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No mundo

Fernanda Ribeiro, CEO da Conta Black: Ela criou uma fintech de impacto social

07/11/2023 16:08
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CEO da Conta Black, instituição financeira de impacto social, Fernanda Ribeiro é também a dona da companhia, que está inserindo desbancarizados no sistema financeiro do Brasil

Fernanda Ribeiro é mulher, jovem e negra – diferente do estereótipo que é visto comumente no mercado financeiro. Contrariando as estatísticas, a exceção, Fernanda é cofundadora e CEO da Conta Black, uma fintech, que é um hub de serviços financeiros e de consumo alocado em uma conta digital. Basicamente, Fernanda é dona de um banco – sendo o único diferencial – entre fintech e banco – é que fintechs atuam apenas no digital – e bancos têm presença física. Fundada em novembro de 2017, a Conta Black chegou com a ideia de resolver a dor de grande parte da população negra e periférica do Brasil – a falta de acesso ao crédito. Nasceu com o propósito de atender desbancarizados que não têm acesso a serviços bancários. A fintech oferece um leque de serviços com foco na educação financeira de seus usuários e usa, inclusive, a educação financeira como balizador na hora de emprestar dinheiro. O negócio teve início com investimento próprio e recebeu investimento-anjo recentemente (saiba os detalhes na entrevista). Hoje, a fintech tem no seu hub, por exemplo, microsseguro contra incêndio e a possibilidade de se fazer investimentos no mercado financeiro a partir de R$ 10. Além disso, a Conta Black agora é parceira da Genial Investimentos. Foi lançado em setembro, em Nova Iorque, um fundo de microcrédito para empreendedores periféricos. Hoje, a fintech possui um teto de R$ 100 milhões, que estão sendo colocados no mercado pouco a pouco. Com uma base de 45 mil clientes, a companhia pretende ampliar isso para até 180 mil em um curto tempo. Na entrevista à Economy&- Law, Fernanda conta sobre a ideia de criar um banco com impacto social, como foi transformar isso em realidade e como um ano sabático a ajudou a pensar sobre o futuro. Formada em Turismo, trabalhou no setor de aviação, no corporativo, estudou Comunicação Escrita na PUC-SP e Políticas de Representação e Imaginário na USP. Além disso, fundou o Afro Business, uma rede de empreendedores, onde acabou, junto com seu sócio na Conta Black, Sérgio All, iniciando uma base interessante de dados, que serviu para suportar o início da jornada na fintech. Este ano, Fernanda foi eleita pela Forbes Brasil uma das 10 Mulheres de Sucesso 2023. Confira a entrevista.

The Winners Economy&Law – Conte um pouco da sua história até chegar na Conta Black.

Fernanda Ribeiro – Eu sou turismóloga por formação e tenho pós-graduação em Comunicação. Sempre atuei no mercado corporativo e atuava na área de aviação. A minha relação com a aviação tem uma questão afetiva e lúdica, porque meu pai sempre trabalhou na área da aviação. Um dos passeios de final de semana era assistir a pousos e decolagens. Então na hora de me formar, eu não pensei em outra coisa, só que eu queria trabalhar na concepção turística, não voando. E assim fiz, sempre trabalhei em companhia aérea. Comecei na área comercial, em companhia aérea, e depois, quando concluí a minha pós-graduação, entrei para área de Comunicação. Sempre atuei com Comunicação interna e experiência do cliente. E aí começam os desafios, porque à medida em que eu fui crescendo dentro da corporação, cada vez menos via pessoas parecidas comigo, cada vez menos mulheres, pessoas negras nem pensar, e daí a minha transição de carreira se dá no que a gente chama no teto de vida. Cheguei numa posição, fiquei estagnada e não conseguia mais subir. E nessa de não conseguir mais subir, nas tentativas de subir, me encontrei com o burnout. Uns dois dias antes de uma viagem importante internacional eu tive uma crise de ansiedade. Na época não se falava tanto de burnout e nem de crise de ansiedade. Fiquei internada e nesse momento que eu fico internada para eles tentarem descobrir o que era, porque eu tinha todos os sintomas de um infarto, obviamente não encontraram nada porque era uma crise de ansiedade, era alguma coisa vinda do burnout. Durante essa internação, o meu gestor, na época, ficava me ligando e lá mesmo eu decidi também que eu faria a migração de carreira. Eu decidi que a partir de então eu não queria mais aquilo.

