Giacomo Gavazzi: de guia turístico a empresário do setor. O sucesso do homem que apostou na sua missão de vida

por The Winners
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Giacomo Gavazzi, nosso entrevistado, é daqueles empresários que tem muito a oferecer aos que tiverem o interesse em aprender. Aos 70 anos, o neto de imigrantes atuantes no ramo da madeira aprendeu desde cedo a importância de assumir
responsabilidade por seus atos e escolhas, a reconhecer e respeitar suas origens. Nascido no Rio de Janeiro, vindo originalmente da região agrícola, sempre foi bom estudante e soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe apresentou. Defende a educação e o conhecimento: “Isso ninguém tira de você”.                                                                       Pai de seis filhos, Gunnar (falecido), Benedito, Bernardo, Henrique, Anna Luiza e Catarina, e avô de Viviane, Barbara e Ágata, cuida dos seus e valoriza o convívio com a família.
Viajou o mundo, aproveitou o melhor dos tempos de woodstock (amante de um bom rock, toca
bateria até hoje) e descobriu no setor de turismo sua missão de vida.
O filho mais velho de quatro irmãos não seguiu os negócios da família. Formado em Ciências Sociais e Direito, chegou a dar aulas, mas preferiu ser guia turístico. Apaixonado por “gente”, logo se

destacou no setor. Entendeu que o caminho para cuidar das pessoas e deixá-las felizes era abrir seu próprio negócio. Assim, nasceu a Cia. dos Sonhos, o início do que seria uma jornada de sucesso.
Logo ampliou sua atuação no setor com investimento em infraestrutura. Hoje, entre seus empreendimentos, destacamos sua participação no luxuoso Hotel do Bosque em Angra dos Reis – RJ. “Um espaço de bem viver, bons momentos e de aproveitar o melhor da vida. Uma parceria que deu certo” – como costuma definir.
Conheça um pouco mais da história, das experiências e o ponto de vista deste empresário.


The Winners – Como investidor em vários ramos imobiliários, fundos e também no mundo do turismo e hotelaria, como inicia essa década em 2021?


Giacomo Gavazzi – Este início de década é peculiar, é possível que estejamos vivenciando as experiências de uma nova era de comportamento social, o que, sem dúvida, afetará todos os mercados.
Por exemplo, o comprovado sucesso de atividades realizadas no trabalho home office deverá promover impactos no mercado imobiliário. As empresas vão reduzir seus espaços de trabalho e criar investimentos em novas formas de administração de suas equipes.
Para os profissionais, o novo modelo remoto de execução de tarefas permitirá viver em locais mais amplos e mais distantes dos centros financeiros e comerciais, o que configura oportunidade de negócios imobiliários que precisarão ser formatados e customizados. Entretanto, ainda é cedo para afirmações, tanto otimistas quanto pessimistas.
Estamos experimentando um começo, não sabemos como a sociedade reagirá à imunização pós-vacina e nem sabemos se esta almejada imunização será permanente.
Sou um incorrigível otimista! Acredito que mudanças são atreladas às oportunidades.

TW – O Brasil oferece um cenário menos favorável que em anos anteriores?


GG – Não, definitivamente não. Com todos os problemas que já enfrentamos, usando um termo atualmente em voga, estamos “imunes” ao medo.
É evidente que quando olhamos pelo retrovisor
vemos o tempo perdido em questões estéreis e a crônica baixa da produtividade do país. Este cenário nos preocupa, mas acredito no espírito empreendedor do brasileiro.
“O bom conhecimento dos riscos amortece os assombros”.


TW – Como foi seu início de carreira no setor do Turismo, até chegar neste patamar de investidor do setor? O que o motivou?


GG – Comecei como guia de turismo em uma grande empresa brasileira. Fiquei cada vez mais interessado no setor, estudando e pesquisando bastante esse segmento. Já com a intenção de, no futuro, quando deixasse a carreira na empresa, montar meu próprio negócio de turismo.
O trabalho de guia de turismo foi o mais interessante que realizei em minha vida. Abriu um universo de grande prazer e profissionalismo. Hoje a vida é bem mais rápida, já não existem mais viagens longas, com 30 dias ou mais, e principalmente viagens terrestres. Os trechos longos são percorridos de avião, o contato do guia com os turistas
tornou-se muito pequeno, não há mais a interação, a intimidade que havia nas viagens terrestres.
Mas, este sentimento de promover bem-estar de outro ser humano é uma sensação ótima, que nos motiva a ser pessoas melhores.
Foi crescendo em mim a vontade de atuar de
forma mais direta no setor. No início não tinha ideia do que seria, mas com o passar dos anos foi ficando claro em minha mente: criar uma agência de viagens voltada para o turismo no Brasil. Essa seria uma das minhas missões de vida.

