Neuromarketing digital em épocas de crise

por The Winners
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Sandra Regina da Luz Inácio, Mestre em Administração de Empresas pela USP

Com a atual crise que o mundo está vivendo em 2020, as empresas precisam se reinventar. Para isso é fundamental a utilização da tecnologia para negociar, vender, gerar a economia etc.

As organizações serão obrigadas a mudar o seu jeito de se apresentarem aos consumidores, por meio eletrônico. Para isso, preparamos uma série de técnicas comprovadas para que todos possam alavancar seus negócios em meio ao caos.

1.Big-Data

Para tal propósito, o big data fornece informações que abrem novas oportunidades e modelos de negócios. Os primeiros passos envolvem três ações principais:
1. Integrar: reúne dados de diversas fontes e aplicativos diferentes.
2. Gerenciar: sua solução de armazenamento pode estar na nuvem, no local ou em ambos.
3. Analisar: obtêm mais clareza com uma análise visual dos seus conjuntos de dados variados.

2. Técnicas utilizadas no neuromarketing

De acordo com Lindstrom (2009):

a) Imagens à esquerda, textos à direita: os objetos à esquerda do nosso campo de visão, são processados pelo lado direito, enquanto os à direita, pelo lado esquerdo.

b) Formato Redondo (neurodesign): Nosso cérebro tem preferência pelo formato arredondado. Isso deixa o design mais atrativo ao cérebro humano. Toda vez que olhamos para algo pontiagudo, é entendido como agressivo e deve ser evitado.

c) Rosto de Pessoas: Como resistir a um rosto bonito trocando olhares e sorrindo. Quando vimos um rosto assim, temos uma tendência a corresponder ao olhar dessa pessoa.

d) Menos é mais: Para se criar uma propaganda escrita simples, utilize no máximo 140 caracteres.

e) A forma como os preços dos produtos ou serviços são informados influencia bastante na decisão do comprador: A forma mais fácil de fazer isso é eliminar os símbolos e letras ao lado dos números. Por exemplo: Se você escreve R$ 49 ou 49 reais, o produto parecerá mais caro do que se escrever apenas 49. Ou, também 48,90.

f) Mostre os preços mais altos antes: Quando você mostra um preço pela primeira vez, estabelece uma “âncora” na mente de seu consumidor. Tudo mais que for visto depois será comparado com este valor inicial. Por isso, se quiser dar a impressão de que algo é barato, mostre algo mais caro antes.

g) Call to Action: Todo e qualquer conteúdo que você produz, gratuito ou não, deve conduzir o leitor para alguma ação específica, como deixar um comentário, compartilhar nas redes sociais, se cadastrar na lista de e-mails e clicar em algum link.

h) Storytelling (Conte histórias): Como a maio- ria das decisões são tomadas pelo subconsciente, fica mais fácil conectar sua marca a um consumidor usando histórias e influenciando o lado emotivo dele.

i) Use bastante a palavra você: O cérebro é egoísta, então toda ação de marketing deve focar diretamente no consumidor. Nesse caso, usar a palavra “você”. O que você acha disso? Você é quem decide! etc.

j) Proporcione prazer, mas foque em curar dores: O neuromarketing sugere trabalhar a ideia de como o que você vende irá ajudar a “aliviar” uma dor do consumidor. Fale das dores primeiro, pois assim o cérebro é mais estimulado do que quando se fala de prazer. A busca para evitar a dor é quase três vezes mais forte do que o prazer.

3. Neuromarketing Sensorial: Sons e imagens

Para ajudar a descobrir como as cores podem influenciar os clientes, uma experiência da universidade americana Baylor College of Medicine mostrou como o cérebro interpreta as tonalidades. Os resultados foram obtidos a partir da neurociência, ramo de pesquisa que usa aparelhos para mapear as áreas do cérebro que regem o comportamento humano. Então, conheça a representação das cores e se prepare para usar o neuromarketing:

Cor Azul: Em tom escuro relaciona-se ao poder. Em tom mais claro, provoca sensação de frescor e higiene. Está ligado a produtividade e sucesso.

Cor Laranja: Sistema de recompensa – responde pelo prazer e necessidade de repetição da experiência prazerosa. Ligada à mudança, expansão e dinamismo.

Cor Amarela: Passa a mensagem de transparência nas negociações ou no objetivo do lucro. Combinada com outras cores significa credibilidade.

Cor Rosa: Controla a sensação de recompensa pela saciedade de fome, sede e sexo.

Cor Cinza: regula a distribuição de dopamina, um neurotransmissor relacionado à sensação de prazer. Ínsula – coordena as emoções.

Cor Verde: Ligado às decisões, pensamento abstrato e criativo, respostas afetivas e capacidades para conexões emocional e julgamento social. Reforça a ideia de ponderações e coerência e confiabilidade.

