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Rossieli Soares da Silva – uma trajetória pela educação

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Natural do Rio Grande do Sul, iniciou sua trajetória na educação no estado do Amazonas. Advogado de formação, atuou na área do direito ambiental, mas foi na educação que encontrou sua verdadeira vocação. Chegou como técnico na Secretaria da Educação do estado do Amazonas e logo começou a realizar mudanças estruturantes, com muita vontade de contribuir no desenvolvimento da educação do estado que o acolheu tão bem. Foi secretário de estado da Educação do Amazonas e presidente do Conselho Estadual de Educação do Amazonas de agosto de 2012 até maio de 2016. Também foi vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (Consed) entre 2015 e 2016. Seu trabalho foi reconhecido e ele foi convidado a assumir a posição de secretário de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) e conselheiro da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), onde atuou diretamente na política de reformulação do Novo Ensino Médio, e também na aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Em Abril de 2018, foi nomeado pelo presidente Michel Temer ministro da Educação. Permaneceu no cargo até o final daquele ano e, a convite do então governador eleito de São Paulo, João Doria, assumiu em janeiro de 2019 a posição de secretário da Educação do estado de São Paulo. Como filho de servidor público, ele conhece a realidade do país. Seus pais, Antônio Zacarias da Silva (servidor público do Banco do Brasil) e Valdeni Therezinha Soares da Silva (professora universitária) lhe proveram educação e conhecimento para que formasse suas bases. É casado com a arquiteta gaúcha Meglen Vallau da Silva e é pai de Arthur. Nas poucas horas vagas, costuma estar com a família e tocar violão, um hobby antigo e que alegra a família. Como bom educador, não dispensa a leitura de livros e o lançamento de filmes. No Ensino Médio foi um bom atleta, jogou vôlei profissionalmente, mas trocou as quadras pelos livros. Quando o assunto é conhecimento, afirma que viajar é a melhor forma de conhecer um povo. Gosta de viajar, conhecer a cultura, os costumes e a história de cada lugar que visita, pois adora fatos históricos. “A comida que é um abraço de mãe?”, Rossieli responde sem titubear: “Arroz com ovo frito de gema mole”. Um homem tranquilo, mas de convicções claras. Conhecedor do papel que a educação tem no futuro das gerações, por isso defende a causa. Assim, nessa entrevista, podemos conhecer um pouco mais da obra e do pensamento desse defensor da base de nossa sociedade e do futuro das novas gerações.

The Winners – O senhor é formado em Direito, como foi o início de sua atuação na área de educação? O senhor chegou a atuar como advogado?

Rossieli Soares – Sou formado em Direito e atuei como advogado, mas me encontrei na educação. Meus pais estavam morando em Manaus e, em 2008, surgiu uma oportunidade de trabalho na Comissão Geral de Licitação do Amazonas. No mesmo ano, fui convidado a trabalhar na Secretaria da Educação do Estado do Amazonas. Lá comecei minha trajetória como técnico. Iniciei na área de Planejamento, depois Avaliação e Engenharia. Assumi a Subsecretaria de Gestão e em 2012 fui nomeado secretário titular da Educação do Amazonas.

TW – Como Secretário da Educação Básica do MEC e depois, como Ministro da Educação, o senhor foi responsável pela reformulação do novo Ensino Médio e pela homologação da Base Nacional Comum Curricular dessa mesma etapa. Qual a importância dessa reformulação para a educação do Brasil? Quais os principais pontos?

RS – Não é exagero apontar o currículo não apenas como um dos temas centrais da educação, seja no âmbito da pesquisa educacional, seja no bojo das políticas públicas, mas também como um dos mais espinhosos. O objetivo da Base é estabelecer competências, habilidades e conhecimentos essenciais que precisam ser garantidos a estudantes da Educação Infantil e dos Ensinos Fundamental e Médio no Brasil em todas as escolas. Já a proposta de reformulação do Ensino Médio ganhou relevância em virtude de diversos fatores, entre eles, as altas taxas de evasão, de distorção idade-série e o baixo desempenho escolar, atestado pela avaliação sistêmica, em especial, pelos resultados do Ideb para essa etapa.

TW – O estado de São Paulo foi o primeiro estado do Brasil a aprovar o novo currículo do Ensino Médio em 2020 e agora, em 2021, é o primeiro a implementá-lo, começando pelos alunos que estão matriculados na 1ª série em 2021. Em sua opinião, o que impede que isso seja uma realidade nacional e quais os impactos desse processo para o país?

RS – A falta de uma coordenação nacional pelo MEC, principalmente nesta pandemia, está sendo um fator decisivo para que todos os Estados não estejam conseguindo implementar o novo Ensino Médio de forma uniforme em todo o País.

Em 2018, Rossieli foi nomeado Ministro da Educação pelo então presidente Michel Temer

Rossieli Soares é secretário do Estado com a maior rede de Educação Básica do Brasil e das Américas. Na foto ao lado do governador de São Paulo, João Doria

TW – Na defesa da educação fundamental no país, o que considera essencial para que sejamos mais competitivos?