Família reunida – Réveillon 2021

TW – Qual foi o primeiro grande projeto e quais foram os desafios e superações?


GG – Após concluir que criar a agência de viagens era o meu projeto, me reuni com um colega da antiga empresa e lançamos a operadora de turismo Sonhos, Viagens e Turismo Ltda., com o nome fantasia Cia. dos Sonhos, em 1997. O setor passava por reformulação, países e estudiosos apontavam o turismo como um setor para investimento e crescimento após a crise econômica e financeira que teve início na Tailândia em meados de 1997 e espalhou-se por outros países. O crescimento da economia mundial foi afetado, decrescendo de estimados 4,25% para 4,1% em 1997,
ainda assim, a taxa mais elevada em uma década.
Houve ações dos governamentais mundiais, e iniciava-se uma reflexão sobre as vantagens da globalização no desenvolvimento.
No Brasil, o momento não era muito atraente. O dólar estava mais barato que o real, o que facilitava as viagens para o exterior (e, na verdade, o brasileiro não gosta de viajar pelo Brasil, não dá status). Mas não desisti de meu propósito, nem de meu projeto.
Observei que um dos motivos dos brasileiros não viajarem pelo nosso país, além do status, era o custo.
Segui com a operadora, atuando no Brasil e na região sul da América do Sul. Nossa sede era na cidade do Rio de Janeiro e atendíamos às demandas de agências de turismo nacionais e internacionais. Isso permitiu uma leitura ampla das possibilidades de crescimento e investimento.
Vi que deveria investir no setor de hospedagem, criando serviços de qualidade, com valores dentro de nossa realidade. Optei por migrar meus investimentos no setor hoteleiro e hoje, entre outros investimentos, sou o feliz coproprietário do
Hotel do Bosque, no litoral de Angra do Reis, RJ.
Em 2020, o setor hoteleiro teve queda em razão da pandemia da Covid-2019, De acordo com um estudo do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), no acumulado de janeiro a agosto de 2020 houve uma queda de 49,8% na taxa
de ocupação em relação ao mesmo período do ano passado, com destaque para as regiões Sul -52%) e Norte (-42,3%), e queda mais tímida de 0,6% no valor médio das diárias. O setor, embora acostumado a lidar com interrupções, claro que nunca viu essa proporção e escala, onde todos os negócios foram afetados mundialmente. Porém, já temos um protocolo de atuação definido e a tão sonhada vacina para o vírus da Covid-19.
Acredito que a retomada do setor, a partir do segundo semestre de 2021, será possível e voltaremos a mirar no período de férias.
TW – O seu setor de atuação é conhecido por grandes empresas, mas as pequenas empresas ganharam mais espaço nos meios de hospedagem podendo oferecer condições mais personalizadas. Qual seu ponto de vista sobre o tema?


GG – Este é um tema bastante importante que não pode ser olvidado, ultrapassou o estado de tendência e hoje é um fato, uma nova característica do mercado de hospedagem que exige amoldamentos. Coube a nós, empresários do setor,
analisar o porquê desta mudança.
Temos no Brasil 2 milhões de micro e pequenas empresas (MPE) que atuam direta e indiretamente no setor. Do total de negócios do turismo, as MPE representam 96,3%, segundo dados do Sebrae. Olhar para esse cenário de forma avaliativa
é necessário para entender a essência do turismo no Brasil e no mundo.
A conclusão a que chegamos é simples: na hospedagem de lazer os clientes perceberam que a descontração lhes proporciona momentos muito mais cool e mais econômicos do que ambientes formais e sisudos. Acreditamos que os modelos europeus de lazer, marcadamente os franceses, iniciaram esta onda que se popularizou mundo afora, e estes movimentos não cessam, a cada
dia surgem novidades que facilitam e promovem um enorme fluxo de viajantes e hóspedes. Essas mudanças são menos sentidas no turismo de negócios, mas já promovem também movimentos no sentido de mais descontração e comodidade.
Todavia, este será mais um ponto a ser estudado nos novos tempos pós-pandemia. ÉÉ necessário aprimorar a gestão para a indústria do turismo, despertar as vocações locais e promover ações de políticas públicas.


