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Wilson Simoninha – as faces de um grande artista

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Músico, intérprete, compositor, produtor e diretor musical, Wilson Simoninha sempre esteve acompanhado pela música. Filho de um dos maiores artistas de nosso país, ele traz em sua bagagem uma vida de experiência musical. Wilson Simoninha transforma qualquer lugar por onde passa em uma verdadeira festa. Sua trajetória de sucesso inclui várias turnês internacionais por EUA, Europa e Ásia. Um artista diferenciado, que traz a música em sua alma, tendo-a como sua missão de vida. Reconhecido como um dos grandes produtores musicais do país, seu trabalho está inserido em projetos de destaque. À frente da produtora musical S de Samba, em sociedade com Jair Oliveira, criou grandes sucessos do universo publicitário, como Mostra tua Força, Brasil (Itaú) e Vem pra Rua (Fiat). A produtora sempre é premiada em festivais importantes, a exemplo de Cannes (2019), onde ganhou mais dois Leões de Bronze e um de Prata e segue como referência. O legado de sua família faz parte da história musical do Brasil, motiva suas criações e oferece ao público obras de qualidade. A família coleciona prêmios. Ao lado de seu irmão, Max de Castro, ganhou dois prêmios por melhor trilha sonora para o filme Simonal, que conta a história do seu pai e de sua família: um Kikito (2018), no festival de Gramado, e o troféu Grande Otelo (2020), no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Um dos grandes sucessos de sua carreira foi o espetacular álbum “O Baile do Simonal”, lançado em 2009. Além de uma homenagem ao pai – Wilson Simonal –, relembra grandes sucessos dos anos 1960 e começo de 1970. O espetáculo recebeu uma nova roupagem em 2019, com a participação de Jorge Ben Jor, Maria Rita, Kell Smith e Mano Brown. E os talentos desse artista, considerado um dos mais completos do país, ultrapassam o que a maioria conhece de sua história. Ele é um entusiasta do acesso à educação por meio da música e acredita que esse é o caminho para a construção de um futuro para crianças e jovens menos favorecidos no Brasil. Pensando dessa forma, fez uma parceria com o Instituto Baccarelli para incentivar a formação musical e novos talentos na comunidade de Heliópolis, em São Paulo. Um homem que acredita no valor das relações pessoais para o desenvolvimento e crescimento da sociedade. Ele entende que a parceria com sua família, amigos e, principalmente, com seus filhos, é o que faz a diferença. Ao lado dos filhos, Tom Simonal e Gabriel Simonal, declara calorosamente: “a minha melhor parceria é com os meus filhos”. Com eles, aproveita os momentos de descanso para esportes, viagens e boa comida. Deseja curtir bons momentos, pois acredita que a vida deve ser alegre. De sorriso largo, carisma e muito talento, Wilson Simoninha produziu as grandes obras musicais da última década no Brasil: das músicas aos espetáculos, o que se viu de melhor teve sua assinatura. Atende a vários gêneros, é respeitado e se destaca no universo artístico e musical brasileiro. Conheça um pouco mais de Wilson Simoninha.

The Winners – A música é uma herança de sua família. Você sempre soube que esse seria seu trabalho ou chegou a pensar em atuar em outra área em algum momento? Como foi essa descoberta de amor à música?

Wilson Simoninha – A música para mim é uma missão, é algo sagrado. Lembro-me muito bem de um dia em que, aos 6 anos de idade, eu estava no ônibus escolar e batuquei pela primeira vez. Foi nessa época que descobri a minha vocação para cantar e para ritmo. Essa descoberta fez a cabeça de uma criança inocente ter a certeza de que era isso o que queria fazer por toda a vida. No entanto, devido a alguns acontecimentos e problemas que o meu pai enfrentou, eu acabei prestando vestibular para cursar Direito e, depois, também tive muito interesse por Propaganda e Marketing, mas não segui nenhum dos cursos. Porém, de certa forma, a publicidade foi uma carreira que acabei desenvolvendo junto com a de artista, por conta da minha produtora de som, a S de Samba. Esse também é um lugar em que aprendi a desenvolver a criatividade para o universo publicitário.

TW – Você e seu irmão, Max de Castro, foram premiados com um Kikito pela trilha sonora do filme Simonal, que conta a história de seu pai, Wilson Simonal. Como foi para você ajudar a contar essa história?

