Luiz Alberto Rodrigues: a gestão pública como ela deve ser

por The Winners
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Como o visionário Luiz Alberto Rodrigues e a Eicon estão mudando o paradigma dos serviços públicos no Brasil para uma gestão mais inclusiva e colaborativa

 

Natural de Bauru, no interior de São Paulo, Luiz Alberto Rodrigues, fundador e CEO da Eicon, desde sempre alimentou um sentimento de mudança, de inquietude. Sua visão de um serviço público de mais qualidade o levou a ingressar ainda muito jovem na prefeitura de São Bernardo do Campo. Lá estudou Administração de Empresas e Contabilidade e conheceu profundamente a máquina pública. Depois de anos de dedicação a São Bernardo, fundou a Eicon em 1984. No início, atuando apenas com consultoria empresarial, mas em 1989, começou a atuar na área tributária, com sistemas orçamentários, fiscais e tributários, de recursos humanos, de patrimônio, de gestão de contratos, entre outros. A partir daí seus outros sonhos foram se materializando. Participou da equipe que criou a primeira nota fiscal eletrônica do País, chegando hoje a desenvolver soluções de tecnologia de ponta para a gestão da saúde, educação e administrativo. Hoje a Eicon está presente em mais de 60 municípios brasileiros com um portfólio de produtos pensado para facilitar o dia a dia do gestor público e contribuir para a melhoria da qualidade de vida do cidadão.

 

The Winners Economy & Law – Este ano a Eicon completou 37 anos de atuação, como começou essa história de sucesso?

Luiz Alberto Rodrigues – Esse caminho se originou bem antes da fundação da Eicon. Eu iniciei minha trajetória no setor público quando tinha 15 anos, como aprendiz na Secretaria de Finanças de São Bernardo do Campo. Desde muito jovem comecei a aprender como funcionava a máquina pública. Após alguns anos, prestei concurso para a mesma secretaria e fui aprovado.

 

TWE&L – E como veio o start para fundar a empresa, já que até então você tinha uma carreira segura como concursado?

LAR Eu sempre tive essa inquietação de querer ajudar a transformar a vida das pessoas, nunca me conformei com a má qualidade do serviço público entregue para a população. Como fiscal eu via que a forma como a administração fazia a gestão e a fiscalização dos processos fiscais e tributários era completamente ineficiente e suscetível a erros e irregularidades. E percebi também que não conseguiria mudar esse cenário de dentro para fora, então comecei a Eicon como uma consultoria tributária para as prefeituras, ajudando as administrações a preparar o terreno para a grande modernização que viria em breve, quando criei a plataforma GissOnline, que até hoje é referência e a mais reconhecida ferramenta de gestão tributária pública do Brasil.

 

TWE&L – Por que a GissOnine foi tão importante?

LAR – A GissOnline não só foi, como ainda é extremamente necessária, já que a arrecadação fiscal é fundamental para qualquer administração. A Giss não mudou apenas a história da Eicon, mas inaugurou um novo momento da gestão tributária pública. A inovação da GissOnline foi trazer para dentro da administração o controle de todo o processo de arrecadação, de forma transparente e impessoal, ou seja, ela foi a minha resposta para resolver o problema que eu tinha identificado lá atrás, como fiscal em São Bernardo. Ela dá ao gestor o poder e o conhecimento sobre cada aspecto da realidade tributária do município.

 

TWE&L – É o que conhecemos como inteligência tributária?

LAR – Sim. A inteligência tributária não é boa apenas para o gestor público, mas para todos, inclusive empresários. Com mais recursos, o município pode investir mais em infraestrutura, e até mesmo concedendo incentivos para determinados setores, atraindo ainda mais negócios. Muitas soluções tecnológicas foram criadas para facilitar a vida do empresário, mas ainda tem muito a ser feito. A modernização passa por esse processo. A gestão e a inteligência tributária são a base da Justiça Fiscal, que resulta em Justiça Social.

