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Octavio Oliva – como empresário, uma vida dedicada à engenharia de incêndio. Como cônsul, a busca pelo estreitamento das relações entre a Eslovênia e o Brasil

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Fundador e CEO da EcoSafety Engenharia de Incêndio Ltda., criada em 2002, é graduado engenheiro agrônomo, área em que atuou por 10 anos antes de se tornar um especialista em soluções integradas no combate e na prevenção de incêndios. Em sua trajetória, trabalhou como diretor executivo e conselheiro em grandes corporações, como Yanes Minas, Grupo Rede e Kidde Brasil (Grupo UTC – EUA). Hoje, sua empresa é líder de mercado e fornece soluções avançadas e alta tecnologia em sistemas de proteção e combate a incêndios. Desde o projeto, até a entrega e instalação dos sistemas (turn key), a EcoSafety atua com renomadas empresas no Brasil e no exterior. Tem desenvolvido projetos e instalações para clientes como Vale, Atlas Schindler, Louis Dreyfus Company, GE, Whirlpool, WEG, Embraer, ABB, entre outras. Em 2012 foi nomeado Cônsul Honorário da Eslovênia, país com o qual tem fortes laços de família e de negócios. Também ocupa o cargo de diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP). Nesta entrevista ele nos conta a respeito da evolução dos sistemas de proteção contra incêndio no Brasil, a importância do meio ambiente e sua visão sobre a posição do Brasil no tema. Confira!

The Winners – Em 2012, o senhor fundou a EcoSafety Engenharia de Incêndio, que hoje é líder no mercado em soluções integradas em engenharia de incêndio. Como foi sua carreira até chegar à fundação da empresa? O que o motivou a criar a empresa?

Octavio Oliva – Eu iniciei minha carreira na área de incêndio na Yanes Minas, uma empresa familiar líder na área de fabricação de extintores de incêndio. No ano 2000 a empresa foi vendida para o grupo Kidde, um conglomerado americano atuante no setor. Durante os anos de atuação na Yanes/ Kidde, tive acesso ao vasto e interessante universo de tecnologia no combate a incêndios. As possibilidades e métodos me incentivaram a buscar mais conhecimento e, posteriormente, montei minha própria empresa. Quando iniciei a empresa, não havia grande concorrência e poucas empresas atuavam com tecnologias de última geração no segmento. Foi um desafio montar uma empresa com foco em soluções integradas em engenharia de incêndio, com novas tecnologias e soluções, oferecendo o melhor custo-benefício para nossos clientes, que hoje envolvem médias e grandes corporações do país. Empreender no Brasil não é uma tarefa fácil, é necessário disciplina, resiliência e muito ânimo, mantendo sempre a consciência de que a inovação é fundamental para se manter à frente no setor de atuação.

 

TW – O Brasil teve grandes problemas de incêndios florestais nos últimos anos, fato que foi amplamente divulgado no país e no exterior. Na sua posição de especialista, como podemos evitar esse cenário? O que de fato acontece?