WS – Primeiramente, é uma honra ganhar um Kikito. E na sequência ganhamos também o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. São dois dos maiores prêmios do audiovisual de nosso país, e eles só reforçam a grandeza da obra Simonal e do trabalho que desenvolvemos de uma forma tão bonita. É sempre difícil – e ao mesmo tempo emocionante – participar desse tipo de projeto e poder contar histórias. Mas acho que aprendemos a separar as coisas. Participamos de vários processos. Além do longa, Simonal ganhou um musical prestigiado, superelogiado e foi muito bacana. Houve também a biografia e, inclusive, uma delas ganhou o principal prêmio da literatura brasileira, o Jabuti. Houve um documentário lançado em 2009, dirigido por Cláudio Manoel, Calvito Leal e Michael Langer, que também foi um marco e levou muita gente aos cinemas. A nossa família lida com essa história há muito tempo e é sempre emocionante participar desses projetos, que nos tocam. Com relação ao filme – e não somente a ele, mas também nas outras adaptações da vida da nossa família –, foi sempre valiosa a atenção que deram para a minha mãe. O meu pai foi um artista e até hoje é muito conhecido. A história dele sempre é contada, mas a minha mãe também teve (e tem) um papel muito importante e fundamental nessa trajetória. Todos nós temos muito orgulho desses prêmios que foram conquistados até hoje.

TW – Desenvolver muitos projetos ao mesmo tempo é sua marca registrada, como a direção musical das tardes de domingo da Globo, a sociedade na produtora S de Samba e a parceria com o Instituto Baccarelli. De onde surgem tantas ideias? Como você consegue se dividir em tantos papéis?

WS – É algo natural. Acho que sempre tive essa aptidão. Não sei se é uma coisa da minha geração, mas, obviamente, eu tive de aprender a lidar com uma agenda multitarefas. Também é fundamental trabalhar em equipe e saber gerenciar essas pessoas. Acredito que esse é o grande aprendizado. Mas ressalto que não faço nada absolutamente sozinho. Há um time trabalhando sempre ao meu lado, e quanto melhor você gerencia sua equipe, melhores serão os resultados. Gosto muito de participar de todos os processos e projetos e acho que sozinho não teria como conseguir realizar tudo. A minha equipe é muito bacana, é responsável por uma boa parte do sucesso e dos bons resultados em várias frentes e em várias atividades. Além disso, ter disciplina é essencial. Tenho como fundamento básico que é preciso dar o melhor de si ao entrar em um projeto. Porém, ao mesmo tempo é necessário aprender a ligar e a desligar no momento certo, cuidar do corpo, da mente, da família e dos relacionamentos com os bons amigos. Essa é a minha fórmula para lidar de maneira assertiva e produtiva com essa grande e diversa quantidade de tarefas. Por exemplo, num dia estou resolvendo um assunto de uma grande campanha publicitária, aí saio e já vou lidar com questões importantes que envolvem o “Show dos Famosos” e, em seguida, assumo o palco em uma grande apresentação com orquestra sinfônica. Para uma agenda como essa, além do trabalho em equipe, a disciplina é imprescindível.

Patricia Simonal, Simonal, Max de Castro e Simoninha

TW – Quais outros trabalhos seus para o cinema você destaca? Há algum projeto que você sonha em fazer para o cinema e ainda não conseguiu tirar do papel?

WS – Eu tenho muita vontade de atuar como produtor executivo em alguns projetos para o cinema. Existem dois específicos que já estão no papel para serem realizados. O primeiro é fazer um show-documentário com uma apresentação icônica do Simonal no Maracanãzinho em 1969. Tenho o material necessário (e incrível) para essa produção e adoraria contar a história de um show icônico e que mudou a música popular brasileira, porque essa apresentação realmente foi um divisor de águas. Tudo o que vemos hoje de grandes espetáculos e shows brasileiros estão relacionadas a esse show do Simonal no Maracanãzinho, por isso eu gostaria de lançá-lo. O segundo projeto é uma série de ficção ligada à música. Estou desenvolvendo e gostaria muito de consolidá-la. A história busca elementos da realidade, mas é de ficção. Nós vivemos no Brasil, um país tão musical e com pouquíssimas séries de música. Mas as possibilidades são infinitas, por isso tenho esse projeto em mente e estou certo de que em algum momento da minha vida eu vou conseguir realizar esse sonho.