RS – Competitividade e novas tecnologias estão diretamente relacionadas. Se a nossa mão de obra, os nossos jovens cada vez mais saírem com as competências do século 21, com o equilíbrio entre o cognitivo e as socioemocionais, com tudo aquilo que o mundo inteiro tem feito, a nossa competitividade vai aumentar e teremos maior empregabilidade no Brasil.

TW – Com a pandemia da Covid-19, constataram-se não apenas as diferenças sociais na educação, mas o retrocesso aos padrões de aprendizagem comparados aos níveis do ano de 2008. Como poderemos recuperar esse tempo e oferecer as condições adequadas às crianças?

RS – Serão 11 anos para recuperarmos a aprendizagem perdida em Matemática durante a pandemia nos anos iniciais do ensino fundamental. Estudantes do 5.º ano da rede estadual perderam habilidades que já haviam adquirido. Hoje, um aluno de 10 anos de idade tem desempenho pior do que ele tinha aos 8. E a escola de tempo integral será a medida cada vez mais importante para avançarmos com a nossa educação. Pais, mães e responsáveis sabem que seus filhos estão em segurança na escola, fazendo refeições na unidade escolar e aprendendo mais. Aumentamos em quase 6 vezes o número de escolas de tempo integral aqui em São Paulo. De 364 escolas em 2018, serão 2.029 a partir de 2022. Em número de vagas, eram 115 mil vagas em 2018 e em 2022 serão mais de 1 milhão. Dentro do Plano Nacional de Educação (PNE), a Meta 6 – Educação Integral – prevê que em 2024, no mínimo, 25% dos alunos da Educação Básica sejam atendidos em jornadas de mais de 7 horas. Com as novas escolas de tempo integral, São Paulo antecipa esta meta, no âmbito de sua rede estadual, já a partir de 2022.

TW – O senhor defende a mudança na grade escolar com um olhar voltado ao futuro e o acesso as novas tecnologias. Mas como isso é possível em um país de realidades tão distintas?

RS – É possível, sim. Aqui em SP, já estamos fazendo isso, com o Inova Educação, que criamos em 2019. Desde 2020, mesmo em meio à pandemia, oferecemos novas oportunidades para todos os estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e Ensino Médio do Estado de São Paulo. Temos uma aula a mais por dia, com três novas disciplinas: Tecnologia&Inovação, Projeto de Vida e Eletivas. O Inova Educação trouxe inovações para que as atividades educativas sejam mais alinhadas às vocações, desejos e realidades de cada estudante. Novidades essenciais para promover o desenvolvimento intelectual, emocional, social e cultural dos estudantes; reduzir a evasão escolar; melhorar o clima nas escolas; fortalecer a ação dos professores e criar novos vínculos com os alunos. A partir de 2022, o Inova Educação será expandido para todos os estudantes do 1º ao 5º ano, também com aulas de inglês para esta etapa.

No Novo Ensino Médio, Rossieli destaca o protagonismo juvenil

São Paulo foi o primeiro Estado do Brasil a vacinar professores e garantiu também a imunização de adolescentes

TW – O senhor acredita que o ensino remoto ou híbrido deve ser uma realidade em todos os níveis da educação? Como seria esse processo diante de tantas diversidades socioculturais?

RS – O ensino híbrido ou misto, ou seja, presencial com on-line, é um caminho sem volta. Todos temiam que o ensino on-line acabaria com a presença do professor em sala de aula. Mas a pandemia nos mostrou exatamente o contrário. Que o professor é essencial e insubstituível e que a tecnologia veio para apoiar cada vez mais a educação.

TW – Só no primeiro ano da pandemia do coronavírus, mais de 172 mil alunos, entre seis e 17 anos, abandonaram ou deixaram de frequentar a escola no Brasil. Um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), concluído em novembro de 2020, monitorou o comportamento dos estudantes latinos e caribenhos diante do fechamento das unidades escolares e da adoção do sistema de ensino a distância. Na realidade brasileira, o número de crianças e adolescentes fora da sala de aula subiu em 12% nesse período.  Quais são as ações efetivas para reverter esse quadro?

RS – Como citei anteriormente, ensino em tempo integral será decisivo para essa recuperação. Por outro lado, tenho repetido diversas vezes que enfrentamos problemas na área da educação, há décadas. Ou o Brasil enfrenta a saída dessa pandemia como uma saída de guerra ou nós teremos um problema sério, geracionais, prejudicando ainda mais uma educação que precisa de suporte ainda maior. Temos que priorizar a educação em qualquer momento, ainda mais neste momento de pandemia. Qualquer país que se desenvolveu, se desenvolveu a partir da educação, principalmente após grandes traumas como este. O bônus demográfico do Brasil está diminuindo a partir do final de 2022. Perder essa geração será uma catástrofe. Se não tivermos os investimentos e as políticas necessárias no enfrentamento presente a esta pandemia, será uma conta que teremos que pagar pelo menos nos próximos 30 anos.

