Fórum Econômico Mundial 2020: entre debates e soluções

por The Winners
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A 50ª Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum), evento que reuniu líderes políticos e empresários em Davos-Klosters, na Suíça, entre os dias 21 a 24 de janeiro, foi definida pela busca por um mundo mais sustentável e equilibrado, no qual o meio ambiente e suas necessidades passam a influenciar diretamente no capital.

O presidente do Fórum Børge Brende disse: “nossa 50ª Reunião Anual foi verdadeiramente notável, devido ao progresso real que criamos em um espectro de questões em que a colaboração público-privada é crucial. Lançamos as bases para uma década de entrega”. 

O encontro reuniu mais de 3 mil líderes globais da política, governo, sociedade civil, academia, artes e cultura, além da mídia. Reunindo-se sob o tema “Partes Interessadas por um Mundo Coeso e Sustentável”, os participantes se concentraram na definição de novos modelos para a construção de sociedades sustentáveis e inclusivas em um mundo mais plural.

Christine Lagarde, Presidente do Banco Central Europeu, compartilhou uma perspectiva relativamente otimista. Incertezas diminuíram em questões como comércio e Brexit, disse ela, e é provável que o crescimento da renda e o baixo desemprego acabem se refletindo nos preços.

“O Banco Central Europeu lançou uma ampla revisão estratégica, a primeira desde 2003, para revisar os processos e políticas do banco e recomendar mudanças estruturais”, disse ela, comprometendo-se a entregar os resultados dessa revisão na próxima reunião anual.

Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, disse: “A economia dos EUA continua a ser o ponto brilhante do mundo”. As perspectivas econômicas para 2020 são muito robustas, acrescentou. A inflação permanece silenciosa, a renda está subindo e o desemprego está próximo de mínimos históricos. “As negociações comerciais começaram com a UE e o Reino Unido e esperamos concluir esses dois acordos este ano”, disse ele.

A Alemanha embarcou em um programa expansionista de política fiscal, disse Olaf Scholz, vice-chanceler e ministro federal das Finanças da Alemanha. Os impostos foram reduzidos em cerca de US$ 25 bilhões por ano, o investimento em infraestrutura está em níveis recordes e os gastos em P&D devem atingir 3,5% do PIB.

“A economia da Alemanha continua forte e esperamos que essas medidas de investimento tenham um impacto material sobre a demanda”, acrescentou.

Borge Brende, presidente do Fórum

Capitalismo Stakeholder no Fórum Econômico Mundial 

Ao longo da Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, os líderes governamentais e empresariais compartilharam suas prioridades para o próximo ano, incluindo os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas), abordando a paridade de gênero e combatendo as ações que prejudicam o meio ambiente.

Este conceito proposto chamado de capitalismo stakeholder tem o objetivo de atender interesses de profissionais, investidores, comunidades, parceiros e demais membros da cadeia produtiva e que influenciam no meio ambiente. Por isso, mais do que nunca, o diálogo ditará as regras do jogo na próxima década.

Um bom exemplo é a Arábia Saudita, o único país do Oriente Médio no G20, que estabeleceu uma agenda ambiciosa. Sob a rubrica de “Realizando oportunidades do século XXI para todos”, o plano em três frentes se concentrará em capacitar as pessoas, salvaguardar o planeta e moldar novas fronteiras. Todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas são abordados direta ou indiretamente.

“A Arábia Saudita é mais conhecida como grande produtora de petróleo, mas também possui uma agenda ambiental agressiva”, explicou Abdulaziz Bin Salman Bin Abdulaziz Al Saud, Ministro da Energia da Arábia Saudita. Isso inclui gerenciar condições para as indústrias e a cadeia de valor alimentar e mobilidade sustentável. 

Durante o Fórum, repercutiu o anúncio realizado pela Microsoft em meados de janeiro de que a empresa terá uma pegada de carbono negativa até 2030. Assim, na próxima década, a empresa terá de eliminar da atmosfera mais dióxido de carbono do que produz.

