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Wilson Ferreira Jr: o potencial energético do Brasil

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The Winners Golden Pages nº21

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Em entrevista exclusiva para a The Winners Golden Pages, o presidente da Vibra (antiga BR Distribuidora) e ex-presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., falou sobre potencial energético do Brasil, liberação do mercado e energias renováveis, temas que engenheiro elétrico, mestre em Energia pela USP (título alcançado depois de passar pelo Programa de Pós-Graduação em Energia promovido pelo Instituto de Energia e Ambiente da própria USP) tira de letra, para nosso privilégio, boa leitura.

The Winners – Qual sua avaliação sobre o potencial energético do Brasil? E quais são as perspectivas de ações futuras?

Wilson Ferreira Jr. – O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais diversas e limpas do mundo. Mesmo assim, sem dúvida, o setor será um dos segmentos que mais investimentos receberá ao longo dos próximos anos. A transição energética já vai naturalmente impor esse ritmo de alocação de recursos de acordo com a demanda da sociedade, mas pode variar de acordo com cada região, graças às suas características regionais e à própria infraestrutura existente. O Brasil tem potencial para ser líder e vitrine mundial nesse processo de descarbonização.

TW – Somos conhecidos pela solidez em energia renovável. Como esta característica contribui no desenvolvimento econômico do Brasil? 

WFJ – Segundo os dados mais recentes do Ministério de Minas e Energia, o Brasil já conta com 83% de sua energia de fontes renováveis. Nesse assunto, já somos referência internacional, como falei. Essa expertise brasileira e o movimento da sociedade que valoriza empresas com forte atuação ESG vão impulsionar o desenvolvimento de tecnologias e soluções cada vez mais limpas.

TW – Recentemente, o senhor apresentou uma projeção sobre o crescimento de demanda e oferta de energia no Brasil, reforçando que o país investe no setor energético e que a cada ano temos uma matriz mais limpa e renovável. Qual o impacto destas ações no cotidiano das pessoas? E qual o impacto em outros setores?

WFJ – O grande impacto imediato para toda a sociedade é a queda dos índices de dióxido de carbono na atmosfera, o que é o resultado de um empenho global para viabilizar um ambiente mais saudável e seguro para todos. Além disso, ao investir em energia limpa buscamos disponibilizar recursos para as gerações futuras e preservar o planeta para nossos filhos e netos. No caso do Brasil, em âmbito econômico, teremos uma independência energética em relação aos outros países, dependendo cada vez menos de fontes de energia importadas. Temos uma matriz energética bastante limpa e temos a oportunidade de ser exemplo para outros países.

Na cerimônia do Engenheiro do Ano 2021: reconhecimento merecido para 40 anos de uma carreira bem-sucedida

TW – Em época de pandemia global, como foi com a Covid-19, qual o papel da energia na vida das pessoas? Como o setor atuou com as pessoas jurídicas e físicas? Quais foram as ações tomadas que deverão permanecer no futuro como aprendizado?

WFJ – Ao longo do período mais grave da pandemia, houve redução de deslocamentos e uma queda abrupta na utilização de combustíveis em todo o mundo. Por outro lado, aumentou a necessidade energética nas residências em horários antes pouco utilizada. Esse cenário já nos mostra que o mundo pós-covid será diferente: para atender essa demanda de energia e os anseios da sociedade, haverá um avanço nos investimentos em renováveis. O estudo ‘Investimento em Transição Energética’, compilado pela BloombergNEF (BNEF), mostra que o mundo realocou US$ 501,3 bilhões para descarbonização em 2020, batendo o ano anterior em 9%, mesmo com a ruptura econômica causada pela pandemia da Covid-19. E já é visível esse cenário no Brasil, com o foco se virando para a mobilidade elétrica, sustentabilidade além da energia solar e eólica. No caso desta, só o estado do Ceará espera ativar cerca de 5 GW de capacidade eólica offshore (quando os aerogeradores ficam em alto mar) nos próximos cinco anos. Hoje, a capacidade eólica instalada no país é de 17 GW. É um grande avanço. A energia mais limpa será uma das consequências da pandemia.