TW – A produtora de áudio S de Samba, que é uma sociedade sua com Jair Oliveira, já assinou singles memoráveis, como Mostra a tua Força, Brasil (Itaú) e Vem pra Rua (Fiat), que inclusive extrapolaram o mundo da publicidade e viraram trilhas sonoras de eventos esportivos e políticos no país. Qual a importância da produção de som na publicidade brasileira? Os jingles continuam sendo tão relevantes como eram na era do rádio?

WS – A música tem um papel fundamental na comunicação e na publicidade. Um bom exemplo é o Mostra tua Força, Brasil. Na época nós tínhamos a Copa do Mundo e as Olimpíadas em vista e, com isso, a esperança de um país melhor acontecendo. Essa música, em conjunto com as imagens utilizadas na campanha, fez tudo ficar muito forte e ajudou a contar uma história. Mas a música pode ser carregada para além das telas da televisão, do computador ou do celular. A música é carregada no imaginário, no coração, mexe com o nosso corpo, com emoções e sensações que algumas vezes nem conseguimos explicar. E esse é um exemplo muito bom, pois a campanha foi construída envolvendo métodos da agência, dos criadores, de muitas outras pessoas, e a música teve um papel fundamental para ajudar a criar uma imagem positiva para o Banco Itaú e de esperança para o Brasil. E acabou indo além. Na época eu fui a Fortaleza para assistir à partida Brasil x Colômbia e, antes do jogo, entrei em um restaurante famoso na região, daí algumas pessoas começaram a cantar a música para mim. Isso foi muito emocionante, porque é em um momento como esse que você sente que a canção foi feita para um momento em que a felicidade extrapola. Ela realmente tocou o coração das pessoas. Com relação aos jingles, obviamente eles ainda possuem espaço na comunicação, no entanto, esse espaço foi reduzido. A música tem um poder muito forte, mas o jingle tradicional, feito para produtos, com brincadeiras, eles são válidos para algumas situações. Acredito, porém, que estamos em um momento em que isso precisa ser reinventado. Talvez algumas outras novas formas de comunicação tenham diminuído a força que os jingles já tiveram na nossa história. Também gostaria de ressaltar a minha parceria com o Jair de Oliveira. Nossa história já é muito longa, e sem ele, sem a nossa química, ambos não teríamos conseguido tudo o que conquistamos até hoje. Nossa relação é muito importante, temos muita confiança um no outro. Sem contar que ter um sócio genial e que te puxa para cima o tempo todo é fenomenal.

Festival de Gramado 2018 Simoninha, Max de Castro, Fabricio Boliveira, Leonardo Domingues ( diretor do “ Simonal o Filme”), Caco Cioler

TW – Durante a pandemia, você adiou a gravação de um disco inédito e lançou o projeto “Na minha quarentena eu canto assim”. Qual foi o objetivo desse trabalho e quais desafios você enfrentou?

WS – Exatamente. Em função da pandemia, eu tive de adiar um disco que iria gravar em Los Angeles, na Califórnia. Esse era o meu sonho. Já gravei antes na Califórnia, mas nunca um disco inteiro. Então eu estava planejando esse projeto e, de repente, tudo mudou na vida de todas as pessoas. A minha quarentena ocorreu de uma maneira muito orgânica e verdadeira. Logo nos primeiros dias, gravei conteúdo com o celular mesmo, pois não levei equipamentos para casa. Gravei imagens e o som da minha voz no celular, enquanto um amigo gravou o violão da casa dele. Juntamos o material para fazer música. Acho que isso foi importante para tocar o coração de muita gente e espero muito que o nosso conteúdo tenha ajudado as pessoas a enfrentarem aquele momento de alguma forma. O trabalho começou de uma maneira muito simples e foi evoluindo com os meses, mas a ideia foi sempre manter uma coisa mais simples e “crua”, para ser um registro verdadeiro dessa época pela qual passamos. Sinceramente, espero ter contribuído para a vida das pessoas, levando um pouco de alegria e esperança por meio da música.

TW – Este ano você lançou mais um projeto em parceria com Jair Oliveira, a plataforma de licenciamento de melodias para a sonorização de vídeos Marshmelody. A ideia surgiu da demanda do mercado? Quais são as metas da startup?