Para a gigante tecnológica a neutralidade não é suficiente e o compromisso se estenderá até 2050, ano que a Microsoft quer eliminar todo o carbono que produziu desde a fundação, em 1975.

No site da empresa, o CEO da companhia Brad Smith disse: “reconhecemos que o progresso requer não apenas uma meta ousada, mas um plano detalhado. Estamos lançando hoje um programa agressivo para reduzir nossas emissões de carbono em mais da metade até 2030, tanto para nossas emissões diretas quanto para toda a nossa cadeia de suprimentos e valor. Vamos financiar isso, em parte, expandindo nossa taxa interna de carbono, em vigor desde 2012 e aumentada no ano passado, para começar a cobrar não apenas nossas emissões diretas, mas também as de nossas cadeias.”

A empresa também vai implantar US$ 1 bilhão em um novo Fundo de Inovação Climática para acelerar o desenvolvimento de tecnologias de redução e remoção de carbono que ajudará o mundo a se tornar negativo em carbono.

Abdulaziz Bin Salman Bin Abdulaziz Al Saud, Ministro da Energia da Arábia Saudita

Mais árvores

O Fórum Econômico Mundial lançou uma iniciativa global para plantar e conservar 1 trilhão de árvores em todo o mundo – em uma tentativa de restaurar a biodiversidade e ajudar a combater as mudanças climáticas. O projeto 1t.org visa unir governos, organizações não-governamentais, empresas e indivíduos em uma “restauração natural da natureza em massa”.

Um dia antes de seu lançamento oficial, a iniciativa recebeu o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump. Mesmo cético em relação às mudanças climáticas, Trump disse que queria mostrar “forte liderança na restauração, crescimento e melhor gerenciamento de nossas árvores e florestas”.

Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, disse: “a próxima década deve ter níveis sem precedentes de colaboração se quisermos atingir as metas globais de clima, biodiversidade e desenvolvimento sustentável. O 1t.org apresenta um exemplo importante de como as partes interessadas de todas as esferas da vida e de todas as idades podem trabalhar juntas para alcançar um objetivo único e globalmente significativo.”

A Salesforce anunciou um novo compromisso de plantar 100 milhões de árvores; a Colômbia confirmou seu compromisso atual de plantar 180 milhões de árvores até 2022; o Paquistão reafirmou sua campanha de 10 bilhões de árvores; e a Global Shapers também se comprometeu a plantar 1 milhão de árvores até 2021 em seus 400 hubs em todo o mundo.

 

Mudança

Outro ponto abordado é sobre o uso do carvão. Um acordo recente será definido para tornar a Alemanha uma zona livre de carvão até 2038, abrindo caminho para uma transição para fontes de energia mais limpas.

O acordo entre o governo e os líderes regionais estabelece um prazo de 18 anos para eliminar gradualmente as usinas a carvão da Alemanha, que são um importante impulsionador do aquecimento global.

Em uma tentativa de reduzir as emissões, o governo pretende gerar pelo menos 65% das necessidades de eletricidade do país a partir de fontes renováveis até 2030.

Christine Lagarde, Presidente do Banco Central Europeu

Visão sustentável

O Governador de São Paulo João Doria e o Ministro da Economia Paulo Guedes, foram as únicas autoridades públicas brasileiras convidadas a participar como conferencistas nos diversos painéis de debate promovidos em Davos. Também foi a terceira participação seguida de Doria como conferencista convidado do Fórum Econômico Mundial.

Durante o Fórum Econômico Mundial, o Governador foi conferencista em dois painéis e esteve em 34 reuniões com líderes empresariais e representantes de governos de todo o mundo. Doria foi palestrante ao lado de nomes como o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore e o presidente da Colômbia, Iván Duque.

A comitiva do Governo de São Paulo também contou com a participação dos Secretários de Estado Julio Serson (Relações Internacionais) e Patricia Ellen (Desenvolvimento Econômico).

Ministro da Economia, Paulo Guedes

Nas palestras, Doria pontuou que o progresso nos próximos 50 anos está diretamente ligado à nova revolução digital, controle das mudanças climáticas e redução da desigualdade social.

