Frédéric Drouin: CEO da Jaguar Land Rover para América Latina

por The Winners
0 comentário

A Jaguar Land Rover é a maior fabricante de automóveis do Reino Unido e possui duas marcas icônicas da indústria automotiva mundial.

A Jaguar, com mais de 80 anos de história, é a marca premium que mais cresce no Brasil e agora conta com uma nova geração completa de produtos composta por veículos esportivos, sedãs e SUVs e a Land Rover, que, desde 1948, é referência mundial em veículos todo terreno.

Controlada pelo grupo indiano Tata Motors, a companhia conta com cerca de 42 mil colaboradores em todo o mundo e comercializa seus produtos em 130 países. A produção de veículos é centralizada no Reino Unido, com plantas adicionais na China, na Índia, na Eslováquia e no Brasil, localizada em Itatiaia, Rio de Janeiro.

A partir de 2020, todo novo veículo da Jaguar Land Rover será eletrificado, oferecendo aos consumidores ainda mais opções. Serão introduzidos veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in, complementando a gama de modelos atuais equipados com os motores Ingenium diesel e gasolina.

Presente há mais de 25 anos no país, a Jaguar Land Rover conta com 40 concessionários no Brasil.

Nesta entrevista exclusiva, o franco-suíço Frédéric Drouin fala sobre esse novo momento da empresa, fase que promete ainda mais conexão com os consumidores brasileiros. Fluente na língua portuguesa e com mais de 30 anos de experiência no setor automotivo, Drouin é o atual CEO da Jaguar Land Rover para América Latina e revela sua visão pessoal acerca das principais questões econômicas do país. Confira!

Frédéric Drouin

The Winners – Como o senhor avalia os últimos anos no Brasil tendo em vista a crise econômica que vivemos e de que forma avalia esse momento de certo otimismo?

Frédéric Drouin – Pessoalmente, eu já convivi 22 anos no Brasil ao longo de três diferentes passagens. Posso dizer que tenho uma história com o país. Mesmo eu sendo um estrangeiro, já tenho certo conhecimento da história do Brasil e da sua economia.

Portanto, eu diria que hoje, pela primeira vez em duas décadas, o país tem uma equipe econômica com uma agenda que visa reorganizar as contas públicas e colocar a nação nos trilhos do crescimento, tudo isso por meio de uma agenda liberal.

Obviamente, é perceptível que o livre-comércio e a busca pela eficiência do estado são elementos que fazem com que um país possa realmente se desenvolver, consequentemente, a economia e as pessoas acabam sendo beneficiadas.

 

TW – Neste sentido, qual o papel do estado na construção de uma sociedade economicamente sustentável?

FD – Como falei, veja que os chamados países desenvolvidos são todos adeptos do livre-comércio e de um estado eficiente que se ocupa mais de questões como segurança, saúde, educação e infraestrutura. Isso só é possível quando a economia está em ordem. O estado tem que gerar condições para o desenvolvimento.

No geral, se olharmos países como a Suíça e a França do ponto de vista econômico, podemos perceber que no fim o caminho é o investimento em processos de desburocratização e no incentivo ao aumento da produtividade, o que gera frutos para a economia como um todo, para os empresários que vão criar mais empregos e, claro, para a população que conquista renda e melhores condições de vida.

Esse é um momento crucial para que a equipe econômica possa fazer todas as reformas cogitadas com o intuito de alavancar o país.

O Brasil tem muitos recursos naturais, matéria-prima, fontes energéticas, além de profissionais com uma mentalidade ligada a economia moderna de atuação em rede, e essa dinâmica cabe bem no estilo dos brasileiros.

Acredito então que o Brasil tende a se projetar mais na economia do futuro.

 

TW – O senhor poderia selecionar uma empresa brasileira que tenha lhe servido de inspiração nesses 22 anos, isso do ponto de vista da inovação, gestão ou que tenha conhecido mais de perto?

FD – Tenho vários bons exemplos de empresas brasileiras de sucesso, mas gosto de citar a EMBRAER como um case que é 100% brasileiro. Destaco que ela é uma empresa do setor industrial, em um segmento altamente competitivo, mas que sempre conseguiu ocupar uma posição estratégica no mercado mundial ao construir aviões mais leves e que proporcionam economia de combustível.

O sucesso da Embraer não aconteceu por acaso, veja que ela representa o Brasil em um setor complexo e de alta tecnologia. Mas temos outros exemplos de sucesso, eu diria que todo o setor de negócios simboliza uma capacidade de competição fantástica se compararmos com todos os outros países.