WS – A Mashmelody surgiu no começo da pandemia em um formato para poder agregar em uma plataforma músicos e produtores geniais que, da noite para o dia, perderam os seus rendimentos, pararam de trabalhar, de se apresentar. Tivemos a ideia de usar essa capacidade deles de produção para montar uma plataforma de stock music, que é música com royalty free. Diante da demanda existente em nível mundial, com um mercado bastante aquecido, desenvolvemos uma plataforma global sediada nos EUA e com outros parceiros importantes envolvidos. Acho que a Marshmelody é um recomeço e também um ponto de partida para iniciarmos vários outros projetos. Estamos no início, porém desde já muito contentes com os resultados. As assinaturas têm aumentado cada vez mais, as pessoas estão conhecendo e, claro, a cada dia estamos trabalhando para aprimorar a plataforma. Nós temos um diferencial e estamos procurando cada vez mais deixar essa questão visível para o público para de fato nos consolidarmos no mundo todo como uma plataforma relevante de música e produção de conteúdo.

TW – Em 2016 você assumiu a direção musical do Domingão do Faustão. No novo Domingão com Huck, você segue na produção musical do “Show dos Famosos 2021”. É muito diferente fazer um trabalho para um público tão grande como esse? Como você rebate o velho (e ultrapassado) preconceito de que o que é popular é ruim?

WS – Em primeiro lugar, gostaria de dizer que tenho uma imensa gratidão pelo Fausto, que acreditou no nosso trabalho e colocou eu o Jair para produzirmos musicalmente o maior programa da televisão brasileira até então. Uma atração sem igual e com muita música. O programa do Fausto chegou a ter mais de três horas de duração e havia músicas a todo momento. Isso envolve um árduo trabalho de produção. O “Ding Dong” era um quadro incrível e destaco também o “Show dos Famosos”, que continua agora sob a regência do Luciano Huck. Trabalhar com TV aberta não era algo que eu imaginava que fosse fazer na minha vida, mas acabou acontecendo e aprendi muito. Acho que tenho contribuído bastante, sem contar que amo esse tipo de trabalho. Com a saída do Fausto, tivemos um desafio enorme – assim como o Tiago Leifert, toda a equipe e direção do programa – de tocar o “Dança dos Famosos”. Sinto-me extremamente orgulhoso em fazer parte dessa equipe desse projeto que me realizou de uma forma tão incrível. Agora, com o Luciano Huck, nós fazemos o “Show dos Famosos”. Eu participo desse quadro desde o começo e ajudei a desenvolvê-lo junto com o Cris Gomes, que hoje é o diretor-geral do Fausto na Bandeirantes. Na época, fomos para Barcelona conversar com o criador do quadro e, a pedido do Fausto, acabamos desenvolvendo algo completamente diferente do que ocorre em mais de 100 países. O Brasil é o único país que fez ao vivo, com uma banda, mais de 25 pessoas no palco, enfim. Diante dos novos tempos, estamos reinventando uma série de coisas. O Luciano chegou com muita energia, muita vontade, e ele realmente está gostando muito de estar envolvido nisso. Estamos todos muito felizes, dando o nosso melhor para que ele tenha todo o sucesso que merece ao comandar esse clássico programa exibido aos domingos. Esta será a nossa contribuição. Também acho um privilégio poder entender essa coisa do popular e contribuir com isso. Sinto-me lisonjeado em poder entregar ao público projetos tão bonitos e bem-acabados. Quem tiver a oportunidade de assistir, vai entender que de ruim não tem nada. É um trabalho que envolve muita gente: são mais de 100 pessoas. Por trás disso existe uma equipe de alta qualidade em todas as áreas. Desde cedo eu aprendi que não existe música boa e ruim. Existe música bem-feita e malfeita. Com televisão é a mesma coisa. O trabalho que foi feito nesses últimos anos me orgulhou muito, tenho certeza de que toda a equipe se orgulha demais.

Simoninha e Orquestra de Heliopolis do Instituto Baccarelli

TW – A série “Heliópolis & Simoninha convidam” reúne música erudita e popular. Como surgiu essa parceria com o Instituto Baccarelli? Qual contribuição você quer deixar no projeto?

