Jorge Pérez: O visionário que transformou o setor imobiliário mundial

por admin

Conhecido por seu compromisso em construir cidades melhores e a capacidade natural de identificar mercados emergentes, o fundador e presidente do Related Group liderou a complexa evolução urbana do sul da Flórida, EUA, por mais de 40 anos. Com uma equipe líder do setor, e cercado de parceiros de alto nível, construiu mais de 100 mil empreendimentos e tornou-se um dos nomes mais influentes no mercado imobiliário global. Nascido em Buenos Aires, Argentina, filho de pais cubanos, Pérez cresceu em Bogotá, Colômbia. Graduou-se na C.W. Post College em Long Island, EUA, e obteve seu mestrado em Planejamento Urbano pela Universidade de Michigan. A partir da década de 1970, fez fama pela primeira vez no mercado imobiliário público atuando em bairros de baixa renda de Miami, incluindo Little
Havana e Homestead. Sua atenção aos detalhes e o compromisso com a criação de ambientes que favoreciam a qualidade de vida o distinguiram no setor e estabeleceram as bases para futuros projetos. Mais de quatro décadas depois, ele continua a ser um visionário, constantemente abrindo caminho para bairros desconhecidos e dando o tom para a indústria imobiliária evoluir e inovar.

Considerado um dos principais colecionadores de arte contemporânea do mundo, Pérez aplica em seus projetos obras de arte de qualidade similares aos museus que complementam o caráter único de cada edifício. Ao misturar, entre diversos outros itens, arte e imóveis, oferece ao público em geral, artistas e curadores acesso a uma variedade de exposições, contribuindo para a cultura e a educação. Como filantropo, suas fundações se dedicam a capacitar e apoiar organizações e oferecem impactos positivos nas áreas de desenvolvimento econômico, educação, saúde e bem-estar, meio ambiente, arte e cultura. No Brasil, seu primeiro grande projeto, o Parque Global, situa-se em São Paulo. Um megabairro que promete revolucionar o conceito urbanístico da capital. Nessa entrevista exclusiva à The Winners Brasil, falamos do projeto e de sua visão de mundo sob a ótica do grande urbanista que é. Confira!

The Winners – Hoje todos conhecem sua marca e a força de seus empreendimentos, mas de onde nasceu e como começou sua carreira na construção civil?

Jorge Pérez – Se no Ensino Médio, ou mesmo na Universidade, eu falasse para as pessoas que seria um empresário da construção civil, elas iriam rir. Não havia nenhum interesse por negócios em mim. Eu comecei estudando filosofia, economia e design urbano. Via as pessoas e tudo o que eu pensava era: como melhorar a vida delas, os lugares em que vivem. Tenho vários cursos de pós-graduação, e para mim a economia deve servir para melhorar a sociedade e seu bem-estar. Eu comecei a unir o design para criar bairros melhores, cidades melhores, para os menos afortunados. Quando terminei a universidade fui trabalhar na cidade de Miami como urbanista em bairros com uma população de baixa renda, o objetivo era torná-los bons lugares para aquelas pessoas viverem. Ao fazer esse movimento fui conhecendo mais da cidade, e seus planos diretores, acompanhando as ações dos prefeitos, e percebi que era necessário haver uma interação entre o setor público e privado. Comecei escrevendo os programas habitacionais para a cidade e, de repente, um grupo de pessoas percebeu que eu era bom naquilo – transformar ideias de boas moradias em realidade acessível para a sociedade.

Iniciei com dois projetos muito pequenos e que ainda possuo em bairros muito pobres de Miami: um de origem negra e outro de origem hispânica. Esse trabalho teve destaque porque revitalizamos totalmente todos os prédios e criamos espaços para idosos que não têm renda ou muito pouca renda. Então, eu comecei minha carreira desenvolvendo esses projetos habitacionais para o governo local, nunca com o foco em lucro, e sim na promoção de bons ambientes de moradia para as pessoas, e assim descobri que gostava de fazer aquilo, criar edifícios para que pessoas vivessem bem. Os primeiros cinco anos de minha carreira foram um período muito intenso e de realizações. Eu tinha 26 anos e trabalhava 24 horas por dia! Literalmente, eram 22 horas de trabalho por dia e 2 horas de sono, sete dias por semana. Eu queria
transformar a cidade em um lugar melhor. Mas havia uma questão nesse processo: as habitações do governo deveriam ser acessíveis em todos os aspectos, por isso não podíamos trabalhar com grandes arquitetos e seus projetos, isso teria um custo inviável. E as moradias acabaram sendo edifícios retangulares, com pouca qualidade arquitetônica. Isso me fez colocar mais árvores nos projetos. Então eu pensei: “nunca haverá um prédio tão bonito como uma árvore”. Eu fazia edifícios de três ou quatro andares e plantava árvores por toda parte. Hoje, são os mesmos edifícios que construímos há 45 anos e estão cobertos com paisagismo, o que é sempre bonito de se ver e viver. A partir daí percebi que era importante ser mais criativo, trabalhar com grandes projetos e arquitetos, o que só seria possível construindo casas e projetos maiores, inserindo o melhor dos designers e dos arquitetos paisagistas. Me tornei um construtor de condomínios, moradias e escritórios de uso misto. Tudo começou com o propósito de ser socialmente consciente, e nos tornamos a maior incorporadora privada dos EUA. Hoje temos 100 projetos em construção e 13 bilhões de dólares investidos nesses projetos. Embora a empresa tenha crescido com grandes e luxuosos empreendimentos, um terço da empresa ainda faz moradias acessíveis. Nunca nos esquecemos da nossa obrigação de construir moradia para os menos favorecidos. E construímos a melhor moradia acessível do mundo. Somos muito bons nesse negócio porque construir casas reflete quem somos. Então, se você está construindo algo como se fosse para você, será bom para os outros. É a lei da atração: atrair coisas boas para si mesmo.