OO – É importante ressaltar que existe muita desinformação sobre a questão e algumas verdades precisam ser pontuadas. Os incêndios florestais acontecem no país há décadas, eles atingem principalmente o cerrado brasileiro em estados como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, sul do Pará, Roraima, e sua origem é desconhecida em 95% dos casos. Sabemos que muitos são causados por falha humana, mas não se pode provar ou acusar isso. Porém, há uma grande parcela de focos de incêndio que acontecem de forma espontânea, principalmente em época de seca. O Brasil tem uma vasta região que dificulta o monitoramento imediato das ações. Muitos países apontam que os incêndios no Brasil ocorrem na Amazônia, o que não é verdade. Na região Norte, em especial na floresta amazônica, chove todos os dias. Se avaliarmos as fotos de satélite, veremos que a seca toma conta do Centro-Oeste, onde temos os focos reais de incêndio. A grande área verde de mata do Amazonas não é afetada por esses incêndios. O que existe na região amazônica é o corte ilegal da mata para a venda de madeira, o que é caso de ação das autoridades. O Brasil tem uma estrutura policial bem equipada, tanto civil, federal e militar, todas capazes de coibir e penalizar criminalmente os culpados. O que dificulta o trabalho é o tamanho do território nacional. Temos que lembrar que, se fosse fácil controlar incêndios florestais, esse tipo de problema não ocorreria em países de grande tecnologia contra incêndios, como Estados Unidos, Austrália ou na Europa, por exemplo. Anos atrás morreram quase 100 pessoas em Portugal: vítimas de incêndios florestais que estavam passando pela estrada no momento do sinistro. Os fazendeiros também costumam ser responsabilizados pelos incêndios, o que é outra inverdade. O fogo destrói a vegetação seca e, consequentemente, prejudica as safras e a pastagem. A verdade é que eles são grandes aliados na defesa da terra e no combate aos incêndios; trabalham em grupos para não prejudicar o negócio e o meio ambiente. Atualmente, as tecnologias que combatem os incêndios evoluíram muito, mas existe uma dificuldade legal enfrentada no Brasil quanto ao uso de equipamentos ou agentes químicos diluídos em água. Os testes desses equipamentos são feitos no exterior, e eles não são aceitos no país. Nesse caso, o IBAMA não regulamenta os agentes extintores para uso florestal, e a responsabilidade passa a ser do fabricante, o que é correto. Porém, como há muita falta de informação, cria-se uma falsa ideia de que esses agentes são prejudiciais ao solo e à vegetação. O fabricante deve ser o responsável, principalmente nas questões ambientais, e deve sempre apresentar testes em laboratórios renomados tanto do Brasil como do exterior. Nós temos em nossa empresa um produto amplamente utilizado no Brasil e no exterior, o F-500 EA, que é de 6 a 10 vezes mais eficiente que a água, e isso faz uma diferença enorme no combate ao incêndio, afinal o recurso mais escasso é a água. Precisamos de mais produtos e equipamentos desse tipo em todo o território nacional. A realidade nos mostra que existem tecnologias, mecanismos e meios para evitar os incêndios florestais, e esse conjunto tem que ser disponibilizado às empresas, aos órgãos fiscalizadores e à sociedade.

 

TW – Sua empresa é considerada líder no setor. Quais são as formas e tecnologias de combate a esses incêndios que a EcoSafety realiza? O trabalho preventivo é parte importante do negócio?

OO – O trabalho preventivo é a parte mais importante para evitar os incêndios. Todas as empresas devem ter protocolos de segurança como normativas e procedimentos internos. As grandes corporações possuem compliance, visando sempre à implantação e atualização de seus parques fabris na questão da engenharia de incêndio. Na questão florestal, temos os agentes químicos e as tecnologias a nosso favor. Na questão da indústria, as tecnologias são muito distintas, pois elas dependem dos riscos envolvidos. Existem segmentos diversos, como mineração, siderurgia, pneus, papel e celulose, alimentos etc. Para cada um deles há tecnologias próprias que são reguladas por normas internacionais e normas brasileiras. Contudo, essas empresas são as responsáveis por implantar a melhor solução para a proteção de suas unidades. No Brasil, encontramos uma evolução na área de prevenção, que, embora em fase inicial, já começa a dar resultados efetivos. As normas de prevenção de sinistros e os cuidados a serem permanentemente considerados são questões amplamente difundidas nas empresas que atendemos. Além disso, estamos sempre atuando próximo ao cliente na inserção de novas tecnologias e métodos para que ele possa usufruir de mais ferramentas, mitigando os riscos de incêndio.

 

Projeto desenvolvido para a empresa Vale – Carajás, PA. Proteção de todas as salas elétricas com sistemas de proteção e combate
a incêndios

TW – Na engenharia, assim como em outros setores, os órgãos reguladores têm um papel importante na prevenção de acidentes. Como isso ocorre em relação aos incêndios florestais e industriais?

OO – Os órgãos reguladores são fundamentais para o sucesso do setor no combate aos incêndios. No Brasil temos a ABNT, os regulamentos dos Corpos de Bombeiros dos Estados da Federação e a nossa empresa também segue as orientações da NFPA, dos Estados Unidos, que são utilizadas mundialmente como referência para a redução dos riscos de incêndio. Um problema grave e crescente é a questão de baterias de lítio, um material altamente inflamável quando exposto a altíssimas temperaturas. Um incêndio como esse não se apaga com água, porque ela separa a molécula em hidrogênio e oxigênio (H2O), por isso há risco de explosões. Para combater esse tipo de incêndio, são necessários produtos específicos e que só podem ser usados com orientações técnicas e empresas especializadas. Possuímos tecnologias que controlam e extinguem esse tipo de incêndio com extrema facilidade. Nosso portifólio atende todo segmento da indústria brasileira, e o nosso trabalho, além de levar informação ao cliente, é entender o risco e a realidade de cada área a ser protegida. Proteção à vida, ao patrimônio e ao meio ambiente são os nossos objetivos principais com os nossos clientes.