Ele apresentou exemplos adotados em São Paulo que permitem soluções inovadoras e melhorias diretas na qualidade de vida da população. Um deles foi a concessão Piracicaba/Panorama, que prevê compensação de emissões de gás carbônico por parte do grupo privado que assumirá cerca de 1,2 mil km em rodovias no Estado.

O Fórum terminou com importantes anúncios para São Paulo. Seis empresas confirmaram investimento somado de R$ 17,2 bilhões em várias regiões do Estado. “A soma de compromissos destas seis empresas nesses próximos quatro anos é de R$ 17,2 bilhões. Um resultado excepcionalmente bom para São Paulo”, declarou o Governador. “Com novos investimentos, você tem mais empregos e mais prosperidade econômica”, acrescentou Doria. 

As empresas que declararam interesse em fazer novos aportes em São Paulo atuam em áreas como infraestrutura, logística, geração de energia, celulose, alimentação e bens de consumo.

A lista inclui a asiática Bracell, as europeias Nell Energia, Enel e Acciona e as norte-americanas Procter & Gamble e PepsiCo. “São Paulo foi tratado como um país devido à força de sua economia e seus 46 milhões de habitantes. Há muito respeito por São Paulo e, felizmente, pelo trabalho que o Governo do Estado tem realizado”, declarou Doria.

“Trabalhamos com foco e objetividade. Investimos nosso tempo para proporcionar novos empregos, prosperidade e paz social”, concluiu. 

A agenda do Governo de São Paulo também incluiu o seminário “New Era in Latin America” – com os presidentes do Paraguai, Costa Rica, Colômbia (Iván Duque), Equador (Lenín Moreno) e Peru (Martín Cornejo) – e um jantar com integrantes do banco BTG Pactual.

Esta foi a primeira missão internacional do Governo de São Paulo em 2020 com o objetivo de atrair investimentos externos e impulsionar a economia estadual que, em 2019, teve crescimento projetado de 2,6% – o dobro da estimativa para o PIB brasileiro, de acordo com a Fundação Seade.

Na edição do ano passado, em um único encontro, Doria garantiu cerca de R$ 7,5 bilhões de investimentos da Bracell
em São Paulo. A gigante asiática do setor de celulose está expandindo a unidade em Lençóis Paulista, na região de Bauru. Durante o pico de implantação, a Bracell deve empregar até 7.500 trabalhadores. 

João Doria, Governador de São Paulo

Atualmente, o Governo de São Paulo tem 21 projetos de concessão e PPPs (Parcerias Público-Privadas) em andamento. A perspectiva é que o pacote gere investimentos da ordem de R$ 40 bilhões aos cofres paulistas.

Os objetivos dos 12 polos de desenvolvimento econômico são identificar o aumento da produtividade da indústria, atrair investimentos, impulsionar a inovação e a geração de emprego e renda, reunindo na mesma região geográfica políticas para determinados setores produtivos.  

Em cinco dias de viagem, a comitiva do Governo de São Paulo se reuniu com Veronica Scotti, diretora global de Soluções para Setor Público do Grupo Swiss Re; Paula Santilli, CEO da PepsiCo América Latina; Mark Machin, Presidente e CEO da CPP Investment Board Canada – CPPIB; Anderson Tanoto, Diretor da RGE (Royal Golden Eagle); Simon Cooper, CEO da Standard Chartered Bank; e Jes Staley, CEO da Barclays; John Holland-Kaye, CEO do Heathrow Airport; Masayoshi Son, CEO da Softbank Group; Francesco Starace, CEO da Enel; Leif Johansson, presidente mundial da Astrazeneca.

Revolução Industrial 

João Doria e Patricia Ellen, anunciaram no dia 22 de janeiro, durante o próprio Fórum Econômico em Davos, que as empresas Bracell e a farmacêutica AstraZeneca serão as primeiras associadas ao Centro Afiliado da 4ª Revolução Industrial.