WS – Bem, vou começar pelo final da pergunta. Essa minha parceria com o Baccarelli nasceu há alguns anos a convite de um grande amigo que já não está mais aqui com a gente, o Gilberto Dimenstein. Ele me convidou para fazer um projeto com coral. Ele tinha uma personalidade fantástica e singular, com intensidade e força para realizar, ajudar, criar projetos culturais relevantes, e claro que me convenceu imediatamente. Nosso primeiro projeto foi algo muito lindo. Ocorreu em uma bela tarde de domingo na Vila Madalena. As ruas estavam fechadas e um clima realmente muito especial “pairava no ar”. Fizemos uma apresentação praticamente no meio da rua, que ocasionou em um momento que ficou guardado em muitos corações: no de quem participou, no do público e no meu, em especial. A partir desse dia eu fui me aproximando e participando de eventos com a Orquestra Sinfônica. Em 2020, no último evento presencial realizado quando o Gilberto ainda estava vivo, ele me convidou para fazer a abertura da temporada, uma ou duas semanas antes do confinamento causado pela pandemia, dividindo o palco com outros 200 músicos. No dia eu levei meus filhos e esse espetáculo me marcou profundamente. No ano passado o Gilberto nos deixou, e o Edilson Ventureli, maestro e diretor-executivo do Instituto Baccarelli, acabou se tornando um grande amigo. No final de 2020 ele me propôs de fazermos 10 concertos em 2021. Então, Heliópolis para mim é uma honra, um prazer. Nós temos realizado os concertos e eu também levo amigos e artistas incríveis, que entendem a causa e doam o seu trabalho, a sua energia e o seu talento para continuarmos fazendo espetáculos incríveis e que brilham muito. Existem orquestras muito bacanas no Brasil, e a Heliópolis é formada por pessoas mais jovens. A história e a energia do Instituto Baccarelli fazem com que seja muito especial, pois é incrível dividir o palco com esses jovens tão talentosos. Sem contar que a educação transforma, salva e é fundamental.

TW – Em sua opinião, qual o papel da música no desenvolvimento do ser humano? Você gosta de se envolver em projetos que tenham preocupação com a formação das pessoas?

WS – A música, assim como outras manifestações artísticas, tem um papel fundamental no desenvolvimento do ser humano. Se existe contato com a música desde cedo, seja como ouvinte, aprendendo a tocar um instrumento, a cantar, enfim, aprendendo a se relacionar com a música, isso forma seres humanos melhores. Creio fielmente nisso. Acredito que a relação com a música desenvolve a sensibilidade nas pessoas, independentemente se é um médico, um engenheiro, um advogado. A música te liga com sentimentos, emoções e aspectos que às vezes são inexplicáveis, porém fundamentais para a vida. Acredito muito nisso. A música tem esse poder, toca em cada um de um jeito diferente. Cada pessoa recebe a música e tem um entendimento muito próprio das notas, das melodias e do que aquela letra tem a dizer. Isso é uma coisa fantástica. Adoro estar envolvido em projetos. Sempre que tenho a oportunidade eu participo e já estou envolvido em muitos outros projetos sociais. Neste ano o Jair fez uma música em que eu atuei na direção musical para a CUFA (Central Única das Favelas), que foi muito importante por conta da questão da fome. O Sergio Gordilho, da agência África, foi quem nos convidou para participar. Ele também me convidou para fazer a primeira campanha que falava sobre a importância do uso de máscaras, no começo da pandemia, com o conceito de que a máscara salva vidas. Enfim, não só eu, como também o Jair e os nossos parceiros participamos de muitas campanhas nesse sentido. É sempre uma honra poder estar contribuindo de alguma forma.

Gabriel Simonal (Fendi no colo), eu e Tom Simonal

TW – Você faz muitos projetos em parcerias. Trabalhar em grupo é essencial para você? O que você destaca como necessário para as parcerias darem certo?

WS – Eu acredito, sim, na força das parcerias. Acredito que ninguém faz nada sozinho e, inclusive, estou sempre aprendendo com os meus parceiros, com a minha equipe. Acho que existe uma troca e sinto prazer em formar pessoas. Por meio da S de Samba e de minhas outras empresas, já conseguimos formar muita gente, pois, da mesma forma que estenderam a mão para mim em muitos momentos, eu sinto a necessidade de estender a mão para aqueles que estão chegando, para que essas pessoas tenham um bom começo e uma oportunidade para desenvolver as suas qualidades. Isso é fundamental. Por isso, eu acho bom demais trabalhar em parcerias, tenho muitos parceiros na música e ainda quero ter muitos outros. Cada música feita em parceria gera uma experiência muito bacana, pois acaba sendo criada uma história e uma amizade sempre é desenvolvida. As parcerias acabam indo além da música. Isso é especial e me enriquece muito, me dá muita alegria e prazer.