 

TW – Existe no mundo um aumento de consciência ambiental e isso de[1]veria ocorrer em todos os setores da sociedade. No entanto, ainda vemos muitos incêndios industriais causados pelo descarte irregular de produtos químicos, papel e celulose, pneus, baterias de lítio, entre outros. Em sua opinião, o que falta para que empresas e pessoas tenham mais consciência? Como políticas públicas adequadas podem contribuir nesse processo?

OO – Realmente, a consciência ambiental no Brasil e no mundo tem sido algo crescente, e os órgãos de imprensa têm difundido a importância de cuidar do nosso hábitat e do planeta. Os incêndios industriais estão diminuindo, porém o cuidado deve ser uma preocupação constante. A grande mudança no combate e na redução dos incêndios no mundo foi promovida por meio da sistematização das normas, com a criação de documentos e publicações científicas com o objetivo de preservar a vida, o patrimônio e o meio ambiente. Isso está em curso no Brasil e é um trabalho de constante aprimoramento. O grande diferencial em processo evolutivo do setor será o uso dessas informações coletadas e aprimoradas ao longo dos anos a serviço da sociedade. É importante ter a consciência de que todos nós somos afetados com as questões de incêndios, seja por pessoas que trabalham nos locais atingidos, seja pela empresa que vai ter problemas de atendimento ao cliente, seja por questões ambientais, as quais nunca se pode prever como será sua evolução. Quando um incêndio começa, não é possível determinar seu desfecho e qual será o risco ambiental efetivo em decorrência do problema. Na questão da indústria, entendo que as empresas e suas lideranças conhecem os riscos, assim como as seguradoras, os corpos de bombeiros e outras entidades. Então, temos três partes que atuam na busca de métodos para minimizar os riscos de incêndio. Esse universo de informação é sempre muito bem-vindo para a sociedade e para os profissionais da área.

 

Recebendo a medalha Coronel Hélio Barbosa Caldas do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo em 2017, ao lado do então Comandante Geral, Coronel do Corpo de Bombeiros da PMESP, Cássio Roberto Armani

TW – O mundo vive há alguns anos grandes transformações tecnológicas e inovações. O Brasil é pioneiro em muitas pesquisas e avanços. Como o senhor vê esse processo para o desenvolvimento do país?

 OO – O Brasil realmente é um pioneiro no assunto. Nós temos grandes exemplos no Brasil do que se tem feito na utilização dessas tecnologias e inovações com pesquisas próprias, sejam de órgãos nacionais, sejam de empresas privadas. Ações como as da Embrapa, da ABNT e da iniciativa privada têm sido fundamentais na prevenção e no combate a incêndios. A população brasileira se adapta às dificuldades, sendo extremamente resiliente em cenários às vezes muito adversos. O Brasil é um país caro, com problemas fiscais, tributários, trabalhistas e de todas as formas. Eu digo: “o empresário brasileiro que vence aqui vence em qualquer país do mundo”. Não existe outro local mais difícil para trabalhar do que o Brasil. Nesse cenário, é importante reconhecer o pioneirismo do país em tantos aspectos, como agrobusiness, mineração/siderurgia, papel e celulose, indústria química e de óleo e gás, que são exemplos de iniciativas de sucesso em seus segmentos. O empresário brasileiro avança, busca informações e tecnologias, e ele investe nisso. Ele realmente quer apresentar o melhor trabalho, o melhor produto, a melhor tecnologia agregada ao que faz. Dessa forma, é possível atender o cliente e obter sua satisfação, objetivando sempre o resultado do negócio, que é possibilitar novos investimentos, atuação social e remuneração dos acionistas. Em relação ao nosso setor de atuação, e falando dessa evolução, vemos as indústrias mais preocupadas com a questão de incêndios em suas instalações, o que é muito positivo, não importando se isso ocorre por consciência própria, pela pressão das seguradoras ou do corpo de bombeiros. Enfim, o empresariado brasileiro vem respondendo a essas iniciativas mundiais porque sabe que não há outra maneira de crescer sem investimento e aprimoramento.

 

TW – Considerando o cenário debatido no Brasil nos últimos meses em relação às necessidades de reformas do Código Florestal, o senhor vê avanços do Brasil no tema e caminhos para o futuro?