TWE&L – E aí você pediu demissão?

FR – Meses depois, eu peço a minha demissão. Eu ainda fiquei um ano na companhia me preparando financeiramente, preparando a pessoa que ia ficar no meu lugar, para depois eu conseguir sair para fazer um ano sabático. Nesse ano sabático, eu me dediquei a novos conhecimentos, novos aprendizados, e no finalzinho do ano sabático, eu e Sérgio [All], que é meu sócio na Conta Black, e um terceiro sócio que não é sócio na Conta Black, fundamos o Afro Business. O Afro Business era uma rede de empreendedores e para empreendedores e profissionais liberais. Nós unimos os nossos networkings, quando o LinkedIn não era tão forte. Então todos nós, pessoas pretas, obviamente, fundamos o Afro Business. E o objetivo era gerar conexões, que proporcionassem oportunidades de trabalho e renda. E um dado um momento, alguns meses depois, a nossa iniciativa é finalista de uma premiação, de uma big tech. E aí teve uma repercussão gigantesca e a nossa base [de dados] se lotou de empreendedores e profissionais liberais, que não deixam de ser empreendedores. Foi aí que nós decidimos olhar para esse público de uma maneira mais próxima. A gente começou a capacitar esses empreendedores para o processo de conexão entre eles, que a gente chama de black money, para gerar oportunidades de renda e receita entre os negócios, potencializando os negócios entre si, e, depois, num segundo momento, a gente começa a conectar esses empreendedores à cadeia de fornecimento de grandes empresas. Aí a gente nota que esses empreendedores têm dificuldade de acesso a crédito e então fundamos a Conta Black, meses depois.

TWE&L – Foi do despertar sobre a falta de acesso ao crédito que nasceu a Conta Black, portanto?

FR – A Conta Black nasce também partindo do Sérgio [All], um dos meus sócios, que é empreendedor. Ele tinha uma agência de comunicação por muitos anos e quando ele foi solicitar crédito para fazer a troca de equipamentos, obviamente, isso foi bem antes de Afro Business, ele teve o crédito negado no banco. Sempre que eu conto essa história, eu tenho que fazer o disclaimer, que na época ele não tinha nenhuma restrição, ele fazia movimentação no banco, a folha de pagamento da agência era no banco e ele tinha mais de 30 funcionários. O banco sabia muito sobre a movimentação financeira. Era uma agência que já faturava e ainda assim ele teve o crédito negado. Nesse dia, saindo do banco, ele profetiza: ‘um dia eu vou um banco. Porque sempre cuidei do meu nome, sempre cuidei em nome da minha empresa e na hora que eu preciso, tenho crédito negado’.

TWE&L – E quanto tempo depois vocês decidem que é hora de colocar a ideia em prática?

FR – Dez anos depois, ele começa a estudar sobre o mercado financeiro. Quando a gente funda o Afro Business, notamos que os empreendedores, assim como o Sérgio, tinham exatamente esse mesmo problema, de acessar o crédito. E aí o Sérgio descobre outros ‘Sérgios’, e a gente resolve fundar a Conta Black. Ela nasce, a princípio, como conta digital. Fizemos um arranjo financeiro, que era uma conta digital, num cartão pré-pago. As pessoas recarregavam o cartão, o cartão preto, e elas utilizavam para fazer as movimentações bancárias. E isso é muito interessante porque a Conta Black resolve aquele problema do acesso a crédito e também da desbancarização. Tinha muito empreendedor, em especial preto periférico, que nos tempos de porta giratória não conseguiam abrir as suas contas no banco por ‘n’ motivos e com a Conta Black eles conseguiram abrir uma conta. Assim nasceu a Conta Black.

