Rodrigo Pacheco: “Senado não está subjugado ao governo federal”

por The Winners

Rodrigo Pacheco (PSD[1]MG), advogado e presidente do Senado Federal, está no centro da pauta política do país, por suas articulações no comando do Congresso Nacional, na ordem do dia, e pelo seu papel de protagonista na tentativa de resolver crises institucionais decorrentes dos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Judiciário, que obscurecem o processo eleitoral brasileiro. Visto como apaziguador entre os Poderes Executivo e Judiciário, ele refuta o título de aliado de Bolsonaro, diz que o “Senado não está subjulgado ao governo federal”, se considera nem “aliado tampouco opositor” ou “subserviente” e afirma que é figura importante na busca por consensos em detrimento de acirramentos, além de ser vigilante dos preceitos democráticos, no caminho da pacificação entre as instituições. Em tempos de crise econômica agora e pela frente, Pacheco lembra que não é com extremismos que o país sairá da situação em que se encontra. “Não é lacrando nas redes sociais, fazendo discursos intempestivos, gerando instabilidade, e crise onde não tem, que vamos resolver os problemas. Isso não vai levar o Brasil a lugar nenhum”

The Winners Economy&Law – Quem é Rodrigo Pacheco?

Rodrigo Pacheco – Sou formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e me especializei em Direito Penal. Fui o mais jovem conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entre 2013 e 2015, e coordenador, em Minas Gerais, do projeto Eleições Limpas da OAB federal, além de ter exercido outros cargos na Ordem, instituição pela qual tenho um apreço enorme. Também fui membro do Conselho de Criminologia e Política Criminal do Estado de Minas Gerais. Entrei na vida pública, em 2014, ao ser eleito deputado federal e, nesta condição, fui presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, cargo exercido pela primeira vez por um deputado em primeiro mandato. Em 2018, fui eleito senador por Minas, com mais de 3,6 milhões de votos. Assumi a presidência do Senado para o biênio 2021/2022 e, com tamanha responsabilidade advinda do cargo, sou guiado pelos princípios de defesa da República, de defesa da federação, da independência do Parlamento, a defesa da democracia e do Estado de Direito. O que me pauta na condução dos trabalhos no Senado é um comprometimento com projetos que visem o crescimento econômico do país, atrelado à conquistas sociais para os brasileiros, porque o país necessita ser de todos nós, para que os avanços contemplem a todos os brasileiros. Além da constante vigilância e luta pelos preceitos democráticos, pela busca incansável do consenso e conciliação necessária entre as diferentes lideranças das instituições, para conseguirmos pautar as reformas que o país precisa para voltar a prosperar. 

 

TWE&L – O senhor é visto hoje como articulador político e apaziguador. É verdade?

RP – No momento em que nós presenciamos esse ambiente conturbado é que se faz mais necessário manter o diálogo. Sobretudo com objetivo de preservação da democracia, das instituições, do respeito entre os poderes e da busca da pela confiança e do respaldo da sociedade com as instituições. Eu considero importante a busca de consensos para privilegiar o diálogo, em detrimento de acirramentos. É saudável para o pleno funcionamento da democracia que os chefes de poderes conversem entre si. As diferenças fazem parte de um ambiente democrático saudável, mas é preciso sentar-se à mesa para tratar dos problemas reais que nós temos de enfrentar no Brasil e que exigem soluções inteligentes com a união, o diálogo e o trabalho do Congresso Nacional. Esse espírito é o que me norteia na relação com os senadores, com todos os partidos, com o presidente da República, com a Câmara, com os ministros do Supremo e com ministros de outras áreas. O que procuro é defender o Senado dentro desse espírito de pacificação para que tenhamos uma pauta voltada para os interesses da nação.

 

TWE&L – O que o senhor diria para os candidatos que vão travar, certamente, um enorme embate nessas eleições?

RP – Atualmente vivenciamos um momento de enorme preocupação quanto ao futuro da nossa nação. Não há dúvida que estamos atravessando um dos momentos mais difíceis da nossa história. Esse último biênio nacional foi tristemente marcante em razão da pandemia da covid-19. Nós temos desafios enormes que precisam ser enfrentados e solucionados, como a superação da pandemia, a busca pelo crescimento social e econômico associado à preservação ambiental e ao crescimento da oferta de trabalho. Além disso, precisamos melhorar a prestação de serviços públicos na saúde e educação, na produção de energia. E o mais importante, neste momento, o desafio da fome, um flagelo inaceitável que tem castigado a tantos brasileiros. Quem vier a ocupar a cadeira de líder do país tem que ter esses desafios como prioridade, assim como guiar o Brasil rumo à pacificação, com respeito à Constituição e compromisso com a construção de um país mais justo e igualitário.

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