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Luís Henrique Guimarães, CEO da Cosan: “Brasil tem vocação para ser maior produtor de energia renovável do mundo”

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À frente de um dos maiores conglomerados brasileiros desde abril deste ano quando foi nomeado CEO da Cosan, em abril deste ano, Luís Henrique Guimarães, tem sob sua responsabilidade 55 mil profissionais divididos entre a Raízen, Compass Gás e Energia, Moove e a Rumo, além da Cosan Investimentos. Guimarães chega em um momento em que a companhia procura recuperar o prejuízo reportado no segundo trimestre de 2022, que, no critério não ajustado, foi de R$ 125 milhões. Na análise da companhia, esse número se deu em função de despesas financeiras adicionais, sem efeito caixa, no corporativo, e pela alta na taxa de juros. O Ebitda ajustado, por sua vez, atingiu R$ 4,1 bilhões, 34,5% superior ao registrado no segundo trimestre de 2021. A título de entendimento sobre a grandeza do negócio que hoje ele comanda, a Compass Gás e Energia investe e atua nos segmentos de infraestrutura, distribuição, comercialização e trading e tem em seu portfólio a maior companhia de gás natural encanado do país, a Comgás. Além da Compass, a holding tem a Moove, uma das principais empresas de lubrificantes do país, que atua globalmente na produção e distribuição das marcas Mobil, Comma e marcas profissionais. No setor de logística, a Cosan é dona da Rumo, a maior operadora com base ferroviária independente da América Latina. No segmento de energia renovável, eles são donos da Raízen, que é uma empresa integrada de energia, referência na produção de açúcar, etanol e bioenergia e uma das maiores do setor de distribuição e comercialização de combustíveis do Brasil. Com foco na diversificação de seu portfólio, em 2021, a Cosan criou a Cosan Investimentos, na busca por novas oportunidades de negócios. Em entrevista à Economy& Law, o CEO conta sobre a história da companhia, analisa o setor de energia no país, investimentos e afirma que o Brasil tem vocação para ser o maior produtor de energia renovável do mundo.

The Winners Economy&Law – O grupo Cosan tem um histórico que demonstra seu entusiasmo no setor de energia renovável. Conte um pouco sobre a primeira planta de bioenergia criada em Piracicaba e como as coisas evoluíram até os dias de hoje.

Luís Henrique Guimarães – Aqui, faço questão de citar uma passagem do fundador da holding, Rubens Ometto. Ele relembra que em Piracicaba, nas plantações de cana, as pessoas se dedicavam muito somente à sacarose, que é um terço da cana-de-açúcar. Assim, sobrava a palha e o bagaço da cana. Além disso, eram feitas queimadas antes das colheitas, para facilitar o corte, e isso prejudicava muito o meio ambiente. A Cosan foi a primeira empresa a acabar por completo com as queimadas da cana. Depois, passou-se a usar o bagaço e a palha para produzir energia. Hoje nós utilizamos até as folhas para fazer o etanol de segunda geração (E2G), que tem potencial para elevar em cerca de 40-50% a capacidade de produção de etanol com a mesma área plantada e é o biocombustível com menor pegada de carbono do mundo, emitindo 90% menos de GEE quando comparado com a gasolina e permitindo diminuição de 30% na pegada de carbono em comparação ao etanol de primeira geração (E1G).

 

TWE&L – Que análise o senhor faz sobre o mercado de energia renovável no Brasil?

LHG – O Brasil tem muitos recursos naturais e uma vocação nata para ser o maior gerador de energia renovável do mundo. Temos terras extremamente produtivas e um clima favorável. Basta saber usar esses fatores competitivos para seguir gerando energia renovável e sustentável. Felizmente, nos últimos anos o país tem olhado mais para as questões ambientais. E não podemos esquecer da importância da inovação e da tecnologia, que permitem ano a ano trazer novas soluções para aumentar ainda mais as opções de produção de energia renovável.

 

TWE&L – É natural que o país abra suas fronteiras para que empresas estrangeiras invistam cada vez mais em nossas fontes de energia? Como o senhor avalia isso?

LHG – A energia limpa é bastante rentável e requisitada, porque as pessoas querem poluir menos. Além disso, temos nesse cenário a geração de créditos de carbono, essenciais para garantir a sustentabilidade do processo urgente de transição energética. Como o Brasil tem avançado muito nesse sentido, isso se torna naturalmente mais atrativo para todo o mercado. Mas acredito que a Cosan tem feito isso de maneira bem sólida, e um exemplo é a Raízen, nossa controlada que é uma joint venture com uma referência internacional em energia, que é a Shell.

 

TWE&L – A Cosan olhou lá atrás para a importância de se criar mecanismos para obtenção de combustíveis, que não fossem só de origem fóssil. E hoje em dia há, no país, até usinas de biodiesel que é produzido através da folha da palma. Vocês estão em processo de novas descobertas? Há ainda um centro de estudos em Piracicaba? Como está isso?