A instalação desse centro, que é o oitavo no mundo, será estabelecida em São Paulo, no campus do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). “Iniciativa pioneira e inovadora do Governo de São Paulo e do Fórum Econômico Mundial. A quarta revolução industrial é um passo para o futuro, gerando empregos, fortalecendo o empreendedorismo e colocando São Paulo na plataforma mundial”, afirmou o Governador João Doria durante o Fórum Econômico Mundial. 

A medida marca o comprometimento formal da 4ª Revolução Industrial no Brasil, em parceria com a iniciativa privada. A inauguração do escritório no IPT acontecerá durante o Fórum Econômico Mundial para a América Latina, em maio de 2020.

Com isso, o Brasil se insere na rede dedicada à governança global de tecnologia junto com China, Japão, Índia, Colômbia, Israel e Emirados Árabes.

“Estamos entusiasmados com o fato do Brasil se juntar à rede do Centro da 4ª Revolução Industrial. Como a maior economia da América Latina, é vista como um modelo para a região. Estamos ansiosos para acelerar o impacto das tecnologias da 4ª Revolução Industrial para que muitos possam se beneficiar”, disse o Diretor do Centro da 4ª Revolução Industrial do Fórum Econômico Mundial, Murat Sönmez.

Donald Trump, presidente dos EUA

Patricia Ellen enfatizou a importância de elaborar políticas inteligentes e inovadoras. “Esta é uma iniciativa que coloca São Paulo e o Brasil na fronteira da governança global de novas tecnologias. E o papel deste Governo é justamente valorizar e colocar o investimento em ciência e tecnologia como pilar fundamental da retomada da produtividade e do crescimento econômico”, afirmou.

Inicialmente, o Centro da 4ª Revolução Industrial no Brasil atuará com marcos regulatórios e políticas públicas que acelerem a implementação, no território nacional e no mundo, de políticas de dados, Internet das Coisas, cidades inteligentes, robótica, Inteligência artificial e blockchain.

Como parte da rede global do Fórum Econômico Mundial, as equipes trocarão conhecimento e irão acelerar o processo global de adoção de tecnologia. 

O Estado de São Paulo e o IPT se preparam para receber essa iniciativa, que está alinhada às ações de todo o Governo no objetivo de estimular a inovação e o empreendedorismo, voltados a projetos com impacto mundial em benefício de toda sociedade.

O Centro da 4ª Revolução Industrial faz parte do Projeto CITI (Centro Internacional de Tecnologia e Inovação), que já está em andamento, e tem como objetivo criar o Vale do Silício brasileiro, tornando São Paulo uma referência global em ciência, tecnologia e inovação.

Klaus Schwab, fundador e presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial
Ignacio Galán, Presidente e CEO do grupo Iberdrola

Oceanos

Príncipe Albert II de Mônaco foi um dos principais nomes na apresentação What’s at Stake: Our Ocean, promovida no dia 23 de janeiro, na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial 2020 em Davos-Klosters. O principado conta hoje com diversas ações em busca da sustentabilidade e preservação ambiental, principalmente com foco nos oceanos.

Príncipe Albert II de Mônaco

Energia limpa

No Fórum, João Doria, Patricia Ellen e Julio Serson, se reuniram também com o Presidente e CEO do grupo Iberdrola, Ignacio Galán, e anunciaram o investimento de R$ 8,8 bilhões da multinacional espanhola para São Paulo e outros Estados brasileiros.

O recurso, que faz parte do plano de investimentos da empresa no Brasil até 2023, vai beneficiar o sistema de energia, programas sociais e modernizar tecnologias da área de energia. “Fico feliz em ver que nossos esforços para atrair novos investimentos e recuperar a confiança do mercado internacional estão dando bons resultados. Mais empregos e renda para os brasileiros de São Paulo”, disse Doria.

Do total do investimento, R$ 2,1 bilhões serão para o Estado de São Paulo e R$ 6,7 bilhões para outras regiões do país. A Iberdrola tem mais de 170 anos de história, é líder do setor energético global, além de ser a primeira geradora eólica e uma das maiores empresas de energia elétrica em valor de mercado do mundo.

