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No mundo

O fantasma das fraudes no Brasil

23/12/2023 19:55
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Uma pesquisa aplicada pela Serasa em maio e junho de 2022 apontou que 40% dos brasileiros já foram vítimas de fraudes financeiras, sendo 14% delas a partir do Pix e 13% a partir da emissão de boletos falsos. Em momentos de feirões de negociações de dívidas a atenção deve ser redobrada. Para contribuir com a redução dos problemas, a Serasa lançou um serviço em que em um minuto o consumidor consegue denunciar sites ou redes sociais fraudulentas. Além disso, lançou o Fraudômetro, que agora mede a situação das fraudes no país. Entre janeiro e junho deste ano, o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian revelou que o Brasil sofreu cerca de 4.818.533 ocorrências de golpes, uma a cada três segundos. O levantamento considera o volume de tentativas de fraudes registradas pela companhia referentes à verificação de documentos (análise de documentos de identificação), biometria facial, verificação cadastral e roubo de identidades. O indicador também mostra que o setor de “Bancos e Cartões” foi o alvo principal dos golpistas no semestre (45,5%), depois “Serviços” (31,1%) e “Financeiras” (17,7%). “Varejo” e “Telefonia” fecham o ranking com respectivamente 3,8% e 1,5% das tentativas. “Para lançarmos o Fraudômetro, em junho, o primeiro contador de tentativas de fraudes do país, realizamos uma atualização na metodologia do nosso indicador. Ele agora conta com mais tipos de tentativas de fraudes mapeadas. Dessa forma, é possível que a Serasa Experian ofereça uma visão ainda mais assertiva sobre os perigos que as empresas e os consumidores correm. Não existe uma bala de prata capaz de blindar a todos contra os criminosos, mas com certeza uma estratégia de proteção em camadas dificulta ainda mais as ações fraudulentas. Além disso, todo cuidado é pouco quando o assunto é análise de riscos e segurança de dados em qualquer transação financeira”, afirma o diretor de Produtos de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, Caio Rocha.

Caio Rocha, diretor de Produtos de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian

Por outro lado, há um movimento crescente contra as fraudes, no desenvolvimento de novas ferramentas de segurança. Estima-se que tenham sido evitadas no Brasil, nos primeiros nove meses do ano, perdas de R$ 41,4 bilhões pelas empresas e consumidores, graças às ferramentas de autenticação e prevenção a fraudes. Os dados são do Fraudômetro. O montante seria o resultado de mais de 7,4 milhões de ocorrências malsucedidas registradas no mesmo período, uma a cada três segundos.

Pix é risco também

O Pix é a forma de pagamento mais utilizada pelos brasileiros e segundo o Banco Central só no mês de julho, recordes vêm sendo estabelecidos com a ferramenta. Em apenas um dia do mês, registrou 129,4 milhões de transações e no dia seguinte, chegaram a 134,8 milhões. Mas junto com as grandes movimentações e tecnologia, os riscos como fraudes e clonagens se tornam mais suscetíveis. Ainda segundo o BC, foram registrados mais de 739.145 crimes envolvendo o Pix entre janeiro e junho de 2022, alta de 2.818% em comparação ao mesmo período de 2021. A verdade é que em 2023 os números podem ser parecidos – a considerar os números do fraudômetro que a Serasa está disponibilizando – que podem dar uma pista de como será a estatística de 2023. São modalidades novas aparecendo a todo momento. Um estudo da FICO revela que 22% dos brasileiros já sofreram uma fraude no Pix. No último biênio, os brasileiros deixaram de usar dados como CPF para criar chaves da ferramenta, em julho de 2021 eram 85.735.490 usuários com esta chave, em 2023 são 123.836.099, um crescimento de 44%. O grande crescimento foi das chaves aleatórias, onde uma combinação de números e letras cresceram 189% frente ao mesmo período. Em 2021 eram 95.352.247 e hoje totalizam mais de 275.582.545 chaves. Chaves criadas com e-mail tiveram 116% de crescimento totalizando 92.084.632 e número de celular, 89% com 123.335.378 de chaves. Para o especialista Cristiano Maschio, CEO da Coretech Qesh, a evolução do mercado financeiro é essencial para o futuro do país. “O Pix é uma ferramenta de democratização e um catalisador para a digitalização financeira no Brasil. A modalidade é uma oportunidade tanto para empresas estabelecidas como para novos players”. A FICO, empresa que faz análise e tecnologia de plataforma de inteligência aplicada, revela os resultados da pesquisa inédita “Como os golpes de pagamento em tempo real afetam os consumidores” -, desenvolvida pela empresa com 14 mil consumidores – sendo 1.000 brasileiros – em 14 países. No recorte Brasil, a maturidade do país e entendimento do uso dos pagamentos em tempo real reforçam a aceitação do público para essa modalidade, mas também evidencia a necessidade de as instituições financeiras estabelecerem políticas claras, combativas e efetivas junto aos processos envolvendo fraudes. De acordo com o estudo, 46% dos clientes vítimas de golpes e – insatisfeitos com a atuação da instituição financeira – reclamam com o banco, enquanto 32% reportam essa insatisfação para os órgãos regulatórios. Já 15% – ou 35 milhões de brasileiros – trocam de banco. Uma conta cara a ser paga. Para Ricardo Ribeiro, diretor de Plataforma da FICO América Latina, os resultados apresentados no estudo refletem a necessidade do mercado em criar ferramentas e tecnologia com capacidade para mitigar os riscos de fraude. “O uso de inteligência artificial e machine learning modelados para monitorar transações, identificar e impedir golpes antes que os clientes sejam afetados é um recurso cada vez mais utilizado, e considerado aliado das companhias. Com a ferramenta certa é possível prever, entender e minimizar os riscos utilizando de comunicação correta, automação de processos e eficiência operacional”, destaca.