Equipe da Conta Black com seus fundadores durante lançamento de produto

TWE&L – Ela nasceu como uma fintech, como um banco digital. E aí o primeiro produto foi um cartão pré-pago, quer dizer, a pessoa não precisa ter relacionamento com nenhum banco, ela precisa apenas carregar aquilo.

FR – Exato. Era um cartão pré-pago e que funcionava, obviamente, com como uma conta. Eles colocavam o dinheiro e movimentavam a conta através de cartão. Também tinha a opção de fazer pagamento de boleto. E como esse cartão era pré-pago na função crédito, permitia também que esse empreendedor utilizasse aplicativos, para fazer pagamento de software, por exemplo. São tipos de pagamentos que sempre envolveram o cartão de crédito, então para além de tudo isso, essa conta digital também dava acessibilidade para esse empreendedor e essa pessoa periférica.

TWE&L – Como é abrir um banco no Brasil?

FR – Desafiador, mas hoje eu responderia melhor: é caro. Você precisa ter um dinheiro altíssimo para colocar como lastro Banco Central e isso não é um dinheiro que fica investido, fica como lastro, parado lá. Mas acho que se a gente olhar dos últimos sete anos para cá, algumas legislações permitiram a abertura de meios de pagamentos, serviços financeiros e isso potencializou as fintechs. Hoje é possível abrir um banco de uma maneira menos burocrática e menos cara. Mas é desafiador. Uma coisa importante sobre a abertura de fintech ou de um banco no Brasil, é que escancara as diferenças sociais. Tem ali diversos desafios sociais, raciais, mas eu não posso também dizer que não tem potencialidade. Há 10 anos atrás, quando o Sérgio falou de abrir um banco, era impossível e atualmente é mais palpável. Então eu, eu separaria, tem um lado bom e tem um lado ruim.

Fachada do prédio onde a Conta Black funciona, na Faria Lima, em SP

TWE&L – Que desafios foram impostos a você, desde a ideação até a concretização do negócio?

FR – Eu acho que desafio que a Conta Black tem é um desafio muito parecido com a maioria dos empreendedores negros do país. Tem um dado que fala que o empreendedor preto tem o crédito negado quatro vezes mais, se comparado ao empreendedor branco, exatamente nas mesmas condições. Obviamente esse dado se refere à empresas de produtos e serviços. Mas quando a gente traz esse recorte para o universo de startups, que é onde nós estamos inseridos, isso é pior. Quando a gente fala sobre o acesso a Venture Capital, a fundos, o empreendedor preto não chega a 1%. E na maioria das vezes ele não passa da rodada seed. Hoje a gente não tem nenhum dado de empreendedor preto que passou para a série B. Isso fala muito sobre a discrepância, a falta de acesso, o fato de nas mesas, as pessoas que estão do outro lado não serem parecidas com a gente, não entenderem as demandas e as especificidades da população negra, mesmo estando inseridas num país onde 57% são negros. Quando eu falo sobre essa questão dos desafios, esses desafios são muito parecidos para mulheres também – e estou no meio do recorte. Sou uma mulher e uma mulher negra. Então a gente não tem acesso pelo pelos dois lados. Acho que esses são os principais desafios.

TWE&L – A fintech nasceu da ideia da ideia de democratizar o crédito. Está dando certo?

FR – Sim, acho que é para olhar para pessoas pretas e periféricas e que, de fato, não têm acesso ao crédito. Temos ali um dado, porque sabemos que esse público é extremamente empreendedor. Hoje, 51% dos microempreendedores do país se autodeclaram como pretos. Temos um tipo de empreendedor que acaba empreendendo porque ele enxerga um gap no mercado, e um outro tipo que atua para preencher lacunas que o mercado formal não preenche. Exemplo disso é: até então não tinham bonecas pretas, então tem um empreendedor preto que faz bonecas pretas, maquiagem é outro exemplo. Portanto, existe ali o empreendedor por oportunidade, mas também tem o empreendedor que vem da precarização do trabalho que a gente vive. Além disso, tem aquele que vem do corporativo, que não consegue avançar na carreira e acaba saindo extremamente qualificado e empreende. São dois públicos que precisam ser observados, e são públicos que normalmente não têm bancos e instituições financeiras que estão olhando para as suas especificidades. A Conta Black nasce para atuar nesses problemas e trazer soluções.