 

TWE&L – Você falou em modernização da gestão, como isso funciona?

LAR – Primeiro, precisamos pontuar que modernizar não é apenas digitalizar papéis e jogar tudo na internet. Modernização não é tecnologia. A tecnologia é o meio para se construir a modernização. A verdadeira modernização é feita com mudança de conceitos, transformando todos os serviços públicos em processos eficientes, mensuráveis e impessoais. A partir disso, posso dizer que as soluções de gestão trazem uma visão do todo para a administração pública, onde é possível monitorar, conhecer e principalmente se comunicar com o cidadão. A constante modernização traz para o setor público princípios que antes só estavam presentes no setor privado, como produtividade, controle, modernização, responsabilização, meritocracia e impessoalidade.

 

TWE&L – Existe uma resistência do setor privado em atuar com o poder público e vocês caminham na mão inversa, provando que é possível atuar de forma inovadora e agregadora com a gestão pública. Como é este processo dentro da empresa?

LAR – É um processo muito natural. Os colaboradores da Eicon carregam e aplicam na prática os valores da marca, como respeito e o sentimento de cuidar de gente, e compartilham da inquietação de transformar a vida das pessoas. Como qualquer empresa de tecnologia de ponta, pensamos em inovação 24 horas por dia, mas com o diferencial de termos como objetivo não só o desenvolvimento da tecnologia, por si só. Pensamos em soluções que melhoram a vida das pessoas para que elas possam exercer sua cidadania de forma plena. Costumo dizer que todo eicônico, como chamamos nossos colaboradores, acorda com uma pergunta para ser respondida durante sua jornada de trabalho: como vou contribuir para melhorar a vida das pessoas hoje?

 

TWE&L – Estamos em um momento de muitas mudanças com a pandemia do Coronavírus, você acha que isso atrapalhou o processo de modernização do Estado?

LAR – Muito pelo contrário. Já vínhamos em um processo de crescimento e a pandemia o acelerou ainda mais. O home office obrigatório de servidores públicos obrigou as gestões a digitalizar processos que até então eram realizados de forma presencial. Nos últimos anos, o Brasil avançou a passos largos em modernização da arrecadação, com nota fiscal eletrônica, entrega de imposto de renda por computador e depois app e etc. O que vimos nesse último ano foi um grande aumento em soluções diversas, como telemedicina, aulas remotas, emissão de documentos online e muitas outras. Com isso, as ferramentas digitais se tornaram ainda mais imprescindíveis, é um caminho sem retorno.

 

TWE&L – A pandemia também trouxe incertezas, onde muitos municípios estão em déficit. Como a modernização da gestão pode colaborar nessa recuperação?

LAR – Além de fazer a gestão tributária, como a GissOnline faz e falamos aqui, um caminho é fazer a gestão das dívidas. Como muitas pessoas e empresas não estão conseguindo arcar com seus impostos, por exemplo, devido a perda ou diminuição de sua renda ou pelas restrições aos negócios, necessárias para o controle da pandemia, há plataformas como a CED, que faz a gestão dessas dívidas e realiza cobranças amigáveis na esfera administrativa, antes de se tornarem judiciais, aumentando a arrecadação e reduzindo a inadimplência, por meio do relacionamento com os contribuintes. Há também soluções como Giex, que auxilia e agiliza a cobrança judicial. Hoje os municípios têm à disposição um amplo portfólfio para auxiliá-los nessa recuperação de créditos.

 

TWE&L – A taxa de mortalidade das empresas no Brasil é uma das maiores do mundo, de que forma a tecnologia pode contribuir para mitigar esse cenário?