Cristiano Maschio, CEO da Coretech Qesh

Oportunidades de mercado

Segundo o estudo, 35% dos brasileiros pensam que os bancos não fazem campanhas educacionais suficientes para orientar o cliente, e 79% acreditam que os sistemas antifraudes devem ser prioritários para os bancos. O mesmo percentual (79%), representa o volume de clientes que ficariam satisfeitos com a identificação precoce da fraude pelo banco, ou seja, que a transação fosse impedida e o pagamento não compensado. “A comunicação é um ponto de bastante atenção e que garante uma eficiência operacional para a empresa e para o consumidor. Mesmo diante dos números apresentados pela pesquisa, sabemos que o consumidor não gosta de passar pela situação de uma compra legítima não ser aprovada, o chamado falso-positivo. Por isso, essa operação exige um equilíbrio perfeito em que seja possível identificar transações fraudulentas com base em IA e ML, combinados com processamento contextual, tomada de decisão e comunicação em tempo real”, analisa Ribeiro. O investimento nesses recursos de tecnologia contribui para uma operação mais linear e na redução de custos a longo prazo, uma vez que a fraude seria identificada no processo inicial. Um dado relevante – e com os índices mais elevados quando comparado à pesquisa global –, refere-se ao uso das notificações sobre fraudes via aplicativo do banco. Cerca de 42% dos brasileiros consideram esse tipo de comunicação a forma mais efetiva para avisar e alertar os usuários sobre possíveis golpes. Um retrato da maturidade do mercado e dos usuários do sistema financeiro. Há ainda um outro indicador que revela que 56% entendem que o pagamento em tempo real é mais seguro do que um pagamento com cartão de crédito. Para Fernando Lamounier, educador financeiro e diretor da Multimarcas Consórcios, o Pix tem sido um facilitador e criminosos entenderam que cada pessoa possui um banco em mãos. “A tecnologia otimiza o nosso tempo e isso atrai mais golpes, porém devemos entender que independente da ferramenta, estamos sujeitos a sermos vítimas a todo instante”.

Fernando Lamounier, educador financeiro e diretor da Multimarcas Consórcios

Abaixo estão algumas dicas para não cair em golpes:

  •  Nunca forneça seus dados a ninguém;
  •  Sempre se comunique com a Serasa pelos canais oficiais, que são o site e o App;
  •  Desconfie de ofertas muito atraentes que chegam até você via redes sociais, telefone ou e-mails;
  •  Evite acessar sites e aplicativos que pedem dados bancários em redes públicas/ abertas de internet;
  •  Não clique em links de origem suspeita, seja por e-mail ou SMS;
  •  Negocie dívidas negativadas ou contas atrasadas diretamente com o credor ou pela plataforma Serasa Limpa Nome;
  •  E não pague boletos enviados em nome da Serasa ou qualquer outra empresa se não tiver solicitado.

Seis dicas para evitar fraudes em compras online:

1 – Desconfie de preços muito abaixo do mercado

2 – Confira a reputação da loja em sites como o Reclame Aqui

3 – Procure ver a opinião de outros consumidores

4 – Identifique as informações de contato

5 – Preste atenção ao link do site e aos endereços de e-mail enviados

6 – Guarde o comprovante de compras

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