Isadora Cohen: A liderança feminina no setor de infraestrutura e Parcerias Público-Privadas

por The Winners

Formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com mestrado profissional em Direito e Desenvolvimento, na linha Direito dos Negócios, na Fundação Getulio Vargas (FGV) e pós-graduada em Direito da Infraestrutura pela GV Law, Isadora teve destaque na gestão pública ao atuar em importantes processos de concessões comuns e Parcerias Público-Privadas (PPP). Na gestão pública, foi subsecretária de Parcerias e Inovação no Governo do Estado de São Paulo, onde desenvolveu a coordenação de projetos e liderança das equipes responsáveis pela implementação de parcerias com a iniciativa privada e inovação na gestão e contratações públicas, entre outros cargos.  Atualmente, como sócia fundadora da ICO, uma consultoria de integração público-privada do setor de infraestrutura, presta serviços para governos, concessionárias, empresas privadas e estatais, criando arranjos público-privados e planejamento estratégico para projetos social e economicamente complexos, atuando em parcerias estratégicas, PPPs e concessões, estruturação de práticas ESG, infraestrutura, verificação independente de contratos, financiamento de projetos, elaboração de estudos de Value for Money e outras atividades correlatas à estruturação jurídica, econômico-financeira e estratégica, bem como gestão de projetos nos mais diversos setores da infraestrutura. É apresentadora do primeiro podcast e videocast de Infraestrutura do Brasil, o Infracast. Anteriormente à ICO, Isadora foi sócia líder do segmento de governo no Brasil na KPMG. Além disso, sempre focada em causas nas quais acredita, é cofundadora e diretora-presidente da InfraWomen Brazil (IWB), grupo sem fins lucrativos dedicado à promoção e ao incentivo da presença de mulheres no setor de infraestrutura, com o objetivo de construir espaço em que seja possível compartilhar ideias e experiências para auxiliar no desenvolvimento da agenda de infraestrutura no Brasil. Brasileira, judia e vegana, herdou de seus pais Dodi Chansky e Rony Cohen a paixão pelas artes, arquitetura e conhecimento, e com o padrasto, Otílio Manuel, a importância de lutar por tudo o que acredita e a resiliência. Sua melhor amiga é sua irmã, Marina, que é mãe de seu afilhado Francisco. Casada com Fernando Marcato, advogado e atual secretário de Infraestrutura e Mobilidade do Estado de Minas Gerais, tem dois filhos caninos, Amy e Bowie, da raça Golden Retriever, e duas enteadas que adora, Julia e Carol.

Uma mulher forte, que reconhece seu papel no setor de atuação e faz dele um modelo a ser seguido. Nessa entrevista exclusiva, ela fala um pouco sobre suas conquistas e a importância das parcerias para o desenvolvimento do Brasil. Confira!

The Winners – A senhora se formou em Direito e se especializou em infraestrutura. Em que momento entendeu que como advogada poderia atuar no segmento de infraestrutura, e como foi essa transição?

Isadora Cohen – A infraestrutura demanda um olhar transversal sobre todas as etapas do desdobramento dos projetos. É preciso se interessar um pouco por tudo: engenharia, questões econômico-financeiras, sociais, ambientais e políticas. O curso de Direito traz uma compreensão do “todo”, o que facilitou a lida com áreas que não faziam parte do escopo de minha formação original. No começo, a curiosidade por esses temas foi suficiente para impulsionar uma jornada em busca de maior conhecimento sobre assuntos técnicos e econômicos. Com o passar do tempo e a assunção de novas responsabilidades, foi preciso me especializar. Tanto na pós-graduação quanto no mestrado, tive que cursar contabilidade, finanças, gestão eficiente de projetos, entre outras. A transição para um olhar multidisciplinar aconteceu de fato quando fui convidada para ser diretora de uma empresa ligada à Secretaria de Finanças do Município de São Paulo. Naquele momento, entendi que o Direito era uma ferramenta muito potente e que uma advogada como eu poderia contribuir para a estruturação de operações complexas. Com o convite para ser secretária executiva do Programa de Parcerias e Desestatização do Estado de São Paulo, tive a oportunidade de aprimorar a capacidade desenvolvida e ainda adicionar mais um skill de coordenação/liderança, possível a partir da visão holística que o Direito traz.