TW – Uma das grandes queixas da sociedade é falta de infraestrutura das escolas públicas, desde equipamentos até aos itens básicos de limpeza. Como essa questão está sendo tratado no estado de São Paulo e quais os resultados?

RS – Criamos o Programa Dinheiro Direto na Escola Paulista (PDDE-Paulista) em setembro de 2019. Já são R$ 2,7 bilhões de repasses diretamente às escolas. Desde então, foram realizadas manutenção e pequenos reparos em 5 mil escolas do estado de SP, com investimento de R$ 922 milhões. Reformamos 97% dos banheiros das nossas mais de 5,1 mil escolas. Para 2021, um novo investimento de R$ 1,2 bilhão em recursos pelo PDDE-Paulista está sendo aplicado em diversas áreas, sendo que metade dos recursos cerca R$ 625 milhões, será destinada a melhorias de infraestrutura nas escolas, com realização de serviços de manutenção e obras para pequenos reparos. Mais de R$ 275 milhões serão aplicados na climatização de salas de aula. O site oficial do PDDE-Paulista (pdde.educacao.sp.gov.br) contará com informações detalhadas sobre o funcionamento do programa e ainda disponibilizará uma área de transparência para livre consulta dos valores destinados a cada uma das unidades escolares, permitindo que a comunidade escolar possa reivindicar o destino dos investimentos conforme suas necessidades. É possível encontrar no site orientações para que as escolas consultem as regras de aplicação dos recursos e informações sobre investimentos previstos para cada subprograma do PDDE-Paulista. O PDDE foi instituído pelo Governo de São Paulo nesta gestão, com objetivo de garantir às escolas não apenas o repasse de recursos, mas autonomia e desburocratização na sua aplicação, de acordo com a demanda e realidade de cada unidade. A transferência é realizada por meio da Secretaria de Educação e a gestão dos recursos é responsabilidade das Associações de Pais e Mestres (APMs).

TW – O estado de São Paulo investiu de R$ 23,1 milhões em material esportivo nas escolas. São equipamentos como parte do material pedagógico para fomentar práticas esportivas nas escolas. Qual o impacto dessa ação na educação?

RS – Distribuímos 546 mil bolas para aulas, iniciação esportiva e recreação para as modalidades de futebol, vôlei, basquete, handebol e tênis de mesa. Há tempos que a educação estadual paulista não via um investimento desta envergadura e alcance. Esporte e educação precisam caminhar juntas.

TW – Durante a pandemia da Covid-19 foi lançado a BOLSA DO POVO EDUCAÇÃO – Responsáveis e Estudantes. O programa deve ser contínuo ou terá alterações?

RS – Esta é uma das ações mais efetivas no combate à evasão escolar: trazer as famílias para dentro das escolas, de forma efetiva. Disponibilizamos 20 mil vagas para todas as nossas 5, mil escolas com, no mínimo, duas mães ou responsáveis, por escola, para o cumprimento de protocolos para a Covid-19.

TW – O PDDE PAULISTA – PROGRAMA DINHEIRO DIRETO NA ESCOLA PAULISTA é considerado um grande avanço na gestão de recursos públicos. No entanto, muitas pessoas não têm conhecimento de seu funcionamento e benefícios. Pode falar sobre ele?

RS – Temos depoimentos de diretores que usavam seu cartão de crédito para a compra de papel higiênico ou óleo e temperos para a merenda escola. Pasmem! Mas era essa a realidade. Inadmissível! Sempre digo que o que temos de melhor na nossa rede são as pessoas. Sem pessoas comprometidas com a educação, não chegaremos a lugar nenhum. E aqui em SP, temos diretores incríveis, com equipes que fazem um trabalho que ninguém mais faz por nossa sociedade. A escola já fez muita pela sociedade: está na hora de a sociedade fazer mais pela escola, pelas equipes escolares. Enfim, pela educação!

O Dignidade Íntima garante itens de higiene menstrual em todas as escolas da rede estadual

TW – Com uma carreira sólida na área de educação qual legado o senhor pretende deixar?

RS – Sem dúvida, uma sociedade e um Brasil melhor pela educação. Isso é muito bonito no discurso, mas lutar pela efetividade para que a educação seja prioridade em nosso país não é tarefa fácil. O bom disso tudo é que conto com pessoas no Brasil inteiro, que conheci desde 2008, quando iniciei minha trajetória na educação, que estão nesta mesma causa diuturnamente. Tenho imensa gratidão por cada um e por todos. E vamos conseguir isso. Fazer com que a sociedade demande e brigue pela educação, como briga pelo emprego, pela segurança, que são também importantes. Mas é a educação que faz emanar essa cidadania em cada pessoa.

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