“Muito bom ver que o trabalho liderado pelo Governador João Doria está recuperando a confiança do mercado internacional e atraindo novos investimentos para o nosso Estado e para o Brasil”, afirmou Ellen.

Ignacio Galán ressalta que o investimento da Iberdrola nos próximos anos no Brasil é em torno de R$ 30 bilhões e cerca de 25% desse valor será destinado para o Estado de São Paulo. “Se o Brasil vai bem é porque São Paulo vai bem. O nosso compromisso com o país é total e estamos muito satisfeitos com essa parceria”.

O grupo Iberdrola fornece energia para aproximadamente 100 milhões de pessoas nos países onde atua. No Brasil, é mantenedora da Elektro, concessionária da Neoenergia, que foi eleita 10 vezes a melhor distribuidora de energia do país e mantém 2,6 milhões de clientes e 3,7 mil colaboradores, que trabalham diariamente para distribuir energia para 228 municípios dos Estados de São Paulo (nas regiões de Campinas e Vale do Ribeira) e Mato Grosso do Sul.

Iván Duque, presidente da Colômbia
Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA

Economia brasileira

No dia 21 de janeiro, o Ministro da Economia Paulo Guedes se reuniu com o professor Klaus Schwab. Em seguida, participou do painel Formando o Futuro da Manufatura Avançada, que discutiu os avanços tecnológicos na indústria.

“Está havendo uma compreensão internacional de que o Brasil tem uma democracia que funciona, que o Congresso está aprovando as reformas, que o presidente e o Congresso são reformistas, que as agendas de reformar vão progredir e que o Brasil está retomando o crescimento econômico”, revelou o ministro durante entrevista. 

O ministro também se encontrou com o presidente do Grupo UBS (conglomerado financeiro da Suíça), Axel Weber, e com o presidente e diretor jurídico da Microsoft, Brad Smith.

O ministro participou de um almoço privado com representantes do banco Itaú-Unibanco, onde fez uma apresentação.

Entre outros encontros, Guedes participou do painel Perspectivas Estratégicas: América Latina e teve um encontro com os ministros das Finanças da Suíça, Ueli Maurer, e de Assuntos Econômicos e Educação, Guy Parmelin. De lá, o ministro encontro-se com Mark Machin, presidente e diretor-executivo (CEO) do fundo de pensão Canadian Pension Investment Board.

O ministro encerrou sua intensa agenda com mais três encontros com representantes de multinacionais. Ele conversou com o presidente da administradora de sistemas de pagamento Visa, Ryan McInerney; com o CEO global da siderúrgica indiana Arcelor Mittal, Lakshmi Mittal; e com o presidente e CEO da montadora Chevron, Mike Wirth.

Resultados da Reunião Anual 2020

Em uma carta enviada aos participantes antes da Reunião Anual, Klaus Schwab, o Fundador e Presidente Executivo do Fórum, e os chefes do Bank of America e da Royal DSM, pediram a todos os membros e parceiros que se comprometessem a alcançar as emissões líquidas de carbono zero até 2050 ou mais cedo. 

Parcialmente inspirada por isso, a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial 2020 alcançou vários resultados que fizeram progressos em direção a um mundo mais sustentável por meio de projetos que preservem o equilíbrio, diminuam desigualdades, gerem novos empregos e não permitam que a temperatura suba a níveis alarmantes. Confira:

Competências e Trabalho

• A Revolução de Reskilling foi lançada para fornecer melhor educação, habilidades e empregos a 1 bilhão de pessoas até 2030, com o apoio inicial dos governos do Bahrein, Brasil, Dinamarca, França, Índia, Omã, Paquistão, Cingapura, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos e parceiros de negócios, incluindo PwC, Salesforce, ManpowerGroup, Infosys, LinkedIn, Coursera Inc. e The Adecco Group. Compromissos para fornecer melhor educação, habilidades e trabalho para 250 milhões de pessoas já foram assumidos. A comunidade Global Shaper do Fórum comprometeu-se ainda a fornecer habilidades para 100 mil pessoas em comunidades vulneráveis.