TWE&L – Que soluções foram criadas pensando nisso?

FR – Quando a gente fala de solução financeira, eu tenho, por exemplo, uma solução de investimento que a pessoa preta e periférica consegue investir a partir de R$ 10, além disso, a opção de microsseguro residencial que cobre incêndio. Quando a gente fala sobre personalização, é sobre isso que a gente está falando. A minha métrica de sucesso do negócio é: estou resolvendo o problema de pessoas? Se estamos, então chegamos ao sucesso.

TWE&L – O mercado de crédito é bastante desigual no Brasil. Gostaria de ouvi-la sobre isso.

FR – Ele é desigual e em alguns aspectos, é injusto. Quando a gente olha em massa, quando a gente olha as pessoas que têm menos acesso, muitas vezes a vida pregressa delas, financeiramente, acompanha essas pessoas quase que como uma marca mesmo quando elas mudaram esse cenário. Mas porque é que eu falo disso? Porque muitas vezes, quando a gente observa os núcleos familiares dessas pessoas pretas e periféricas, normalmente é um cartão de crédito para uma família inteira. E muitas vezes, por um deslize, essa pessoa tem o nome negativado e ela fica um bom tempo sem ter acesso ao crédito. Ela regulariza, e mesmo já tendo uma nova fonte de receita, ainda assim ela fica negativada. Esse é o tipo de injustiça que eu enxergo. Acho que também tem um segundo ponto, que é o que a gente chama de racismo algoritmo. É a tecnologia perpetuando mecanismos de racismo e desigualdade. Portanto, hoje, quando a gente olha os principais bureaus de análise de crédito, eles sempre, para além de olhar essa vida pregressa, olham aspectos que são desiguais. Entre os itens, analisar o CEP, ou seja, onde essa pessoa reside, é no mínimo injusto.

TWE&L – Como vocês trabalham para suplantar esse tipo de injustiça?

FR – Vou começar com o que que é a Conta Black hoje. Ofertamos experiências de conta bancária completa. A pessoa consegue fazer pagamento, receber, sacar, fazer pix, transferir e comprar produtos e serviços financeiros, como consórcios e seguros. Somos hub de produtos e serviços financeiros dentro de uma conta digital, ofertando um leque de opções para pessoas físicas e jurídicas. Como a gente olha a questão do crédito? A gente tem a opção para crédito, que é muito recente. Desde o desde o começo a gente testou crédito com grupos fechados até balizar o nosso motor de crédito. Nós lançamos recentemente um fundo, olhando para o empreendedor, olhando para a especificidade. Quando eu falo sobre esse motor de crédito, eu falo de critérios específicos, e aí, essa é a cereja do bolo, a receita da CocaCola. A gente faz ali um cálculo de modo que eu consiga balizar o risco, mas ofertar o crédito para um público que normalmente não teria acesso a crédito. A gente faz isso de uma maneira muito cuidadosa.

TWE&L – Esse crédito é para pessoa física e jurídica?

FR – Com o lançamento do fundo, esse crédito é específico para empreendedores, para investimento nos seus negócios. É um crédito que entre os principais critérios de análise está a educação financeira. Ele tem de passar por uma formação junto aos nossos parceiros. Aí tem uma análise de crédito específica e a gente vai olhar o impacto social, ambiental, o impacto no negócio desse pequeno empreendedor. Estou muito otimista e, ao mesmo tempo, segura, por ser uma coisa que a gente já testou com grupos ao longo desses anos todos e agora a gente começa a escalar.

TWE&L – Há alguma projeção para concessão de empréstimo, ou seja, volume de dinheiro?

FR – A gente tem um teto que é de R$ 100 milhões, para concessão de crédito. E obviamente isso vai ser fracionado e não vamos jogar tudo na base de uma vez só, mas esse é o teto.

TWE&L – A Conta Black precisou captar recursos no mercado para operar? Quanto e qual foi a dificuldade disso?