TW – Como você vê a economia no Brasil e o papel do setor em que atua? De zero a 10, está otimista com os novos padrões e relacionamento da economia de mercado?


GG – O momento é de muita expectativa. Estamos vivendo uma época sem precedentes, há
algum desconforto nos meios empresariais, contudo, existe muita confiança nas instituições. Dizer que a economia vai bem é irresponsável, mas pintar um quadro pior do que a realidade é mais irresponsável ainda, temos uma missão árdua por diante. Acreditamos que os espasmos inflacionários que estão ameaçando devem ser tecnicamente controlados pelas autoridades das áreas responsáveis. Mas, nossa grande preocupação recai sobre nossas perspectivas de modernização
da economia. Nossa baixa produtividade, como já citamos, é um fator de grande entrave ao desenvolvimento econômico, o chamado “custo Brasil” tem que ser seriamente enfrentado.
Podemos olhar para dentro de casa e ver os bons exemplos: no agronegócio, que é hoje o maior sustentáculo econômico do país e onde a iniciativa privada é o grande realizador, e o Estado oferece alguma condição de desenvolvimento com baixa interferência, temos um papel exemplar no apoio ao desenvolvimento do setor.
No caso de nossas áreas de atuação há uma grande dependência de infraestrutura, cuja melhoria é função do Estado, que precisa se organizar para poder investir nos níveis minimamente requeridos.
No entanto, em 2020, segundo informações do Ministério do Turismo, foram investidos R$ 5 bilhões no setor, cifra considerada o maior valor de investimento da pasta até hoje. Isso mostra o reconhecimento da importância do setor no desenvolvimento e crescimento. Em outubro de 2020, o ministério já havia divulgado uma liberação de R$ 2 bilhões em crédito para empreendedores do setor, principalmente micro e pequenas empresas.

Com isso, foram preservados mais de 26 mil empregos na área.
Mantenho o otimismo quanto aos fatores que geram expectativas e arriscaria um grau sete de otimismo.


TW – O que dizer sobre a economia e os investimentos em infraestrutura? Hoje temos uma taxa Selic na casa de 2%. Como o senhor vê isto para o desenvolvimento do país?


GG – Vejo com bons olhos os esforços do Governo Central em viabilizar projetos na área, uma
vez que a contribuição do turismo na criação de empregos é talvez a maior no campo dos serviços, e o país necessita de postos de trabalho.
A taxa Selic a 2% é um sonho para o empreendedor e para a economia. Segundo o Banco Central, a meta de 2021 é manter a inflação em 3,75%, mas há uma tolerância de 1,5 ponto percentual
para cima e para baixo, ou seja: pode variar entre 2,25% e 5,25%. Não é o melhor índice, mas deve ser visto com bons olhos. É preciso reconhecer o esforço do governo federal neste sentido.
O reflexo é crescimento, nos últimos meses, em alguns setores, como a construção civil. Em plena crise da pandemia, um fenômeno que talvez ninguém acreditasse ser previsto nos últimos anos. O Brasil precisa ser mais efetivo em suas
realizações, não é justo com a população manter uma economia estagnada com taxas extorsivas. É urgente a necessidade de criar condições de consumo, trabalho e renda.
Falta ter ações coordenadas e alinhadas. A mão de obra precisa ser capacitada e treinada, é necessário investir em modernização e melhorar nossa produtividade. Não podemos mais ocupar os últimos lugares em renda e os primeiros em custos.
TW – O meio ambiente é uma pauta constante quando falamos em turismo. O que deve ser pensado, conhecido e trabalhado no meio ambiente para favorecer o setor de turismo?
GG – Cremos que este é um tema de grande sensibilidade para o turismo, mas também para o

mentos (PPI). Estão previstos investimentos de R$ 260 milhões ao longo dos 30 anos da concessão. Isto vai favorecer os roteiros ecológicos e permitir o investimento em infraestrutura adequada.
Mesmo havendo poucas ações concretas que podem ser consideradas efetivas em um momento tão complexo quanto o atual, qualquer ação, neste momento, é prematura. Não temos um panorama
bem traçado das péssimas consequências que a pandemia da Covid-19 deixa ao setor. O momento é de focar na saúde e seu restabelecimento.
O momento é de união e solução, trabalhar para a implementação de políticas e ações que preservem a debilitada saúde do setor de turismo e infraestrutura.
TW – O Brasil não se conhece, turisticamente falando. O que lhe ocorre que pode ser pensado para incrementar as viagens internas?