Cor Marrom: Estrutura interna que responde pelas emoções. Sugere conservadorismo.

Cor Branca: Córtex Cerebral Esquerdo – responsável pelo pensamento lógico e pela competência comunicativa. Sugere pureza. Cria impressão de luminosidade. Transmite ideia de frescor e calma. Combinado com outras cores proporciona harmonia.

Cor Roxa: Ligado ao planejamento de ações e de movimento e ao pensamento abstrato. Pode remeter a mistério. Também se relaciona a calma e sensatez.

Cor Vermelha: O efeito é a remoção, dinamismo, sexualidade, virilidade e masculinidade. Em relação ao consumo pode estimular, no caso de alimentos, ou evitá-los (objetos e lazer). Também produz endorfinas e serotonina.

Cor Preta: Regula comportamento sexual, agressividade, medo e memória emocional. Sugere mistério, curiosidade ou superioridade, além de nobreza e distinção.

4. Marketing auditivo ou ancoragem auditiva e laços hipnóticos

Para a Inovaforma (2019), o sentido da audição é considerado pelos cientistas e pesquisados que está ligado diretamente com nossos hábitos de consumo, comprovado pelo Marketing Auditivo.

Dessa forma, por se tratar de um instinto tão básico, entender o funcionamento do nosso cérebro sob a exposição dos mais variados sons, podemos com isso incentivar o consumo. Acontece assim: ondas sonoras são capturados do ambiente através do ouvido externo e levado até a membrana do tímpano, que vibra.

Células capilares são responsáveis por converter essa vibração mecânica em sinais elétricos, sendo que 30 mil fibras nervosas são excitadas, transmitindo a informação para o córtex auditivo, que é parte do cérebro encarregada da percepção do som.

Um jingle bem feito é uma excelente ação de marketing auditivo.

Especificamente, procure por músicas ambiente que tenham cerca de 72 bpm (batidas por minuto). Essa é a frequência de pulsações do coração humano. Músicas nessa frequência afetam diretamente o comportamento inconscientemente humano.

Lógico, que deve estar ligado diretamente com o público do estabelecimento. Por exemplo: em uma loja de artigos country, não faz o menor sentido deixar ao fundo, músicas clássicas. As músicas sertanejas vão funcionar melhor, pois recriam essa atmosfera no ambiente, fazendo com que o cliente se sinta como se estivesse realmente na natureza.

5. Neurônios espelho

De acordo com Gameiro (2012), nós, seres humanos, somos realmente bons em reconhecer as intenções e emoções alheias.

Podemos olhar outra pessoa e “sentir” o que ela sente, podemos aprender uns com os outros e nos conectar profundamente. As pesquisas apontam para um conjunto de células presentes em nossos cérebros chamadas de “Neurônios Espelho”.

Estes neurônios possibilitam a compreensão da ação e/ou da intenção das outras pessoas. Sabemos que nosso aprendizado acontece através da observação e imitação, que ocorre com as crianças e até mesmo com os adultos.

Primeiro nós olhamos e então…fazemos.

Nosso cérebro utiliza a memória de experiências físicas vividas previamente para construir “simulações”, ou seja, podemos “reviver” determinada experiência mesmo sem estarmos de fato tendo a experiência.

Por exemplo, pesquisadores demostraram que a palavra “canela” ativa a mesma parte do cérebro que é ativada quando você realmente sente o cheiro de canela. Você entende a palavra, simulando a experiência real no seu inconsciente – assim como você está fazendo agora. Você está quase sentindo o cheiro da canela? Isso é a simulação.

Isto significa que através de métodos neurocientíficos seria possível mapearmos o conjunto de códigos capazes de gerar sensações reais de experiências no consumidor, podendo aplicá-los em diversos meios de comunicação como material impresso, televisão, meio digital etc.

Desta forma, diferentes marcas e produtos poderiam ser construídos para criar no consumidor uma verdadeira “experiência ou sensação” tornando possível a construção de uma conexão entre produto/marca e cliente, similar à conexão que fazemos uns com os outros através dos neurônios espelho.

6. O Inbound Marketing

O inbound marketing é essencial para captar novos clientes com o uso de conteúdos relevantes. Para isso, é importantíssimo ter a ideia de que a primeira impressão é a que fica. Ou seja, para atrair a atenção é necessário utilizar as palavras certas para que o cérebro do cliente não se distraia com algo “mais interessante” de ler.

Exemplo: Infográfico, e-book, blog, vídeos, publicações em redes sociais etc. O neuromarketing não é somente muito importante nas épocas de crise, como estamos vivendo agora, mas suas técnicas funcionam em qualquer época e parte do mundo. É inconcebível uma empresa não utilizar seu comércio eletrônico e projeção digital nos dias atuais e futuros.

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