LHG – Fizemos a produção do etanol de segunda geração com o bagaço e a palha da cana, ampliamos a produção de gás de biomassa com a vinhaça e pesquisas com células de hidrogênio, por exemplo. Agora, com relação a novas descobertas, nós seguimos investindo de maneira contínua. O trabalho feito pela Raízen é uma referência na área de renováveis, pois ela é hoje a maior produtora de derivados da cana-de-açúcar, e somos uma referência global em energias renováveis a partir do bagaço da cana. Além da produção de etanol e açúcar, a cana-de-açúcar é uma matéria-prima versátil, capaz de produzir inúmeros outros produtos renováveis. O etanol produzido por meio da cana-de-açúcar, por exemplo, apresenta, em média, 90% a menos de emissão de gases de efeito estufa (GEE), se comparado à gasolina brasileira. Além de ter fins mais versáteis, já que da mesma cana podemos extrair diferentes tipos de etanol para utilizar até na produção de remédios.

 

TWE&L – Explique o ecossistema da Cosan hoje, que é uma holding.

LHG – Temos um portfólio de empresas que atuam em setores onde o Brasil tem vantagem competitiva, e fazemos nossos investimentos em ativos irreplicáveis na cadeia de valor de recursos naturais. A Raízen, na área de energia, é referência na produção de açúcar, etanol e bioenergia, e uma das maiores no setor de distribuição e comercialização de combustíveis do país. A Compass Gás e Energia foi criada para oferecer soluções integradas de gás natural e energia elétrica no Brasil, oferecendo ao sistema elétrico brasileiro a segurança necessária para continuar aumentando a participação de fontes renováveis na matriz de geração de energia. Também temos a Moove, líder na fabricação de lubrificantes de alta performance. E na logística a Rumo, hoje o maior operador logístico com base ferroviária independente da América Latina. A Cosan Investimentos é responsável pelos investimentos de novas oportunidades de negócios do Grupo, como a feita recentemente com a participação acionária na Vale.

 

TWE&L – Quantos funcionários vocês têm hoje em dia e quais são as previsões de criação de novas vagas visto que há novas construções em andamento?

LHG – Hoje, a Cosan possui cerca de 55 mil profissionais. Quanto à criação de novas vagas, isto cabe ao planejamento individual de cada uma das empresas do portfólio.

TWE&L – A Raízen inaugurou no dia 11 de outubro a pedra funda[1]mental de sua terceira planta de etanol de segunda geração (E2G). Com previsão de começar a funcionar em 2024, e investimento aproximado de R$ 1 bilhão, a planta anexa ao Parque de Bioenergia Univalem, em Valparaíso (SP), terá capacidade de produção de 82 mil m³ de E2G por ano. Como e por que a Raízen tem crescido tão rapidamente?

LHG – Acredito que a Raízen é um exemplo de que investir em tecnologia e inovação faz o ponteiro do negócio virar para cima. Em Piracicaba a Raízen mantém o Pulse, um hub de inovação para o agronegócio onde são incubadas empresas para a agricultura digital e onde os investidores podem apostar na mais alta tecnologia para o campo. Esse centro de inovações para o agronegócio trabalha junto com as startups e é um exemplo de ajuda no desenvolvimento e crescimento da empresa. E como já falei anteriormente, o investimento feito pela Raízen em tecnologia gera novos produtos que são muito bem recebidos pelo mercado porque, além de sustentáveis, são eficientes.

 

TWE&L – Quais outros investimentos estão sendo feitos pela Raízen caminhando nesse sentido dos combustíveis renováveis?

LHG – Além da inauguração dessa pedra fundamental da ter[1]ceira planta do E2G e da planta que a Raízen já opera no Parque de Bioenergia da Costa Pinto, em Piracicaba, há uma planta no Parque de Bioenergia Bonfim, em Guariba, com metade das obras concluídas e outra que está com as obras em andamento, no Parque de Bioenergia Barra, em Barra Bonita, todas em São Paulo. Além do E2G, a Raízen está ampliando seu portfólio com biogás, biometano e bioeletricidade de fontes 100% limpas e o resultado é satisfatório. No total, 30 milhões de toneladas de CO2 já foram evitados e a meta é ampliar essa descarbonização para 10 milhões de CO2 por ano. A empresa assumiu o objetivo de ter 80% de Ebitda de negócios e fontes renováveis até 2030. Vale ressaltar que no início de novembro a Raízen anunciou a assinatura de um contrato para fornecer E2G até 2037 para a Shell. Está prevista a entrega de 3,3 bilhões de litros do combustível, que será produzido em cinco novas plantas com início das operações previsto entre 2025 e 2027, totalmente integradas aos Parques de Bioenergia da Raízen. O E2G reduz em torno de 80% as emissões de gases do efeito estufa na comparação com a gasolina, aproximadamente 70% na comparação com etanol de milho norte-americano e em torno de 30% na comparação com etanol de 1ª geração de cana-de-açúcar.

 

TWE&L – A companhia vai se consolidar como único produtor mundial a operar quatro plantas de etanol celulósico em escala industrial? O que isso representa em termos de descarbonização?

