O Brasil precisa retomar o otimismo

por The Winners
0 comentário
Artigo escritor por Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton no Brasil

O Brasil, em sua luta pela retomada do crescimento, após uma grave crise econômica, que derrubou o Produto Interno Bruto (PIB) em cerca de 7% no somatório de 2015 e 2016, vivia até o final de 2019 e janeiro deste ano uma grande onda de otimismo quanto aos próximos anos da economia local.

Após a aprovação da Reforma da Previdência e algumas medidas microeconômicas, tudo indicava que o Brasil viveria um ciclo de crescimento econômico sustentável fundado no pragmatismo liberal da atual equipe econômica, liderada pelo Ministro Paulo Guedes.

Para comprovar isso, em janeiro foi divulgado o estudo Internacional Business Report (IBR) da Grant Thornton, que mede o grau de confiança dos empresários quanto aos próximos 12 meses da economia global, incluindo o Brasil. O fato é que 69% dos empresários brasileiros se mostravam otimistas com o futuro da economia brasileira.

Se levarmos em conta a América do Sul, o Brasil se destaca ainda mais entre seus pares, pois a Argentina, segunda colocada entre os países da região, aparece apenas na 19° posição entre os 32 países pesquisados.

O Vietnã liderava o ranking global com 82% de otimismo, seguido pela Indonésia (78%), Emirados Árabes Unidos (77%), China (74%) e Estados Unidos (73%). Os números mostravam que o Brasil havia saltado 11 posições no ranking global da Grant Thornton, subindo do 17° lugar, na edição anterior do levantamento, para a 6° posição.

Ou seja, o trem parecia estar nos trilhos e acelerando. Outra prova do otimismo com a economia brasileira era a quantidade prevista de empresas que pretendiam abrir capital agora em 2020, o número prometia ser recorde.

Até março, a B3 já foi sede de quatro aberturas de capital, contra apenas cinco em 2019 e a perspectiva é que cerca de 20 empresas sigam o mesmo, dado os registros de ofertas na CVM – Comissão de Valores Mobiliários.

Além disso, esse ano prometia ser bastante importante para fusões e aquisições no Brasil. As chamadas operações de M&A (Mergers and Acquisitions em inglês) se tornam cada vez mais recorrentes. O ano passado houve um aumento de cerca de 60% em relação a 2018 e, esse ano a tendência era manter ou aumentar esses percentuais.

Contudo, é necessário não deixar que o abalo mundial causado pelo Coronavírus enterre todo otimismo que tínhamos com a economia brasileira. O pico do abalo da confiança aconteceu quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia mundial no dia 11 de março, com mais de 118 mil casos ao redor do mundo e 4.291 mortes, na ocasião.

Com o stress global tomando conta dos mercados financeiros nos cinco continentes – a B3, bolsa brasileira, já tinha recuado dos 117 mil pontos em janeiro para 74 mil pontos em 12 de março, após a declaração da OMS – a confiança quanto ao futuro do Brasil tomou um golpe duro.

As ações das empresas brasileiras derreteram e os economistas de plantão começaram a refazer as contas para o PIB brasileiro, com alguns derrubando as previsões para cerca de 1% em 2020.

É evidente que a confiança foi afetada em todo o mundo, mas para o Brasil foi no pior momento, o fundamental instante em que o País, com cerca de 12 milhões de desempregados, ensaiava uma forte recuperação.

Ou seja, para nós, se o governo não agir rapidamente – poderes Executivo, Legislativo e Judiciário – há grandes chances de o otimismo não sobreviver e nossa economia não decolar da forma que esperávamos até então.

Boa parte do otimismo, que até o advento do Covid-19 tomava conta do Brasil, tinha por base a perspectivas de boa tramitação das reformas tributária e administrativa e a aceleração de medidas para impulsionar a economia, como a aprovação do marco regulatório do Saneamento, com potencial para atrair 700 bilhões em investimentos até 2033, além das privatizações previstas pelo governo federal, também com potencial de até R$ 450 bilhões.

É missão agora do governo federal e do Congresso se unirem num pacto federativo para andar rapidamente com essas medidas na busca pela aceleração da retomada do crescimento e a volta do otimismo.

No atual cenário, não há espaço para disputa de poder, preocupações com eleições municipais ou egos desproporcionais. O ajuste fiscal não deixa muitas manobras para o Brasil reagir à crise com incentivos fiscais, como feito em crises anteriores, então a solução passa por aprovação de reformas e uma agenda positiva que corra a passos largos e rápidos no Congresso.

Só dessa forma, a confiança pode retomar.

You may also like

Deixe um Comentário