TW – As pequenas centrais hidrelétricas são consideradas polos de desenvolvimento para os locais onde são instaladas. Mas com o crescimento da energia eólica e solar emergente, como serão tratadas essas instalações em seu ponto de vista?

WFJ – O Brasil é um país no qual as projeções indicam uma demanda crescente por energia e cada região tem uma especificidade. O Nordeste tem um potencial muito grande para a energia eólica e solar, por exemplo. Com a expansão do mercado livre e a integração de novas tecnologias, as pequenas centrais hidrelétricas ganham espaço no setor pois abrem oportunidades para ampliação do mercado livre, colaboram para a descarbonização e a digitalização da energia. São movimentos paralelos porque essas fontes de energia são complementares. Um dos pontos de debate do setor é a liberalização do mercado. Como o senhor vê esse ponto em específico? O setor elétrico e sua liberalização, desde os anos 80, tornaram-se uma das principais temáticas ao redor do mundo. Permitir a todos os consumidores finais a livre escolha de fornecimento vai possibilitar a entrada de milhões de novas unidades consumidoras. O resultado será um aumento na competição, gerando novos produtos e menor preço da energia ao consumidor final. A criação de um ambiente competitivo no qual consumidores (inclusive residenciais) tenham ampla liberdade vai ajudar ainda na liquidez do mercado e impulsionar ainda mais os investimentos em energias renováveis, gerando segurança do fornecimento e estímulo à adoção de novas tecnologias. Em termos de volume, estudo do Boston Consulting Group (BCG) afirma que a liberalização deve resultar em aumento de 60% da energia consumida no mercado livre até 2025 e 3 vezes mais até 2030.

Protagonismo e competência renderam uma série de homenagens ao longo da trajetória
Na CPFL Energia: empresa se tornou benchmark no BEN HIDER/NYSE mercado de energia
Presença em diversos projetos relevantes do setor energético, como a Usina de Belo Monte

TW – Com as secas, as termelétricas deverão ser usadas em potência máxima. Qual sua opinião em relação a esta opção e os impactos para o meio ambiente?

WFJ – O custo da energia elétrica gerada nas usinas termelétricas é, geralmente, mais alto do que a gerada nas hidrelétricas e de outras fontes renováveis, além do prejuízo ao meio ambiente. No cenário atual, por conta da seca em determinados reservatórios, acioná-las é essencial para garantir o abastecimento adequado de energia para todo o Brasil. É uma situação pontual e temporária e é dessa forma que as termelétricas são usadas no país. O que é importante é que temos alternativas para suprir a energia que o Brasil precisa em situações adversas. Quando estamos falando de energia limpa é natural pensarmos na emissão de carbono. No Brasil o setor que mais consome energia é o de transportes e o mais desafiado a reduzir gases poluentes. Como o senhor vê este cenário? O Brasil é um dos maiores mercados de combustíveis do mundo e tem uma alta dependência do modal rodoviário para transporte de mercadorias e produtos (cerca de 60% do total). Certamente, o setor é um dos que mais potencial tem para contribuir com a redução do carbono na atmosfera. A Vibra (antiga BR Distribuidora) já segue esse caminho: no ano de 2019, último ano com os dados já fechados, o indicador apresentou o menor índice, o que reflete nossos esforços para reduzir a intensidade de emissões por meio de maior ecoeficiência nos processos, especialmente no transporte dos nossos produtos. A substituição da frota de veículos, a chegada dos biocombustíveis e a utilização da energia elétrica na matriz do setor serão cruciais para esse cenário, mas é um processo gradativo e a Vibra (antiga BR Distribuidora) já contribui desde que adquiriu a Targus e passou a oferecer para nossos postos a possibilidade de serem atendidos com energia renovável. Até o momento já temos 300.

Confira essa entrevista na íntegra na banca digital.

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