, diretora geral do evento.
Foi, em síntese, além de muito seguro, um dos mais espetaculares e bonitos salões náuticos já realizados em São Paulo — e um dos mais confortáveis para os visitantes.

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