• A Parceria para a Igualdade LGBTI Global, lançada em Davos no ano passado para acelerar a inclusão de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais (LGBTI), anunciou que aumentou sua participação em 17 empresas internacionais.

 

Crescimento inclusivo

• O Conselho Internacional de Negócios, incorporando 140 das maiores empresas do mundo, concordou em apoiar os esforços para desenvolver um conjunto principal de métricas e divulgações comuns que poderiam ser usadas para medir o progresso do setor privado em relação às principais metas ambientais, sociais e de governança (ESG).

• A Plataforma de Crescimento Amigos de África de Davos foi lançada com o apoio dos Presidentes do Botswana e Gana para promover o empreendedorismo na África. O objetivo inicial da plataforma é atingir 1 milhão de empreendedores até o final de 2020.

• Foi assinada uma parceria estratégica entre o Fórum Econômico Mundial e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para acelerar o progresso em direção a um crescimento inclusivo e sustentável globalmente.

• Cerca de 42 organizações, incluindo empresas de mineração, automotiva, química e energia, com uma receita combinada de US$ 1 trilhão de dólares, concordaram em 10 princípios orientadores para uma cadeia de valor sustentável da bateria, possibilitada por uma plataforma de rastreabilidade chamada Battery Passport .

• O estado australiano de Queensland anunciou que se juntará à Rede Global de Faróis do Fórum em uma tentativa de ajudar pequenas e médias empresas a adotar tecnologias avançadas de fabricação.

 

Salvando vidas

• O CEPI, a Coalizão de Inovações para a Prevenção de Epidemias, lançada em Davos em 2017, anunciou o início de três programas para desenvolver vacinas contra o novo coronavírus, o nCoV-2019. A ação rápida foi possibilitada pelo fato de os líderes das organizações parceiras estarem todos em Davos.

• O Fórum Econômico Mundial anunciou uma parceria com a Global CEO Initiative (CEOi) para formar uma coalizão para acelerar diagnósticos e tratamentos para a doença de Alzheimer.

 

Comércio

• Os ministros de Davos anunciaram negociações entre 99 economias sobre um novo acordo internacional sobre facilitação de investimentos na OMC. O acordo visa facilitar o fluxo do investimento entre as economias e aumentar o impacto no desenvolvimento.

• Enquanto o EUA e França concordaram com uma suspensão do imposto digital durante a Reunião Anual, o Fórum recebeu um mandato de parceiros com múltiplas partes interessadas para desenvolver ainda mais a compreensão de partes interessadas e contribuir para as reformas tributárias internacionais e ajudar na busca de soluções amplamente suportadas.

• O Fórum fez uma parceria com o governo japonês em um esforço de várias partes interessadas para encontrar mecanismos práticos para permitir o “Fluxo Livre de Dados com Confiança” gratuito, em apoio ao processo de Osaka Track, iniciado no G20 em 2019.

 

Sociedade civil

• A Fundação Schwab para o empreendedorismo social anunciou que sua comunidade melhorou a vida e o sustento de mais de 622 milhões de pessoas em 190 países desde 2000. Os impactos incluem a distribuição de US$ 6,7 bilhões em empréstimos ou valor de produtos e serviços; mitigar mais de 192 milhões de toneladas de CO2; melhorar a educação para mais de 226 milhões de crianças e jovens; melhorar o acesso à energia para mais de 100 milhões de pessoas e impulsionar a inclusão social para mais de 25 milhões de pessoas.

• 11 executivos de ONGs unidos para interromper a venda do domínio .org a uma empresa de private equity. Os diretores executivos do Greenpeace Internacional, Acesso Agora, Human Rights Watch, ACLU, Confederação Sindical Internacional, Sierra Club, Anistia Internacional, Consumer Reports, 350.org, Color of Change and Transparency International divulgaram uma carta aberta em 21 de janeiro de 2020 “apelando os líderes da Internet Society (ISOC) e da Internet Corporation para nomes e números atribuídos (ICANN) para interromper a venda do domínio de primeiro nível .org para a empresa de private equity Ethos Capital ”.