LAR – Temos um ambiente governamental hostil ao empreendedor. O aspirante a empresário não tem apoio algum na hora de abrir um negócio no Brasil. Apesar do avanço da desburocratização, o cenário ainda é desfavorável ao empreendedor. As administrações públicas têm o papel de oferecer as condições necessárias para que os negócios se desenvolvam e a economia cresça, e para isso, hoje existem ferramentas em que é possível traçar o planejamento econômico não só dos municípios, mas também dos empreendimentos. O iCadOnline, presente em nosso portfólio, por exemplo, usa inteligência artificial para elaborar estratégias de viabilidade econômica e comercial para futuros empreendedores, de acordo com as oportunidades oferecidas pelos municípios. É uma verdadeira consultoria empresarial ao alcance de qualquer empreendedor da cidade que disponibiliza o serviço. Para o município, ele faz a gestão de aberturas e fechamentos de negócios, enquadramentos tributários e de zoneamento, e muito mais. É fato, que as gestões que investem em ferramentas que tornam o ambiente mais amigável para o empreendedor conseguem atrair novas empresas, mais investimentos e negócios para o município, para a região, resultando em mais emprego e renda.

TWE&L – Além da área tributária, a Eicon atua também nos setores social e administrativo da gestão pública. Como essas ferramentas conseguem atender as necessidades da população, que muitas vezes não tem acesso à informação e ao mundo digital?

LAR – Sempre partimos do princípio de que nossas plataformas precisam, antes de qualquer coisa, serem colaborativas e inclusivas. Desde a concepção, ou seja, a primeira ideia, até a implantação da ferramenta, temos como objetivo facilitar a vida do cidadão, de qualquer classe social e nível de instrução. Hoje, mais de 82% da população brasileira já tem acesso à Internet, a maioria por meio de smartphones, mas sabemos que estar online não significa que essas pessoas sejam usuários capacitados, a maioria não é. Nossa proposta é desenvolver soluções que alcancem a todos. Todas as nossas plataformas convergem para que a experiência do usuário seja simples e eficiente. Na outra ponta, nossas soluções são completas, modulares e flexíveis para entregar ao gestor público monitoramento, conhecimento e resultados, sempre de forma colaborativa e inclusiva com a sociedade.

 

TWE&L – Uma das ferramentas sociais desenvolvidas por vocês é a plataforma Gier, voltada para educação. Como essas soluções tecnológicas podem contribuir para melhorar a educação pública?

LAR – A educação sempre foi um tema que me atraiu muito, principalmente porque eu acredito que a escola, além de instruir, é a grande formadora do cidadão. O objetivo do Gier é levar parte do que hoje está presente na educação privada para a escola pública. É dar a oportunidade para o pai saber se o filho está na sala de aula; qual será o cardápio da merenda naquela semana; receber uma mensagem da escola avisando que o filho vai ter prova em tal dia, para que ele o incentive a estudar; entre muitas outras formas de interação. A missão do Gier é reduzir o abismo entre a escola privada, onde o pai é informado constantemente do que acontece com o filho, e a pública, onde dificilmente ele tem esse contato, tornando-a um lugar mais humanizado, onde professores, pais e alunos possam conviver de forma integrada, promovendo a união de toda a comunidade escolar.

TWE&L – Em momento de crise sanitária como a enfrentada com a Covid-19, soluções para a saúde pública podem ajudar de que forma?

LAR – A saúde é, sem dúvida, a porta de entrada do cidadão no sistema público e um dos grandes desafios para qualquer administração. A pandemia da Covid-19 jogou ainda mais luz sobre o tema, trazendo para o debate não só a questão do investimento direto, mas também a qualidade e a eficiência da gestão de todo o sistema. Ferramentas como a plataforma Siss Saúde permitem a padronização de processos, a organização e o monitoramento para que o gestor tenha acesso a informações completas e confiáveis para balizar sua tomada de decisão. Além disso, o Siss Saúde garante plena comunicação com o cidadão, promovendo um atendimento mais eficiente, humanizado, integrado e inclusivo, oferecendo ferramentas como teleconsulta, agendamentos de consultas e exames e para vacinação contra Covid-19, avaliação do atendimento recebido, entre outros. É um verdadeiro salto de eficiência da gestão e de bem-estar para o cidadão.

