Tecnologia a favor dos ciclistas urbanos

por admin
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App UseBike auxilia ciclistas que utilizam a bike como meio de transporte alternativo, principalmente na cidade de São Paulo

A relação da bicicleta com a cidade de São Paulo, embora pareça recente, já vem de longa data. A primeira ciclovia da cidade foi inaugurada em 1976, em conjunto com a Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, e tinha 1.800 metros de extensão. Um segundo marco aconteceu em 1997, quando foi aprovado o novo Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9503/97), que reconhece a bicicleta como veículo movido a propulsão humana.

No ano de 2015, durante a gestão de Fernando Haddad, é criada a Câmara Temática de Bicicleta, com o intuito de discutir políticas cicloviárias e avaliar o interesse público dos projetos que incluíssem a bicicleta como meio de transporte. E então, em 2016, Haddad conclui a promessa e entrega mais de 400 km de ciclovias.

É exatamente neste período que nasce o aplicativo UseBike, fundado pelos empresários Luigi Godoy, Thiago Turbian e Helena Ruffato.

“Eu e Luigi fizemos uma viagem para a Argentina e observamos a quantidade de ciclofaixas que têm em Buenos Aires e em alguns outros lugares do país. Associamos isso ao projeto do ex-prefeito Fernando Haddad da construção de mais 400 km de ciclofaixas na cidade de São Paulo. Foi então que pensamos que ciclista brasileiro teria a necessidade de uma ferramenta que pudesse auxiliar na mobilidade urbana, diferente do que já existia na época”, conta Thiago Turbian, CEO do UseBike.

O app tem duas funcionalidades principais: a indicação de rotas seguras, planas e rápidas e localização de forma colaborativas de locais bike friendly como duchas, paraciclos, bicicletarias, aluguel de bike, entre outros. “Entendemos na época que não existia nada que auxiliasse e incentivasse o ciclista a pedalar nas ciclovias. Por se tratar de uma modalidade de transporte pouco utilizada na cidade, fizemos uma pesquisa aprofundada no assunto para entender qual era o maior empecilho para a pessoa começar a pedalar, e chegamos à conclusão que o medo e a falta de respeito dos motoristas – seja de moto, carro, ônibus ou caminhão era determinante”, conta Godoy, co-founder da startup, responsável pela área de marketing, projeto e produto.

A criação da startup, segundo Turbian, foi baseada em três pilares principais: projeto, tecnologia e investimento. “Primeiro, fizemos uma vasta pesquisa do que deveria conter no aplicativo para criar um primeiro projeto, sempre ouvindo o usuário final, ou seja, quem anda bicicleta não somente no Estado de São Paulo, mas também em outras capitais, como Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília. Depois, buscamos um bom desenvolvedor, que pudesse desenvolver o app com qualidade. Por fim, e não menos importante, buscamos trazer investidores de smart Money, ou seja, aqueles que, além do dinheiro, pudesse também abrir outras portas para nós. Hoje, temos dois investidores-anjos no UseBike, que estão conosco desde a fase inicial, que estão sempre nos dando apoio, além do capital que foi investido no início do projeto”, exemplifica o CEO.

Hoje, a cidade de São Paulo possui 498,3 km de vias com tratamento cicloviário permanente, sendo 468 km de ciclovias/ciclofaixas e 30,3 km de ciclorrotas. “A cada ano o número de ciclistas aumenta na cidade de São Paulo. O mercado de bike também vem em um movimento crescente junto a este número de ciclistas. A estimativa é que estes números continuem crescendo nos próximos anos”, afirma Godoy. Atualmente, o aplicativo tem aproximadamente 650 usuários por dia – e a expectativa é de crescimento.

O UseBike funciona no Brasil todo – e no mundo inteiro –, mas a intenção da startup é otimizar e reforçar a atuação fora de São Paulo. “O primeiro passo para fora do estado será para o RJ, cidade que concentra grande parte de nossos usuários (2ª posição no ranking dos estados que mais utilizam o UseBike)”, comenta Godoy.

O app é gratuito e não é necessário fazer login para utilizá-lo. “Hoje temos uma relação de patrocínio com o Bradesco Seguros, portanto as ciclofaixas de lazer de domingos e feriados ficam destacadas no mapa também, e algumas outras funcionalidades para os ciclistas virão como novidade no app em breve com esta parceria”.

Hoje temos uma relação de patrocínio com o Bradesco Seguros, portanto as ciclofaixas de lazer de domingos e feriados ficam destacadas no mapa também, e algumas outras funcionalidades para o ciclistas virão como novidade no app em breve com esta parceria.

Este ano promete muitas novidades para os usuários da ferramenta. “Temos grandes planos para 2019, muitas novidades no app. Queremos trazer novas funcionalidades, como a navegação por voz, que é muito requisitado por nossos usuários”, diz o co-founder.

Turbian conta que os planos do UseBike para 2019 estão direcionados aos novos players que oferecem locação tanto de bicicletas quanto de patinetes – comuns e elétricos. “Estamos muito atentos a isso e desenvolvendo cada vez melhor o nosso algoritmo para que a gente possa atender essa quantidade grande de novos ciclistas que vão vir para a cidade e que precisam ter uma indicação de rota segura”.

Infraestrutura da cidade de SP

Embora os avanços tenham sido grandes num determinado período na cidade de São Paulo, ainda falta infraestrutura para que a bicicleta s consolide como um meio de transporte entre os paulistas. “Para uma cidade de 22 milhões de habitantes, falta muito chão a ser pintado de vermelho. As ciclovias mal chegam nas periferias da cidade, se concentram muita na área central. As interligações são raras. E a infraestrutura é falha: falta sinalização, condições no asfalto e estratégia de implementação. Sem contar que algumas ciclovias foram desativadas pelo altíssimo índice de acidentes, por terem sido construídas em locais não apropriados”, afirma Godoy. Para ele, o que falta é planejamento. “A iniciativa de implementar a ciclovia na cidade foi ótima, porém agora a gestão da cidade precisa estudar, estruturar e planejar uma melhor e mais consciente implementação. E não só da ciclovia, mas todo o macroambiente que envolve o assunto, por exemplo ônibus e metrô com estrutura para bicicleta”, completa.

Para Turbian, mesmo com o aumento exponencial da estrutura cicloviária na gestão de Fernando Haddad, a cidade ainda está longe de um projeto de mobilidade urbano alternativo ideal. “Durante os dois primeiros anos da gestão João Doria e agora com Bruno Covas, os avanços foram mínimos com relação a estrutura da cidade, mas tivemos grandes avanços com relação ao mercado. Foi revista a legislação e foi aberta a entrada de novos players. Sem dúvida, o que falta e muito é quilômetros de estrutura cicloviária”, diz o CEO, e completa: “Não é só faixa pintada na rua, mas melhorar a qualidade da sinalização, e estamos falando de segurança para o ciclista. O básico ainda está faltando. Arrisco dizer que nos últimos dois anos, São Paulo perdeu o crescimento voraz que estava tendo em relação a mobilidade urbana alternativa que estava tendo nos últimos anos. A nossa maior preocupação, e é onde a gente mais se apoia em termos de política pública, é melhorar e é construir mais estrutura para o ciclista.

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