OO – O primeiro Código Florestal brasileiro é de 1934, e a última versão foi elaborada em 2012. Evidentemente, houve uma evolução que tornou esse mecanismo de controle um dos mais rigorosos do mundo. Atualmente, todas as propriedades rurais precisam estar inscritas no Cadastro Ambiental Rural (CAR), permitindo aos órgãos federais e estaduais o monitoramento das propriedades por imagens de satélite e posterior fiscalização. Por meio dele, o proprietário rural que estiver fora da lei poderá receber multas altas, correndo o risco de responder criminalmente por seus erros. O problema no Brasil é que as leis não são cumpridas, e ainda temos muitas pessoas que acreditam ser possível burlar a lei. Existe uma consciência dos produtores rurais da importância das áreas de preservação ambiental, das áreas indígenas, e das áreas de mata nativa no Brasil. Mesmo com a atuação criminosa, o Brasil possui uma das maiores, se não a maior, área preservada do mundo. O código existe e tem que ser cumprido.

 

TW – Fazendo um paralelo entre meio ambiente e a infraestrutura, como definiria a posição do Brasil?

OO – O Brasil é líder na preservação do meio ambiente neste setor. Em infraestrutura, estamos crescendo com investimento em todos os setores e por meio das concessões públicas. O governo não tem condições de ter investimento próprio em todas as frentes, e a abertura de concessões possibilita o avanço nos setores e o desenvolvimento do país. A partir do momento que a iniciativa privada assume os projetos, a responsabilidade socioambiental é da empresa, e ela é cobrada por isso. Os resultados aumentam e a responsabilidade também. Como cidadão brasileiro, eu vejo com orgulho a infraestrutura crescendo no país e buscando agredir o mínimo possível o meio ambiente. Isso se reflete em construção de estradas, ferrovias, saneamento, energia elétrica, energias renováveis entre outros. Existe uma consciência: nós temos que usar os recursos que o país oferece em harmonia entre o crescimento, o desenvolvimento e a preservação do meio ambiente, colaborando sempre com o bem-estar da sociedade e sua evolução. Em minha opinião, somos um exemplo desse binômio meio ambiente e infraestrutura. Temos muito a avançar, mas temos consciência e bons resultados.

 

TW – Em 2012 o senhor foi nomeado Cônsul Honorário da Eslovênia. A que se deve essa nomeação? Quais suas atribuições e como esse cargo contribui nas relações comerciais com o Brasil?

OO – Essa relação se deve às origens familiares que temos. Meu sogro nasceu na antiga Iugoslávia. Depois pela independência da Eslovênia, em 1991, nossas relações com o país se estreitaram e evoluíram. A Eslovênia faz parte da Comunidade Europeia desde 2004. É um país maravilhoso, acolhedor, encantador pelas suas belezas naturais e pelo seu povo. Como cônsul, participo de vários eventos buscando a aproximação entre os dois países. A Eslovênia é um grande país em termos de economia, tecnologia, cultura e, principalmente, nas questões ambientais. É um país que, proporcionalmente ao seu território, tem mais florestas nativas no mundo, assim como a Finlândia, e existe um conjunto de leis específicas para sua preservação. O país tem uma das mais sofisticadas coletas de lixo orgânico e residencial, ela é toda segmentada para o reaproveitamento específico de cada produto. Com esse tipo de ação, o país é considerado um exemplo mundial na questão ambiental. Eu recomendo a todos que visitem a Eslovênia. Vão encontrar belezas extraordinárias, um povo acolhedor, uma culinária maravilhosa e vinhos de primeira linha. O país, em um pequeno trecho, faz divisa com a Itália, e nessa área o cultivo e a produção de vinhos têm destaque. Ao longo dos anos, a Eslovênia se tornou um importante fabricante de bons vinhos e que já chegam ao Brasil em quantidades expressivas. São 35 anos visitando o país e com família presente no local. É meu país do coração, que chamo de segunda casa.

Projeto Water Spray – Whirlpool – proteção de sua fábrica, Joinville, SC – área de 110 mil metros quadrados

TW – Em 2016, Ljubljana, a capital da Eslovênia foi considerada a Capital Verde da Europa. O que foi feito para merecer esse reconhecimento? Houve mudanças no período de 2016 a 2021? Quais os exemplos que podemos tirar desse título?