GG – Com certeza, não se conhece. Destacaríamos como vetor deste pouco ilustre gap a baixa qualidade da educação e a pobre divulgação de nossa cultura.
Para ilustrar um pouco esta sensação, citamos um pequeno evento ocorrido há alguns meses em um teatro de São Paulo: observava um grupo de três belas jovens comentando sobre as maravilhas da região de Bonito (MS), quando uma delas
declarou não conhecer bem o nordeste do Brasil, onde, supostamente, se localizava Bonito. Estive a
ponto de intervir; afortunadamente, minha acompanhante me conteve com discrição. (risos)
Se o público potencial para o turismo interno se
interessasse pelo Brasil, o resultado no setor teria impacto imediato. Porém, as campanhas, muitas vezes caríssimas, são mal dirigidas ou inoportunas; o custo do turismo interno ainda é alto e inacessível para a maioria das pessoas.
Há de se considerar a infraestrutura viária que, mesmo em melhor condição, ainda é precária em algumas regiões do país.
E seguimos a lista de melhorias com a qualidade dos serviços que carece de muita atenção; a oferta de voos e os preços claudicam à mercê dos interesses da falta de integração entre os players do setor.
O destaque positivo fica por conta das facilidades de crédito para viagens que são hoje abundantes.
Estima-se que o setor seja responsável por 3,6% do PIB e que gere em sua totalidade cerca

de nove milhões de empregos. Com ações bem planejadas poderíamos, em menos de vinte anos, incrementar em 25 a 30% estes indicadores. Agregue-se ainda a estas contas os milhões de postos de trabalho indiretos criados na construção civil, na indústria moveleira, no desenvolvimento de modais de transportes e outras atividades de suporte ao setor.
O lado bom desta situação é que a maior parte destes problemas pode ser revertida em oportunidades para muitas iniciativas.
TW – 2021 é considerado um ano de retomada.
Qual deve ser o foco da economia e das ações para o crescimento?


GG – Não se pode negar que o agronegócio é
o nosso principal setor, contudo a retomada não pode deixar de atender às demandas de infraestrutura, mas para isto é preciso grande disponibilidade de recursos e uma parte destes poderia vir das privatizações, programa que tem que ser
retomado com urgência e efetividade logo nos primeiros meses de 2021.
Devemos lembrar que a economia mundial e, principalmente, no setor de turismo, viagens e hospedagem está fortemente vinculada à pandemia da Covid-19 que assolou o mundo em 2020.
Mas, é importante observar que a tempestade vai perder a força quando a vacinação em massa for uma realidade e será preciso estar planejado e preparado para este momento. Acreditamos que as economias mais maduras e mais estáveis são as que menos sofrem os efeitos da pandemia. O setor de viagens e turismo será provavelmente um dos últimos a retomar a normalidade. Passadas as fases de acomodamento, esses setores deverão experimentar movimentos recordes devido exatamente à grande demanda represada, viagens e planos adiados, desejos e vontades não realizados; tudo isso deverá promover movimentos inéditos no setor já no biênio 2022-23.

TW – Os EUA têm um novo presidente, um perfil voltado ao diálogo e à pluralização. Em 2022 o Brasil terá novas eleições presidenciais. Como o senhor vê o cenário até lá?