FR – Sim, a gente captou recurso. Acho que a primeira dificuldade foi aquela questão do acesso que eu falei anteriormente. A gente conversou com diversos fundos até chegar à primeira captação. Recebíamos muito o feedback de ‘nossa, esse projeto é muito legal’. As pessoas sempre enxergavam a Conta Black como projeto social e não como negócio. Esse foi um desafio lá do começo e envolvia muito o nosso posicionamento, do tipo: nós somos um negócio social, sabe? Entre ganhar dinheiro e gerar impacto, a gente escolhe os dois. O fato também de ser algo nichado. Quando a gente conversava com muitos fundos, eles entendiam que era algo muito legal, mas ‘não sei’, sabe? Eram coisas que a gente via nitidamente e que tinham viés ou racismo mesmo. Tanto que a nossa primeira captação saiu com dois anos e meio depois.

TWE&L – E quem apostou em vocês primeiro?

FR – A captação foi um anjo e a gente brinca que foi um anjo mais gordinho. E é um homem negro, pessoa física, de fora do Brasil. E ele investiu em libras. Acho que isso fala muito sobre os desafios. Corrobora com tudo que eu falei anteriormente, dessa questão do acesso ao investimento, a fundos, a crédito, ao Venture Capital. Conseguimos, depois, fazer algumas outras captações, com empresa privada. Fizemos algumas, mas não divulgamos.

João Pádua, sócio-diretor B2B da Genial Investimentos, Fernanda Ribeiro e Sérgio All, em NY, durante o lançamento do fundo de microcrédito

TWE&L – Vocês agora são parceiros da corretora Genial. Como é isso?

FR – Bem, sim, acho que é muito importante explicar um pouquinho e contextualizar que a Conta Black nasceu como uma conta digital. Depois ela passou a ser identificada como um hub de produtos e serviços financeiros. E por que é importante falar sobre isso? É que como um hub, a gente sempre traz parceiros para cocriar produtos e serviços financeiros junto com a gente. Assim foi com seguro e trouxemos a Genial para cocriar também. O primeiro produto que a gente criou junto foi a possibilidade de investir dentro da Conta Black, então plugamos a tecnologia e a inteligência de comercialização de investimentos à nossa nossa tecnologia. Em seguida, a gente começou a fazer o core banking, juntos, então criamos parte da tecnologia bancária e agora a Genial é nossa parceira no fundo. Eles fazem administração de FDIC e CRs.

TWE&L – Quantos clientes vocês têm hoje? E existe um objetivo traçado?

FR – Hoje a nossa base já passou dos 45 mil clientes espalhados no Brasil e temos a expectativa de, dentro dos próximos 16 meses, triplicar isso, chegar a 150 ou 180 mil clientes. A ferramenta de crédito, obviamente, é uma das nossas apostas.

TWE&L – Se você não é a única, deve ser uma das poucas mulheres negras à frente de uma fintech no Brasil. Poucas mulheres estão no mercado financeiro e você está dentro de uma estatística bem pequena. Como se sente?

FR – Acho que é um desafio para mim, mas é um desafio também ao status quo. Hoje, quando a gente imagina a persona, a figura de quem lidera, é uma persona que é oposta à minha. São homens mais velhos e brancos. Eu sou uma mulher negra retinta e de aparência jovem. É um desafio à realidade e me vejo como com a responsabilidade de criar novas narrativas, sabe. Então eu me enxergo assim.

TWE&L – Alguém que lhe inspire.

FR – Inspiração no campo profissional eu sempre vou citar Teri Williams, que é uma mulher negra, CEO de um dos primeiros bancos fundados por pessoas pretas nos Estados Unidos, que é o One United Bank. É uma mulher que me inspira, sem dúvida, porque ela está na mesma área, fazendo coisas muito parecidas com o que quero fazer. No campo pessoal, minha mãe é uma grande inspiração, porque ela literalmente investiu nos filhos e acho isso muito positivo. Somos em cinco filhas mais um irmão. Ela sempre se dedicou a moldar nosso caráter e a investir financeiramente para que a gente pudesse se desenvolver.

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