OO – Ljubljana foi nomeada a Capital Verde da Europa em 2016, entre outros motivos em razão da Eslovênia ter feito o maior número de transformações sustentáveis no menor período na capital. Há menos de uma década, o centro de Liubliana (ou Ljubljana) era tomado pelo tráfego e as margens dos rios davam espaço a estacionamentos, em vez de agradáveis cafés. Hoje não circulam mais carros pelo centro, e caminhar ou andar de bicicleta pela cidade passaram a ser alguns dos incríveis atrativos de uma das mais belas capitais da Europa. Membro do Sustainable Destinations Global Top 100, e primeira cidade do país a cumprir com os padrões do Green Destinations Standard, Liubliana dedicou-se, nos últimos anos, a tornar-se uma cidade melhor e mais sustentável. Veja cinco razões que fazem da capital da Eslovênia uma verdadeira cidade verde e inspire-se para a sua próxima viagem: 1. Parques – Liubliana tem mais de 560 metros quadrados de área verde por habitante e 80 hectares de espaços verdes acabaram de ser criados a partir de áreas abandonadas. Outros ainda virão. Entre os cênicos parques, praças e bosques, que merecem um passeio, estão o Tivoli Park, considerado o pulmão da cidade, o monte Roznik, o Sisenski Hrib Landscape Park, o jardim botânico de Liubliana e os jardins de Krakovo. 2. Água – Com uma das águas de melhor qualidade na Europa, quase sem tratamento químico, a cidade estimula o consumo da água de torneira. Fontes públicas de água vêm sendo espalhadas pela capital desde 2008 para facilitar o acesso de água a todos. O governo promete ampliar o número de fontes, que já são 22. Portanto, se você estiver em Liubliana, basta levar sua garrafinha e conferir onde estão as fontes mais próximas por meio do Tap Water Mobile App. 3. Transporte – O centro da cidade, seguindo o Plano de Mobilidade Sustentável, agora é uma zona ecológica dedicada a pedestres e ciclistas. Carros não têm mais acesso às principais ruas do centro e transportes mais sustentáveis ganharam espaço. Entre eles, destacam-se as bicicletas públicas – Bicikelj, que estão espalhadas em 36 estações pela cidade, os barcos para passeio pelo rio Ljubljanica, os famosos segways e os carros elétricos – Kavalir, que ganharam estações de recarga. 4. A estratégia exemplar seguida em Ljubljana na gestão dos lixos urbanos e de desenvolvimento de uma economia circular beneficiou uma abordagem multifacetada. Essa estratégia envolve facilitar a reciclagem e a reutilização, melhorar os sistemas de separação e tratamento dos resíduos e incentivar os cidadãos e empresários a reduzir a quantidade de lixo que geram. 5. Entre os cinco finalistas para a Capital Verde Europeia de 2016, Ljubljana era a única cidade a não ter uma incineradora de lixo nem planos para construir uma. Em vez disso, a capital eslovena concentrou-se em soluções alternativas, incluindo um plano extensivo de gestão dos resíduos que trouxe progressos significativos para uma sociedade sem desperdício. A cidade incentiva a reciclagem por meio de seu Centro de Reutilização, um polo público e uma loja que usa apenas mobiliário reciclado; lá, em média, são trocados 75 produtos por dia, 100 são vendidos e outros são recolhidos e reparados. A iniciativa, gerida pela empresa pública de gestão de resíduos Snaga, também faz parte de um programa educacional que ensina a crianças e jovens a importância da criatividade, da inovação, do empreendedorismo social e da economia verde. Os habitantes de Ljubljana reduziram a quantidade de lixo que produzem em 15% nos últimos anos. Em 2014, cada pessoa gerava, em média, 283 quilos de lixo por ano, o que representa menos 41% do que a média europeia. Os pontos de reciclagem e depósitos de lixo facilmente acessíveis, assim como a coleta porta a porta de alguns tipos de resíduos, asseguram agora que dois terços do lixo doméstico e das empresas em Ljubljana sejam reciclados ou sujeitos a compostagem. Assim, a quantidade de materiais recuperados na cidade aumentou de 16 quilos por pessoa em 2004 para 145 quilos em 2014, o que resultou numa redução de 59% do lixo que acabava em aterros. A coleta e a separação são geridas pela Snaga, no Centro Regional para a Gestão de Resíduos, perto de Ljubljana, que foi construído com a ajuda dos fundos estruturais da União Europeia, que contribuíram com 78 milhões de euros para a sua modernização. Esse centro pode produzir até 25 mil toneladas de matérias-primas secundárias, além de energia “verde”. Os resíduos orgânicos, por exemplo, são transformados em biogás, fornecendo energia à fábrica de separação, e em composto (ou seja, adubo orgânico), que é utilizado nos espaços verdes da cidade. Ljubljana planeja agora aumentar a coleta seletiva dos resíduos para 75% do total e reduzir o lixo residual para 60 quilos por pessoa até 2025, assegurando a sua posição, no futuro, como uma cidade verde exemplar.