GG – Nossa visão é otimista para este novo tempo que se inicia quando o compartilhamento da liderança global parece ser a tendência. O diálogo, como nunca, depois do fim da Guerra Fria, será a maior ferramenta para a obtenção de soluções de conflitos emergentes e de outros adormecidos.
O grande entrave é, e será sempre, o fato de que nos debates internacionais nenhuma parte queira ceder, mesmo quando tudo ocorre sob o pano da cordialidade e da ética, o que exige muito preparo, muita perseverança e maturidade das pessoas envolvidas. A experiência mostra que não podemos ficar afastados dos grandes debates sob o risco de
perdermos protagonismo na economia, na política e no comércio internacionais, justamente quando temos importantíssimos interesses envolvidos.
Nossa expectativa quanto ao presidente Joe Biden não chega a diferir muito das atuais; o rumo, com certeza, não será diametralmente oposto ao de Trump, será mais tranquilo, mas na essência será muito parecido. Caberá a nossa diplomacia o papel de trabalhar no sentido de não perdermos protagonismo.
Parece que o Governo Bolsonaro está se consolidando como um governo de centro, mas seu início carregado de ímpeto e popularidade deixou marcas. Há ainda dois anos de mandato, e nossas energias e esforços devem estar voltados para a
reconstrução da economia.
A expectativa é que as diferentes forças políticas ajam com responsabilidade, pensando na solução dos graves problemas econômicos e sociais e menos em 2.022. Pode ser que isto soe utópico, mas não nos resta outra opção a não ser a união de esforços e o respeito à democracia e às instituições para que não desaguemos em uma hecatombe.

Fazenda de São Bernardino (1951) – propriedade da família Gavazzi no município de Nova Iguaçu – RJ

TW – O senhor viveu realidades distintas na economia brasileira com os mandatos presidenciais. O que mais lhe impressionou nos governos Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro até aqui? Sem críticas, o que fica na história?


GG – Gostaríamos de agregar a estes cinco nomes o curto governo de Itamar Franco, quando foi
criado e implementado o Plano Real. A disposição e a coragem dele pavimentou o caminho para que os outros pudessem governar um país ordenado.
O primeiro governo de FHC, quebrando o paradigma das privatizações e da modernização da
economia, resgatou a abalada crença na economia brasileira. Depois dele creio que todos foram parecidos, incluindo seu próprio segundo governo.
Todos somaram pequenas realizações e alguns desastres, a exceção positiva foram os anos
iniciais da era Lula, turbinados pelas excelentes condições de preços das commodities e pela estabilidade econômica, mas logo maculados pela, corrupção desenfreada e pela ilusão da manutenção do poder.
A chegada de Bolsonaro, surpresa para alguns,
mas em realidade um grito de “basta” vindo com força do peito de uma sociedade sofrida e espoliada, parece marcar o início de novos tempos, é um adeus às velhas práticas políticas. Há aspectos muito peculiares como: a força das redes sociais rompendo os sistemas tradicionais de comunicação, as crises entre os poderes constituídos e
a pandemia, que são os verdadeiros agentes de mudanças. Somente a História mostrará, em pouco tempo, se o saldo é positivo ou não.
De nossa parte fica a certeza de que o Brasil precisa trabalhar muito para prosperar e se preparar para viver sob uma desafiante pirâmide de distribuição etária, melhorar a produtividade e a renda. Não é mais possível estar conformados em apresentar más condições de vida sendo um dos países mais ricos do mundo. O Brasil está acordando, e tudo dependerá muito da competência dos futuros governos. Acreditamos ser o momento atual a bisagra deste processo.


TW – O Brasil é rico em sua gastronomia e sabores, como você acredita que esta vocação possa ser mais bem aproveitada, não apenas pelo turismo, mas também em parceria com o agronegócio?


GG – Nossa gastronomia já é conhecida e apreciada no exterior, e existe ainda um mundo de sabores a ser apresentado. O turismo é a grande porta de chegada às experiências gastronômicas, nossa diversidade de sabores é riquíssima e podemos afirmar que do Oiapoque ao Chuí não existe rincão onde não se encontre surpresas para o paladar.
Um aspecto interessante: como produzimos craques do fogão: Alex Atala, Helena Rizzo, Rodrigo Oliveira, Renato Freire, Roberta Sudbrack, Thiago Castanho, Henrique Fogaça, Paolo Neroni e tantos outros, e quase todos lançando mão de
produtos nacionais com grande sucesso. A habilidade de nossos chefs e nossa diversidade de produtos nos confere excelentes possibilidades de exploração deste mercado. Por outro lado, vemos grande potencial na agricultura orgânica, um mercado em grande expansão em todo o mundo. Já é tempo para que se pense neste nicho como um negócio de grande potencial, oferecendo a ele as merecidas atenções e transformando-o em um braço do agronegócio, bem menor do que o tradicional, mas com muito mais valor agregado.


TW – Como você vê as opções de transporte do Brasil para executar um roteiro turístico atrativo e que gere renda e crescimento? Pode ser feito de automóvel, por exemplo?