 

TW – A marca registrada de suas incorporações imobiliárias é a revitalização de bairros, a construção de novos habitats urbanos. Quais são os impactos desses projetos no desenvolvimento local? Qual a visão de negócio e sociedade que está aliada a esses projetos?

JP – Considero que a coisa mais importante para uma pessoa não é apenas a casa, mas todo o entorno da casa. O prédio tem seu valor, mas o que há ao redor daquele prédio faz diferença. O bairro é o que faz aquele edifício e aquela comunidade ser bem-sucedida. Se você faz um bom prédio, mas tudo o que você vive ao redor está em decadência, não houve contribuição para a pessoa que vai morar na região. O problema que tivemos com o desenvolvimento urbano no passado é que se construíam prédios bonitos para os menos favorecidos, mas tudo ao redor continuava ruim. Então, nós gostamos de adotar uma abordagem mais holística. Quando fazemos projetos nos EUA, não só vamos construir esses edifícios, mas trabalhamos com as cidades e o entorno daquele projeto, tentando comprar tudo ao seu redor. Assim, mudamos a região, e a chance de sucesso do projeto, de modificar a vida das pessoas, é maior. Somos construtores de uma comunidade, dessa forma, criamos estilo de vida, e isso é extremamente importante para tudo o que fazemos.

 

TW – No livro Powerhouse Principles: The Ultimate Blueprint for Real Estate Success in an Ever-Changing Market, o senhor fala que algumas das lições aprendidas em momentos de crise foram a flexibilidade e a diversificação dos projetos. Como isso funciona na prospecção e definição de novos negócios?

JP – Tudo o que fazemos precisa ser coordenado. Nossa especialidade se tornou a construção de comunidades, bairros inteiros, não apenas prédios. E quando as cidades precisam, por exemplo, de uma mudança urbanística em determinada região eles nos chamam e desenvolvemos um plano diretor. As cidades e seus dirigentes confiam que vamos desenvolver ambientes completos. A partir daí, incluímos no projeto ações importantes para educação e criação de emprego local. Em Miami temos um trabalho intenso, com revitalização de espaços acessíveis aos menos favorecidos, e assim replicamos esse trabalho em Tampa, Flórida, e criamos um centro de treinamento para as pessoas naquela região. Treinamos novos encanadores, eletricistas e outras profissões. Não estamos apenas criando o ambiente físico, mas fornecendo as habilidades para que as pessoas daquela região possam trabalhar.

Nossos projetos são uma parceria entre as cidades e o setor privado. E essa é a única maneira que eu vejo para que os projetos possam ser criados. Temos sido muito bem-sucedidos nessa tarefa do trabalho em conjunto. O sucesso do Parque Global em São Paulo é um exemplo disso; além das cinco torres residenciais, pensamos no entorno, colocando no projeto um shopping center, uma unidade empresarial com escritórios, hospital e infraestrutura; será um bairro completo, suprindo a necessidade de todos. Esse trabalho é feito com as autoridades públicas locais para que possamos construir o acesso do novo bairro por meio das linhas de metrô e trem, conectando esse local com o resto de São Paulo. Entendemos que é importante que o transporte público seja acessível e de qualidade nesses bairros, assim evitamos o uso de carros. Nesse projeto em específico, também investimos na limpeza do Rio Pinheiros, para que as pessoas possam usar a ciclovia e ter uma área de lazer adequada. Vamos investir na ciclovia e em pistas de corrida e caminhada, isso é fazer parte da comunidade e promover seu desenvolvimento. Eu também aprendi que investir em obras de arte é mais um passo na promoção da educação, por isso nossos projetos, inclusive este, têm grandes obras de arte disponíveis a todos, não apenas aos moradores do complexo residencial. Depois de mais de cem unidades construídas e 45 anos de profissão, já sabemos o que fazer, nos tornamos especialistas.

 

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