LHG – Entre 2023 e 2024, as quatro plantas de etanol celulósico já devem estar operando, colocando a Raízen como a única do mundo com essa capacidade. Isso possibilita seguir com nosso plano estratégico de expansão, ampliando o portfólio de soluções renováveis e contribuindo de maneira efetiva com o processo de descarbonização de parceiros e clientes, buscando a meta de ampliar a descarbonização para 10 milhões de CO2 por ano.

 

TWE&L – Quem são os principais consumidores hoje do etanol no Brasil?

LHG – O estado de São Paulo, seguido por Minas Gerais, Goiás e Paraná.

 

TWE&L – Os combustíveis não fósseis vão substituir o petróleo em algum segmento?

LHG – Realizar a transição para uma economia de baixo carbono requer investimentos em inovação e mudança de produção. Não é um processo linear, por envolver a descarbonização de fontes, o que consequentemente implica em mudar dezenas de matrizes energéticas mundo afora e adotar estratégias para o uso mais eficiente de energia. Não é uma virada de chave: fontes alternativas e renováveis não estão disponíveis ainda em grande escala para que todos os países façam sua transição. Por isso, o sucesso da “transição energética global” dependerá, em grande parte, da utilização de todas as tecnologias e fontes viáveis a fim de poder fazer frente à necessidade de reduzir de forma abrangente as emissões de CO².

 

TWE&L – Por que a Cosan decidiu investir em outro tipo de asset, que foi o caso da Vale?

LHG – O investimento nas ações da Vale está alinhado à estratégia de diversificação de portfólio da Cosan. É uma empresa que temos muito respeito e segue nossos valores ESG, com destaque para processo de transição energética e descarbonização. É um movimento que conversa muito com a nossa história de expansão, a exemplo do que ocorreu na época da criação da Raízen e também da fusão com a ALL, que gerou a Rumo.

 

TWE&L – O senhor assiste a esse movimento dos carros eletrificados com otimismo?

LHG – Sim, principalmente porque o motor do carro elétrico é muito eficiente. Inclusive, é possível abastecer o carro elétrico com o etanol. Não seria necessário investir na infraestrutura para fazer postos voltados para isso e a poluição seria muito menor.

 

 

TWE&L – Que análise o senhor faz do mercado livre de energia brasileiro? No site da Compass, vocês mencionam que é um mercado em crescimento.

LHG – Vou começar respondendo primeiro sobre o setor de energia elétrica, que já está em uma fase mais madura. A Raízen, como uma das principais empresas sucroenergéticas do país, vê no mercado livre um ambiente adequado para negociar a energia que produz a partir da biomassa. Já o mercado de gás está em um estágio mais inicial, mas segue se desenvolvendo e é um movimento positivo. O mercado livre permitirá que consumidores possam escolher seus fornecedores da molécula de gás, um avanço que contribui para um ambiente mais saudável, uma vez que as partes ajustam as relações comerciais para compra e venda – e a movimentação continuará sob responsabilidade da distribuidora.

 

TWE&L – Por que o pré-sal ainda é a alternativa de melhor custo- -benefício ao país na exploração do gás?

LHG – O Brasil tem um imenso potencial nas reservas de gás natural no pré-sal. Segundo dados da ANP, somente as reservas provadas do pré-sal equivalem a 198 bilhões de metros cúbicos. Esse número é mais do que o dobro (450 bilhões) quando somadas as reservas provadas, as prováveis e as possíveis. Em resumo: é muito gás, e é um gás ao nosso alcance, que pode contribuir significativamente para a transição energética ao longo das próximas décadas, e, ao mesmo tempo, garantir a segurança energética. E o Brasil não pode desperdiçar esses recursos.

 

TWE&L – No campo da logística, já que a Cosan tem a Rumo em seu portfólio, como o senhor avalia a malha ferroviária do país? Ainda não chega a diversos pontos cruciais e é um dos grandes problemas no escoamento dos grãos.

LHG – A ferrovia é um modal de transporte com muitas vantagens competitivas e que entrega muito mais sustentabilidade, pois a emissão é bem menor quando comparada com o sistema rodoviário. Nos últimos anos, o que temos visto são investimentos inteligentes e aumento de eficiência onde a ferrovia precisa estar, e o melhor exemplo disso é o corredor administrado pela Rumo entre Mato Grosso e o Porto de Santos. Esse aumento de eficiência é tão exemplar que até os grãos que vem de Goiás pela Ferro[1]via Norte-Sul também passam pela Malha Paulista em direção a Santos.

 

TWE&L – Qual é a sua menina dos olhos, na companhia e por quê?

LHG – Eu não quero melindrar nenhuma (risos). Mas a verdade é que todas as empresas são “meninas dos olhos”, pois cada uma lidera um segmento com ativos irreplicáveis e extremamente importantes para a economia brasileira.

 

TWE&L – Uma frase lapidar.

LHG – Sempre seja curioso e não pare de aprender, pois é a curiosidade que move o mundo.

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