Participação no Teex (Texas, EUA), maior centro de treinamento de incêndio do mundo

TW – Falando um pouco de sua vida pessoal, por que a escolha pela engenharia agrônoma? Havia um propósito específico?

OO – Optei por ser engenheiro agrônomo porque tive uma longa vida em fazendas da família. Adoro a profissão, trabalhei por 10 anos no setor depois de formado. Mas a vida, e Deus, nos levam para novos caminhos e outros propósitos. Eu tive a oportunidade, por influência do meu sogro, de trabalhar na área de combate aos incêndios em 1992 e, desde então, são 30 anos ligados ao setor. Saí da agronomia, mas continuo com uma paixão muito grande pela área e seu universo – hoje é o agrobusiness no Brasil. As áreas de conservação, e esse povo maravilhoso que o Brasil tem, que sabe do valor da riqueza que nos foi dada, são gratificantes. Hoje, na área de engenharia de incêndio, me realizo completamente como profissional e empresário.

 

TW – Tendo atuado em empresas multinacionais, e hoje como empreendedor, quais são os desafios similares? O que trouxe das empresas que pôde ser aplicado na concepção e crescimento da EcoSafety?

OO – Nós trabalhamos na EcoSafety com empresas multinacionais. Embora eu tenha sido diretor de empresas multinacionais, hoje aprendo muito com os nossos clientes. Estamos falando de grandes corporações, tanto multinacionais como brasileiras, que criaram e trabalham com métodos, procedimentos e processos. Somos nós que temos que nos adaptar a eles, e não eles a nós, o que permite uma troca e um aprendizado constantes. É necessário entender como funciona o sistema de trabalho de nosso cliente e atendê-lo em suas necessidades. Temos que ter como objetivo superar as expectativas e seguir em um caminho sempre da excelência. Sou muito grato, aos 61 anos, por continuar aprendendo e viver a vida na plenitude, junto da família, de amigos e do trabalho, e sempre aprendendo com os erros cometidos.

 

TW – Quais os legados que o Brasil deixa ao mundo e, como empresário, qual o seu papel nesse cenário?

OO – O Brasil é um exemplo do agronegócio, da indústria, do empreendedorismo. O brasileiro nasce com o empreendedorismo no sangue. Fico fascinado como os jovens querem abrir negócios, sendo proativos e querendo avançar com as ações. Temos muito a melhorar na educação básica do Brasil. Tanto se fala em universidade, mas precisamos da educação básica para formar cidadãos mais bem preparados e aptos ao desenvolvimento. Há exemplos maravilhosos de escolas privadas, tais como SESI, SENAI, CIESP entre outras, composto de escolas técnicas que formam profissionais com emprego garantido, devido ao elevado nível de ensino, e com bom salário para iniciar a sua vida. Nós temos que multiplicar essas ações e usar os métodos que já são sucesso no Brasil. Não podemos mais aceitar modelos de educação isolados e de cunho político. É necessário lutar por um método que seja aplicado em todo o país, unificado e definir um padrão. A Coreia do Sul há 60 anos era um país pobre, com problemas sanitários graves, e hoje é um grande exemplo de como a educação pode mu[1]dar e desenvolver um país. Precisamos trabalhar a educação básica. O brasileiro tem motor próprio, e isso é uma coisa admirada pelo mundo. Nós formamos jovens que têm uma vontade enorme de vencer na vida. E não devemos ter tabus em falar sobre isso. Qual o problema de falar que uma pessoa tem sucesso? E o sucesso não se baseia somente na conta bancária, mas principalmente em valores morais, éticos e no legado a ser passado a gerações futuras. Nosso país é um exemplo em diversos setores, e temos algo que ninguém tira: esse povo maravilhoso que é o brasileiro, que mesmo tão sofrido e esquecido, continua sendo acolhedor, do bem, que agradece a cada oportunidade recebida. Esse é o cenário que precisa ser promovido para benefício de nossa sociedade: dar uma condição melhor de vida à população e eliminar a pobreza. Que Deus nos abençoe a todos.

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