 

TWE&L – No Brasil, ainda temos uma deficiência com a unificação de cadastros individuais. Como você avalia este cenário?

LAR – A fragmentação cadastral é uma realidade brasileira e está presente em todos os níveis de governo. Na grande maioria dos municípios, por exemplo, um cidadão pode fazer um cadastro diferente para cada serviço que utiliza. Desta forma, cria-se um emaranhado de dados que impossibilita a visão sistêmica das cidades. O cadastro unificado é o primeiro passo para uma cidade contar com dados confiáveis sobre sua população. Uma de nossas ferramentas, a Pruc, permite exatamente essa “higenização” e o cruzamento de dados e informações de forma que, ao informar um número de documento no posto de saúde, por exemplo, o cadastro único do cidadão, que pode ter sido criado quando ele precisou de uma certidão de obra, é apresentado de forma online.

 

TWE&L – É possível ter esse nível de integração de sistemas no Brasil?

LAR – Mesmo em um país de dimensões continentais, como o Brasil, com realidades tão distintas, é possível unificar informações e integrá-las. Isso é fundamental para uma eficiente gestão fiscal, social e política, já que concentra dados básicos como quem é, o que possui, o que deve, quais serviços consome e com quais instituições aquele cidadão se relaciona.

 

TWE&L – Vocês também possuem uma solução que aproxima o governo dos cidadãos na questão da solicitação de tarefas administrativas e agiliza a solicitação de serviços, como o controle de obras da construção civil. Poderia falar um pouco dela?

LAR – Essa solução é o Acto. Em outras palavras, a proposta da ferramenta é fazer com que o cidadão saia de casa o menos possível para resolver problemas burocráticos. Com isso, ele ganha em tempo e dinheiro, já que não precisa se deslocar e imprimir papéis, por exemplo, e a administração ganha em economia de recursos, transparência e agilidade. O Acto agiliza e garante eficiência na prestação de serviços e no gerenciamento de processos e rotinas de atividades. Ele registra, organiza e distribui solicitações, estabelece prazos, prioridades e executores. Uma curiosidade, um recente levantamento feito por nós em quatro municípios que utilizam o Acto – Santo André, Olímpia, Rio Claro e Suzano – apontou que o uso da plataforma gerou uma economia de R$ 24,4 milhões para as prefeituras e R$ 8,8 milhões para os cidadãos. Além disso, mais de 9 milhões de folhas de papel deixaram de ser usadas, o que impediu a derrubada de 919 árvores e a economia de 9 milhões de litros de água que seriam necessários para a fabricação de papel, entre outros números.

TWE&L – De uma forma geral, como você vê o futuro da modernização da gestão pública? O que vem depois?

LAR – Sou um entusiasta tanto da tecnologia, quanto do serviço público, e acredito firmemente que no estágio em que estamos no mundo, a modernização deixou de ser uma opção para ser uma obrigação dos governos. O próximo passo é o que já estamos dando na Eicon: buscar uma gestão inclusiva e colaborativa. Todos os nossos esforços estão voltados à facilidade e experiência do cidadão no acesso aos serviços públicos. Hoje, posso te falar seguramente que nenhuma administração pública no Brasil tem seus processos digitais acessível às pessoas das classes C, D e E. Os portais de prefeituras existentes hoje são basicamente de propaganda da gestão e divididos em secretarias, onde tudo fica escondido e há grande dificuldade de se encontrar os serviços, quando eles existem. O que estamos propondo no momento é que as gestões repensem suas ferramentas, sua disponibilidade de serviços. Hoje conseguimos colocar tudo o que a população consome de serviços públicos a dois cliques de distância, de forma integrada, inclusiva e colaborativa, agrupadas por tipo de serviços e não mais por secretarias. Tudo na palma da mão do cidadão.

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