 

TW – Sua trajetória profissional é pautada por uma longa e sólida atuação em empresas estatais e autarquias no desenvolvimento de projetos. Como foi seu ingresso na vida pública?

IC – Um ano depois de formada, com 23 anos, já trabalhando como advogada em um dos maiores escritórios brasileiros, fui convidada, por causa de um trabalho que desenvolvi na Escola de Formação da Sociedade Brasileira de Direito Público, para atuar em um cargo de confiança ligado à diretoria-geral da Agência de Transporte do Estado de São Paulo. O convite era para apoiar o desenvolvimento de projetos estratégicos para a Agência, tais como o projeto de concessão da Rodovia dos Tamoios e a concessão dos Aeroportos Regionais de São Paulo. Foi um período de profundo aprendizado e desenvolvimento. Coordenar projetos dessa magnitude é uma experiência transformadora. Foi naquele momento que eu percebi o quanto a infraestrutura impacta a vida de todos nós. Depois dessa rica experiência, fui diretora de operações e desenvolvimento de projetos da Companhia São Paulo de Desenvolvimento e Mobilização de Ativos, ligada à Secretaria Municipal de Finanças da capital paulista. Lá pude sair completamente de minha zona de conforto! Fui contratada para chefiar a equipe que estruturava operações de otimização de fluxos de recebíveis e constituição de garantias para parcerias e concessões municipais. Também foi na SPDA que comecei a entender o mercado de capitais e como as suas ferramentas poderiam estar a serviço de melhor infraestrutura e serviços para a população.

Por fim, ainda na vida pública, fui convidada a assumir a Secretaria Executiva do Programa Estadual (São Paulo) de Desestatização, além da coordenação da Unidade de PPPs do Estado. Na época, São Paulo já tinha uma carteira de projetos que mobilizava mais de R$140 bilhões em investimentos. A descrição das atividades envolvia coordenar a estruturação de novos projetos prioritários e apoiar a gestão das parcerias já celebradas. Nesse conjunto estavam projetos de mobilidade, transporte, saúde, saneamento e outros. A vivência de quase 10 anos no setor público me rendeu inúmeros aprendizados. É importante perceber o contexto em que a tomada de decisão se insere e, pragmaticamente, viabilizar soluções que transformam, para melhor, a vida das pessoas.

 

TW – Um dos grandes debates da sociedade no momento são os modelos atuais de parcerias público-privadas. No seu entendimento, como o modelo atual pode ser melhorado e como ele beneficia o desenvolvimento do Brasil?

IC – O debate que se dá em âmbito legislativo traduz conceitos que foram sendo testados na prática dos contratos de concessões e PPPs e estão se sofisticando. Os projetos de leis que transitam hoje no Congresso – em especial aqueles sobre os contratos de PPPs e Concessões e o das Debêntures Incentivadas – trazem maior solidez e segurança para temas que vem sendo aprimorados na prática. O modelo contratual das parcerias e das concessões vem, cada vez mais, se firmando como boa ferramenta para atingir melhores políticas públicas. Já debatemos e melhoramos muito os processos de estruturação de projetos. É claro que ainda há muito a se trabalhar! Porém, na minha visão, os temas essenciais para serem aprofunda[1]dos e debatidos dizem respeito à fase de gestão desses projetos. Como conferir boa governança dos processos e viabilizar uma parceria mais ajustada entre público e privado? A chave para o desenvolvimento é o aprimoramento da gestão da parceria e da regulação eficiente do projeto, respeitando o arranjo contratual. Ainda há um espaço enorme para aprimorar a comunicação. É preciso melhorar o diálogo entre parceiro público e parceiro privado e, em especial, a comunicação com os usuários. Quanto maior for o cuidado com a comunicação, mais a sociedade conseguirá entender os benefícios da parceria e mais apoio o projeto ganhará. Por falar em benefícios, hoje a infraestrutura passou a ser foco de uma transformação a partir dos pilares ESG. Não há mais espaço para se falar em projetos que não tenham embarcadas as visões de responsabilidade ambiental, social e de governança. Essa, certamente, é a fronteira mais importante da infraestrutura moderna.

 

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