TW – Há alguma parceira que você ainda não conseguiu concretizar e que gostaria de fazer?

WS – Muitas, infelizmente. Ou felizmente! Vou contar uma história que já contei aos meus filhos. Depois que o meu pai morreu, quem me ligava sempre era o Chico Anysio. Ele dizia: “vamos fazer uma música juntos!”. Chico foi um grande compositor, tem vários sambas, várias músicas lindas, e eu fiquei superanimado! Mas a composição conjunta não aconteceu e isso me entristeceu profundamente, porque acabei adiando esse momento, que não chegou a ser concretizado em uma canção em conjunto entre nós. Seria uma honra ter uma música em parceria com o Chico Anysio hoje. Da mesma forma que eu também fiquei de gravar com Emílio Santiago e acabei não gravando. Então, agora, estou mais atento a isso, tentando não adiar momentos para que eu possa ter parcerias registradas com pessoas talentosas e importantes que eu admiro. Ainda farei muitas outras parcerias e isso me dá garra, me dá vontade de estar sempre produzindo e me reinventando. Não somente com pessoas experientes, mas também com artistas mais novos. Como eu disse na resposta anterior, toda troca é fundamental para nos deixar produtivos.

TW – Até o fim do ano você segue com os domingos globais, com a série “Heliópolis & Simoninha convidam” e ainda vai se apresentar com a Orquestra Jazz Sinfônica, em Dubai, no mês de outubro. Além desses, quais são seus projetos futuros?

WS – Isso é um bom retrato do que já tem no meu ano, mais o desenvolvimento da Marshmelody e, obviamente, os projetos da S de Samba. Mas eu gostaria muito que em 2022 o mundo pudesse estar mais próximo daquilo que já vivemos um dia em relação aos espetáculos, que eles possam voltar de uma forma mais livre e que possamos nos abraçar novamente. Quero muito fazer um disco e um novo show com canções alegres para desenhar e ser retrato de um novo momento da vida das pessoas, do mundo. Nós precisamos de coisas positivas, de alegria, e essa é uma contribuição que, apesar de todas as dificuldades que nosso planeta todo enfrenta, acho que posso contribuir. Quero muito desenvolver novos trabalhos para poder estar sempre levando um pouco de conforto, alegria e esperança a muitos corações e mentes.

TW – Seu pai, Wilson Simonal, assim como outros grandes talentos da música brasileira, foram reconhecidos nos grandes festivais musicais do país. Como você vê o papel desses festivais na cultura do Brasil e seu legado? Acredita em uma possível retomada dos eventos em um formato atualizado?

WS – Os festivais foram fundamentais para a música popular brasileira, a própria sigla MPB surgiu a partir dos festivais. Se contarmos em números artísticos, temos Elis Regina, Jair Rodrigues, Caetano Veloso, Wilson Simonal, Chico Buarque, Tom Jobim, Gilberto Gil, Milton Nascimento, tanta gente que hoje é importante e é referência passou pelos festivais. Eles significaram o começo da carreira de grandes artistas, principalmente na década de 1960, quando os festivais da TV Excelsior e da TV Record eram ao vivo e levavam um público cativo, que se envolvia com o espetáculo e com os novos artistas; posteriormente, vieram os festivais da TV Globo. Esse foi um momento único na história da música brasileira, realmente um marco de lançamentos de grandes nomes e profissionais que, além dos já citados, temos Djavan, Guilherme Arantes, enfim, tantos nomes importantes. Houve um desgaste natural no formato do produto, isso acontece, mas ainda existem festivais em proporções menores espalhados pelo Brasil. Eu sinto que os festivais perderam a força, a magia que eles tinham, até porque muita coisa que acontecia nos festivais passou para o formato de programas de televisão, a exemplo das competições musicais. Na TV essas competições resgatam um pouco do clima de competição que havia nos festivais, mas sem aquela força de mobilizar tantas pessoas ao vivo para verem surgir artistas novos e importantes, esse era o diferencial que motivava e parava o Brasil. Eu penso nisso de muitas formas e acredito que quem achar a fórmula de resgatar esse sentimento de modo atualizado promoverá um grande ganho para a música e para a sociedade. Tenho um projeto em desenvolvimento com o Uajdi Moreira. Queremos resgatar essa energia em um formato inovador, mais atual, algo que cabe nesse novo momento em que a gente vive e com isso tentar resgatar a força dos festivais. Para isso, é muito importante que aconteça uma sincronia entre as pessoas, a sociedade e a música, é aí que surge alguma coisa; deve existir algo que tenha força e espontaneidade para tocar as pessoas e se transformar em um grande acontecimento. Eu tenho esperança de que isso ainda possa acontecer.