GG – Vemos com muito bons olhos a malha viária, em especial, no Sergipe é boa, com destaque
para São Paulo. Há necessidade de melhoria, e mesmo nestas regiões, há possibilidade de roteiro de interesse é totalmente viável. O Brasil é um território a ser explorado nesta área, nenhum país no mundo possui tantas diversificações de paisagens, culturas e belezas como o nosso. Com a melhoria de nossas estradas, como está ocorrendo, com a oferta de serviços condizentes com a nossa realidade econômica, é claro que muitos roteiros serão criados e estimulados a serem feitos de automóvel, ou novamente de ônibus.
Esta análise requer estudos localizados devido às diferenças encontradas entre as regiões, mas é possível pensar em diferentes modais e sua integração. Tudo isto estimula a geração de empregos
e riqueza, construção de estradas, pontes, barcos,
veículos, trens e outros, além dos serviços de operação de todos os modais. O turismo tem um potencial de geração de riqueza inigualável.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um empréstimo de R$ 3 bilhões para a Eixo SP Concessionária de Rodovias, operadora do Lote Piracicaba-Panorama (PiPa), trechos de rodovias estaduais de São
Paulo que formam a maior concessão rodoviária do País. Este tipo de investimento favorece o turismo regional e amplia as ações de investimento de todos os setores. A região de São Paulo atendida neste lote tem circuitos turísticos importantes que fomentam roteiros ecológicos.


TW – Quais são os três lugares do mundo que mais o encantam e por quê?


GG – Sou apaixonado pelo Brasil e principalmente pelo meu Rio de Janeiro, meu estado natal.
Como bom fluminense, a cidade do Rio de Janeiro, sem sombra de dúvidas, é a mais linda do mundo.
No estado do Rio de Janeiro, a região Costa Verde (Angra dos Reis e adjacências) e Costa Azul
(Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo etc.) O Vale do Rio Paraíba (Rota do Café), com suas fazendas históricas, e cidades interessantíssimas. Saindo do estado do Rio de Janeiro, temos as regiões serranas dos estados de São Paulo e Minas Gerais, as estâncias hidrominerais, a cidade de Campos do Jordão e tantos outros atrativos na região sudeste
do país, como as cidades históricas mineiras, com suas obras de arte e excelente culinária.
Na região Centro-Oeste, as águas termais de Caldas Novas, a Chapada dos Veadeiros, o Jalapão, no Tocantins (região de beleza ímpar, necessitando de uma melhor infraestrutura para o turista). O Pantanal, tanto no estado de Mato Grosso 

do Sul (Corumbá, Bonito) quanto no estado de Mato Grosso (Cuiabá, Cárceres, Chapada dos Guimaraes), e vários outros locais.
Na região Norte começamos por Belém, a Feira do Ver o Peso, o Porto, sua culinária, a Ilha de Marajó. Subindo o Rio Amazonas, as praias lindas de Alter do Chão, cidades como Parintins e sua festa dos Bois – Vermelho e Azul, Manaus e seu lindo teatro Amazonas, os hotéis em plena selva, o arquipélago de Anavilhanas, o maior arquipélago do mundo localizado em um rio. No Rio Negro, o encontro das águas dos Rios Solimões e Negro.
Se falarmos do Nordeste vira brincadeira. Suas lindas praias e, ao agreste, os cânions do Rio São
Francisco, o Delta do próprio São Francisco.
E no outro extremo do país o Sul, com suas Serras Gaúchas, uma Europa no Brasil. O Vale do Itajaí, os litorais paranaense, catarinense e gaúcho, Região das Missões, Foz do Iguaçu.
São tantas as belezas do Brasil que falar de outros lugares, como a Espanha, a França, a Itália, a Croácia, confirma que cada local tem, assim como as pessoas, sua própria beleza e encantos. Resumindo e parafraseando o grande poeta Fernando Pessoa, “Viajar é preciso, viver…”.


TW – No topo de seus 70 anos, que conselho daria aos jovens que buscam atalhos e escolhas para suas vidas?


GG – Dar conselhos não é tarefa fácil, no entanto, quando se trata de juventude e Brasil, meu ânimo se renova.
Neste mundo globalizado, o conhecimento é peça-chave para sucesso em qualquer área, nunca acredite que sabe muito. Busque informar-se ao máximo sobre o mundo que o cerca, os fatos relevantes e de outros que tenham relação com suas atividades de estudo ou profissionais.

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