Outro exemplo são as diversas empresas familiares que com um plano de sucessão eficiente conseguiram se manter em alta, como é o caso da Casas Bahia de Michael Klein. Eles possuem uma história muito interessante. Avalio que o varejo, no geral, é um setor muito difícil e, por isso, desafiador.

No setor automotivo, destaco que nossos distribuidores e concessionários conseguiram suportar a crise e foram responsáveis por comercializar centenas de veículos de nossas marcas. Isso por meio de muito trabalho e dedicação. 

TW – O mercado de luxo ainda é extremamente pequeno no Brasil, algo que gira em torno de 2 a 3%. Por qual motivo?

FD – Temos três fatores nesse caso, obviamente mesmo para a população que tem um poder aquisitivo maior, a carga tributária acaba inibindo essa compra. Mesmo aquele que tem recursos acaba enxergando o produto como uma aquisição cara.

Em segundo lugar, temos a questão da violência que durante muito tempo inibiu a compra de um carro de luxo. Infelizmente, agora o problema da violência atinge todos os grupos sociais.

Em terceiro, a capilaridade da rede de distribuição não alcança todos os interessados em adquirir um produto deste tipo. Temos muitas cidades com uma população interessada em comprar um carro premium, mas não tem acesso a uma concessionária.

É complexo, pois as pessoas precisam de um atendimento físico, não podemos pensar em vendas pela internet por exemplo. Quando se compra um objeto de R$ 300 mil você quer um atendimento exclusivo e um contato com a empresa e com a marca.

 

TW – Para os próximos anos, qual a expectativa da empresa em relação a lançamentos e investimentos?

FD – Continuamos a lançar muitos produtos, estamos com um ritmo frenético de um novo modelo há cada seis meses. Por exemplo, estamos lançando o Novo Evoque, o Jaguar I-PACE com motor V8, o novo Jaguar XE e o Discovery Sport, enfim são muitos produtos com foco em 2020.

Em nossa área, a atualização tecnológica e a modernidade são peças-chave e fundamentais para crescer, vender e se manter no mercado.

 

TW – Quais das suas características pessoais foram um diferencial ao longo dos anos e impactaram sua carreira no país?

FD – Acredito que flexibilidade e agilidade ajudam em um mercado que nunca está estável, aqui de um dia para o outro tudo muda. Ter velocidade é a capacidade de entender as mudanças.

Aqui também se trabalha muito em rede de relacionamento, então é preciso ter sempre um caráter positivo em suas ações e uma alegria mesmo diante das dificuldades. Essa atitude ajudar os profissionais a enxergarem as oportunidades por trás de cada crise.

Aqui se aprende a lidar melhor com os problemas.

 

TW – Se o senhor pudesse escolher um destino no Brasil para um consumidor Jaguar e Land Rover aproveitar ao máximo sua aquisição, qual seria?

FD – Em 2017, quando lançamos o Novo Discovery, tivemos uma experiência fantástica em Alter do Chão, em Santarém. Nossa expedição percorreu 160 quilômetros na floresta amazônica e não poderíamos ter outra experiência tão incrível com os veículos.

 

TW – Por fim, quais as características do consumidor da marca no Brasil?

FD – São todas pessoas realizadas, são pessoas que tem sucesso na vida, seja empresarial, artístico ou esportivo. Eles conseguiram vencer e tem uma história de vida interessante para contar, são exigentes e querem um produto de qualidade e obviamente de luxo.

Nossos clientes avaliam que o valor de revenda é mais importante que o preço de compra, querem ter a confiança que será um investimento que irá preservar o valor do bem com o tempo.

Temos exemplos, como é o caso do Defender, que se encontra no mercado de usados hoje com o preço similar ou até maior que quando foi comprado há 10 ou 15 anos atrás. É impressionante!

Quando falamos de marcas que são icônicas, podemos dizer que em todo lugar do mundo as pessoas têm uma paixão muito forte pelos carros da Jaguar e Land Rover, principalmente no Brasil.

Trabalhar com essas marcas em um país como o Brasil é uma experiência fantástica, você acaba compartilhando a história de vida de pessoas que realmente são apaixonadas pelos produtos. Independente da acessibilidade e do poder aquisitivo para comprar um carro de luxo, existe muita paixão pelas marcas.

Queremos então entregar essa emoção. A Land Rover, por exemplo, foi lançada em abril de 1948 e os primeiros carros chegaram ao Brasil em novembro em 1948, ou seja, o país foi um dos primeiros exportadores da marca. Chegamos a encontrar dois desses carros ainda em uso.

Uma das experiências mais impactantes da minha vida foi ter andado com um desses proprietários em uma Land Rover de 70 anos pelas ruas da cidade de São Paulo.

You may also like

Deixe um Comentário