Roberto Justus: Da publicidade ao mercado financeiro, seu conhecimento e trajetória

por The Winners

Paulistano, nascido na capital do Estado mais rico do Brasil, o filho de imigrantes húngaros construiu sua história e um legado no mundo da publicidade brasileira e internacional. Formado em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, deixou os negócios da família para trilhar o próprio caminho em 1981, quando iniciou a carreira no mercado publicitário como sócio de uma agência de propaganda. Foi chairman do Grupo Newcomm, fundado por ele em 1998, e que se transformou em uma das grandes holdings do setorcom o controle das agências Y&R, Grey Brasil, Wunderman, VML e RedFuse, além da empresa Ação Premedia e Tecnologia. Em 2004, iniciou carreira como apresentador do reality show O Aprendiz e criou fama nacional ao selecionar publicamente jovens que tinham o objetivo de aprender nas empresas de seu Grupo. Depois de mais de 30 anos no mercado publicitário, dos quais 16 anos na liderança, Justus se deligou de suas atividades diárias no setor e foi em busca de novos desafios, como lhe é peculiar. Hoje, à frente de novos negócios em setores distintos – entre eles o mercado financeiro –, exerce o papel de estrategista, o que tanto possibilitou o crescimento de suas empresas e de seus clientes.

Nessa entrevista exclusiva, ele aborda não somente a nova fase, mas seu conhecimento sobre o mercado financeiro e o Brasil. Confira!

The Winners – Algumas pessoas se surpreendem com a sua migração para o mercado financeiro. Na verdade, você já atua com algumas empresas financeiras desde 2017. O que mudou na sua vida, na sua carreira, depois de 36 anos bem-sucedidos da publicidade, para você tomar essa decisão?

Roberto Justus – Primeiramente, só pontuando que eu estou não só no mercado financeiro, hoje também participo de vários empreendimentos: são quatro empresas no mercado financeiro, três em tecnologia, uma em construção (que tem a ver com tecnologia), porque entrei como sócio em uma empresa de construção a seco – como steel frame e drywall, coisa que eu não entendo por que não se usa no Brasil. Eu deixei as oportunidades passarem ao longo da minha vida porque acreditava que, focando, eu seria um importante player naquele mercado, e eu não queria desviar meu foco. Vendi minha empresa quando tinha 60 anos e achava que ainda tinha muito para oferecer, principalmente hoje em dia, com a medicina evoluindo, os atuais 60 são os antigos 40, tanto para o homem, quanto para a mulher. Então, a gente ainda tem muito a entregar, a ofertar, e seria – para minha vida – como andar de bicicleta: se você parar de pedalar, vai cair, e eu não quero parar de pedalar, quero pedalar até onde eu puder. Entendi que funcionaria muito mais, e muito melhor, no lado estratégico do que no lado executivo, então não quero mais ser “escravo de agenda”. Eu brinco que o poder está mais na agenda vazia do que na agenda cheia. Hoje, sou o presidente do conselho de todas essas empresas on demand. Se precisar de mim nas reuniões eu vou, se precisar abrir portas, eu abro, se precisar dar conselhos em todas as reuniões de conselho, eu aconselho; estou usando aquilo que falo que é o meu maior patrimônio: a minha credibilidade e a minha experiência. São as duas ferramentas que eu trago para esses negócios. O que me move é continuar construindo, é continuar fazendo, acreditar que eu consigo contribuir em setores em que antes não atuava, porque ficava focado só na publicidade. Agora, posso me dedicar a outros setores e eu gosto dessa coisa de tecnologia, da nova e da velha economia se misturando, e a tecnologia dominando, com gente de talento, uma vez que a tecnologia nunca vai substituir o mais importante: as pessoas. A máquina não tem visão, não tem intuição e não tem poder de decisão, quem tem somos nós. Nós temos que usá-la, e não ela nos usar, é isso que eu sempre falo.

TW – Você é conhecido pela sua alta performance e determinação. Você acredita que esse é o caminho do sucesso?