TW – O bloco carnavalesco Acadêmicos do Baixo Augusta surgiu em 2009, e desde então ocupa a região central de São Paulo, contribuindo na transformação do novo carnaval de rua da cidade e do país e levando diversão para milhões de pessoas. Em que momento você entra nessa história e como você vê a projeção do carnaval em São Paulo?

WS – Bem, eu estou envolvido com o Acadêmicos do Baixo Augusta desde o começo. São muitas pessoas envolvidas. O Acadêmicos reúne os seus ministros, que vêm de várias áreas (artistas, administradores, advogados, publicitários), enfim, é um retrato de todos. Cada um ali se doa muito para poder fazer essa festa acontecer e poder contribuir de forma tão bonita. Isso ocorre desde o primeiro desfile, sempre cuidando da parte musical do bloco e também à frente do microfone. Depois, convidando outros artistas, montamos a banda do Acadêmicos do Baixo Augusta, seus cantores e a bateria nota mil. Enfim, foi um trabalho que fomos desenvolvendo ano a ano. Começamos com quinhentas pessoas desfilando, depois viramos três mil e, consequentemente, foi subindo esse número e o circuito também aumentou. Conseguimos chegar até a Consolação e realmente ser um marco para a cidade de São Paulo, levando mais de 1 milhão de pessoas às ruas. Olha, eu acho fundamental esse novo carnaval que São Paulo se propôs a fazer. Hoje, talvez, dívida com o Rio de Janeiro o maior carnaval do Brasil. Isso era inimaginável há alguns anos. A gente tem feito um carnaval muito bonito, um carnaval com segurança, com infraestrutura. Claro que há problemas nessas grandes manifestações, mas ano a ano eu vejo um esforço de todos os blocos e das autoridades no sentido de melhorar e de realmente fazer uma festa diferenciada na cidade. Eu lembro que o nosso último desfile, em 2020, foi muito especial porque teve pouquíssimas ocorrências policiais, foi um carnaval de muita alegria, de muita festa, e esse é o espírito que a gente quer trazer. Queremos tomar as ruas de uma forma alegre, de uma forma que o paulista e o paulistano não estão acostumados. Quero dizer até agora, porque a cada ano as pessoas vão se acostumando com esse novo carnaval e é muito bonito de ver lá de cima do trio elétrico, é algo que a gente leva para nossa própria história e alegria. São vários carros que vão para a rua, são cinco, seis trios elétricos na sequência levando amor, mensagens positivas. Poder celebrar e tornar realmente especial o carnaval para cidade de São Paulo. Eu tenho muito orgulho em fazer parte disso, eu acho que a gente tem uma contribuição muito grande para a cidade, a cultura e para uma nova São Paulo.

Jorge Ben Jor e Simoninha no lançamento do Baile do Simonal Volume 2

TW – Qual legado você pretende deixar com seu trabalho musical?

WS – Eu não penso muito sobre legado. Há uma coisa que eu já escutei e ainda gosto de escutar e que me faz crer que a minha passagem por aqui valeu a pena: que de fato eu fui importante e contribuí de alguma forma com a vida de algumas pessoas, principalmente dos meus filhos, das pessoas que eu amo e amei, das pessoas com quem dividi a minha vida. Quero poder deixar um rastro de coisas boas, de canções e de coisas positivas para a vida das pessoas. Acho que, como já citei anteriormente, a música para mim é uma missão. E essa missão é poder tocar de uma forma bonita e positiva a vida das pessoas. É isso. Vou finalizar essa conversa com uma citação: “Todos existimos, mas poucas pessoas vivem de verdade. Viver de verdade significa gastar a vida em algo que sobreviva a ela” (Josias de Souza).

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