 

Combate às mudanças climáticas

• Novos CEOs se inscreveram na comunidade de líderes climáticos do fórum. A comunidade está comprometida em ajudar suas respectivas empresas a cumprir os Objetivos Climáticos de Paris. Novos membros incluem: AstraZeneca; Bayer AG; BBVA, Dalmia Cement; Grupo de Engenharia Jacobs; JLL; Newmont Corporation; OVG Real Estate e Zurich Insurance Group.

• A Iniciativa de Mercados Sustentáveis, apoiada por um Conselho de Mercados Sustentáveis, foi lançada por HRH The Prince of Wales em colaboração com o Fórum Econômico Mundial, com o objetivo de promover uma transição para mercados sustentáveis e uma rápida descarbonização em todo o setor.

• A comunidade de Manufatura e Produção Avançada do Fórum lançou a Iniciativa de Redução de Carbono na Manufatura com Johnson & Johnson, Schneider Electric e Unilever, com o apoio do Generation Investment Management de Al Gore para atingir uma meta de reduzir as emissões de carbono na manufatura em 50% até 2030.

• Foi lançado o Champions for Nature, um grupo de alto nível que pedia maior ambição pela natureza. É presidido pelo diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o CEO da Unilever e o presidente da Costa Rica. O lançamento seguiu um novo relatório Nature Risk Rising, que descobriu que mais da metade do PIB total do mundo é altamente dependente da natureza.

 

Metas de desenvolvimento sustentável

• A fronteira 2030 foi lançada como uma plataforma para alavancar as tecnologias da Quarta Revolução Industrial para acelerar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A plataforma é presidida pelo PNUD em parceria com os governos do Botsuana, Coréia do Sul e Noruega, além do compromisso do setor privado da Microsoft, Google, Cisco, Arm, Planet Labs, X, Amazon Web Services e Chipsafer. 

• A Food Action Alliance foi lançada por mais de 25 parceiros do Fórum Econômico Mundial, agências da ONU, empresas, organizações de agricultores, sociedade civil e instituições financeiras para dimensionar a ação coletiva e transformar os sistemas de alimentos em sustentáveis, nutritivos e saudáveis, eficientes e inclusivos.

 

Tecnologias emergentes

• O Fórum fez parceria com uma comunidade de 40 bancos centrais, organizações internacionais, pesquisadores acadêmicos e instituições financeiras para criar uma estrutura para ajudar os bancos centrais a avaliar, projetar e potencialmente implantar a Moeda Digital do Banco Central (CBDC).

• O Fórum Econômico Mundial, em colaboração com 100 partes interessadas, produziu o Empowering AI Toolkit para ajudar os membros do conselho a entender melhor as implicações positivas e negativas da implantação da inteligência artificial.

• O Governo do Brasil, juntamente com o Fórum Econômico Mundial e principais partes interessadas do negócio, implementou um conjunto de novas intervenções de políticas escaláveis para aumentar a adoção bem-sucedida da Internet industrial das tecnologias de coisas pelas pequenas e médias empresas na fabricação.

• Os parceiros da Rede Global do Centro para a Quarta Revolução Industrial, incluindo Brasil, Colômbia, Japão e Arábia Saudita, ampliaram seu compromisso de garantir uma governança responsável e ética das tecnologias de cidades inteligentes por meio da Aliança Global de Cidades Inteligentes do G20 em Governança Tecnológica, liderada pelo Fórum Econômico Mundial.

 

Segurança digital

• Um grupo de líderes do setor privado de empresas de segurança cibernética, provedores de serviços e corporações globais, juntamente com as agências policiais, Interpol e Europol, concordaram em trabalhar em conjunto com o Fórum Econômico Mundial até 2020 para promover uma aliança público-privada global contra o cibercrime.

• Uma comunidade de partes interessadas importantes de organizações internacionais, governo e empresas foi formada para reforçar a resiliência cibernética na aviação global.

Greta Thunberg e HRH The Prince of Wales

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