RJ – Acho que o caminho do sucesso passa por várias etapas e, sem dúvida, a determinação é fundamental. Se você não for uma pessoa resiliente, determinada, que corre atrás dos seus objetivos, que não para no primeiro tropeço, nem no segundo, nem no terceiro, você vai atrás. Claro que você não pode insistir em erros, tem que insistir no que você acha que realmente pode dar certo. Eu não me satisfaço com pouco, mantenho minha régua muito alta – régua de exigência, de montagem de equipe, de atuação, da forma de atuar. Ela está sempre lá em cima. Isso é algo que eu tento passar para as pessoas. Estou fazendo uma mentoria para empresários de alto nível, e tenho me dedicado bastante em sentir as dores deles. Nós fazemos algumas dinâmicas importantes para isso. Sinto o que eles precisam, tento contaminá-los com esse nível de exigência mais alto. Acredito que o padrão do empresário brasileiro, em termos de como ele monta o negócio, como exige que as pessoas façam e trabalhem para ele (seja funcionário, seja fornecedor), não está no nível que deveria estar. Alta performance significa alto nível de exigência, de padrão, de comportamento, padrão de serviços, padrão que a empresa esteja sempre em busca dessa excelência. Precisamos estar em busca do que os outros estão fazendo melhor do que nós. Se já fizemos e conquistamos alguma coisa, não devemos ficar dormindo nesse louro, devemos ir à busca de um novo objetivo e ter muita perseverança para isso. Esse sempre foi meu estilo e deu certo até agora. Espero continuar!

TW – Em sua trajetória como empreendedor, você sempre confiou no cenário brasileiro?

RJ – Fico muito decepcionado com o cenário brasileiro desde que eu sou empresário. Com momentos melhores e momentos piores. Porém eu sempre pensei assim: eu sou brasileiro, nasci no Brasil e vou ter que enfrentar essas intempéries, essas variáveis que eu não posso controlar. O empresário brasileiro se envolveu muito menos nas últimas décadas nos assuntos de governo do que deveria. A gente meio que reage, tenta alguns movimentos, empresários que tentam se movimentar. Fui membro de um conselho em Brasília, na época do presidente Michel Temer, e eu vi nessas reuniões as tentativas dos empresários de se posiciona[1]rem, de tentarem influenciar o governo para andar mais favoravelmente, porque acreditamos na livre- -iniciativa e na economia de mercado. Tentar trazer o Brasil para o “primeiro mundo”, andar nos trilhos corretos, é muito difícil. Mais Brasil, menos Brasília, menos interferência, menos burocracia, um ambiente menos hostil para o empresariado. Deixar o governo cuidar só do que precisa, que na verdade é o social, a segurança pública, a saúde e a educação. Não tem que ter empresa pública, não tinha que ter nada disso. Nos Estados Unidos, quem fornece energia elétrica, telefonia, água e esgoto é a empresa privada. Aquele é o país que a gente tinha que seguir, a forma como ele atua. Eu sou super liberal. O presidente Jair Bolsonaro prometeu uma economia liberal, mas acabou não acontecendo como deveria. O presidente Lula, que deseja se reeleger, tem um histórico muito preocupante para o país. Então, se me perguntarem, eu não me deixo abater. Nem a incompetência somada nesses últimos 50 anos de todos os governantes que nós tivemos, alguns melhores, outros piores, conseguiu destruir o país. O Brasil está aí, ele é um país que tem reservas importantes. Criou-se uma leva de empresários, nas últimas décadas, de uma criatividade ímpar, porque você tem que competir num ambiente onde tudo funciona, como o ambiente europeu, asiático, americano, em que as coisas se encaixam, ao contrário do Brasil, onde – em tudo – sempre se criou dificuldade para se vender facilidade. O estilo brasileiro é muito eclético e muito interessante de avaliar. O Brasil é um país livre, onde você pode ter sucesso se tiver competência e talento. Muita gente provou isso com empresas incríveis.

Confira a entrevista na íntegra em nosso aplicativo ou bancas digitais aqui!

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