E-Digital: Uma estratégia brasileira para a transformação digital

por The Winners
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Artigo escrito por Francisco Antonio Soeltl, CEO da MicroPower E-Digital Evangelist

A Estratégia Brasileira para a Transformação Digital (E-Digital) é o resultado de uma iniciativa do Governo Federal, coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que contou com a ativa participação dos membros do Grupo de Trabalho Interministerial responsável pela sua elaboração.

Este núcleo formulador interagiu com um conjunto de mais de 30 entidades da Administração Pública Federal, ao longo de todo o processo.

A E-Digital é de extrema importância para a geração de empregos, melhoria da produtividade das Pessoas, competitividade dos Negócios, geração de USD 115 bilhões adicionais ao PIB brasileiro, melhoria dos serviços públicos, redução do custo do Estado, bem como o progresso no posicionamento do Brasil na economia mundial.

Com este entendimento comum, os Agentes Econômicos e Públicos vêm trabalhando de forma permanente e colaborativa, desde 2015, em sua concepção, formulação, publicação e aplicação, como um exemplo de Política de Estado e não apenas de Governo.

 

Histórico

Sob a coordenação do MBC – Movimento Brasil Competitivo (1), e de forma colaborativa, 16 Instituições contribuíram para a concepção do Manifesto Brasil Digital (2), com o propósito de: “Criar um Brasil onde todos tenham ao alcance o poder da Transformação Digital, alavancando o desenvolvimento público e privado.”

O Manifesto Brasil Digital contemplou 27 pilares como focos de atuação, distribuídos em sete Eixos de Transformação: Digitalização no Setor Público, Digitalização no Setor Privado, Ambiente Regulatório e Normatizações, Força de Trabalho Digital, Inovação e Empreendedorismo Digital, Infraestrutura Digital e Governança do Programa.

Este Manifesto foi entregue pessoalmente pelo grupo de trabalho ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Telecomunicações e à Casa Civil, em setembro de 2016 e janeiro de 2017, respectivamente, e inspirou a elaboração da E-Digital: Estratégia Brasileira para a Transformação Digital, que foi publicada através do Decreto 9.319 em 21/03/2018, pela Presidência da República, que em seu escopo contemplou todos os 27 pilares em seus quatro eixos de Transformação e cinco eixos de Habilitadores, como veremos a seguir:

A E-Digital reflete um amplo engajamento do setor produtivo, da comunidade científica, acadêmica e da sociedade civil, em diversas etapas do trabalho.

Houve expressiva participação nos seminários e workshops durante o processo de formulação da Estratégia, assim como na Consulta Pública ao documento-base, que recebeu milhares de acessos e contribuições e tem como propósito: “Aproveitar todo o potencial das tecnologias digitais para alcançar o aumento da produtividade, da competitividade e dos níveis de renda e emprego por todo o País, visando a construção de uma sociedade livre, justa e próspera para todos.”

 

E-Digital: Fundamentos e Estrutura

As tecnologias digitais estão cada vez mais presentes na vida de todos: em casa, no trabalho, nas escolas, nos meios de comunicação e nas relações sociais.

Para que o Brasil possa se beneficiar da revolução digital, colhendo todos os benefícios que a sociedade da informação e do conhecimento tem a oferecer, a economia nacional deve se transformar com dinamismo, competitividade e inclusão, absorvendo a digitalização em seus processos, valores e conhecimento.

A economia do futuro será digital e deverá alcançar todos os brasileiros, proporcionando igualdade de oportunidades em todas as regiões do País, gerando empregos e adicionando USD 115 bilhões (3) ao PIB brasileiro, até 2021.

Em sua concepção, a E-Digital considerou a contextualização das ações estratégicas nas grandes agendas internacionais para o desenvolvimento.

Entre elas, destacam-se os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (4) da Agenda 2030 das Nações Unidas. Dentre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e suas 169 metas associadas, uma é específica e possui indicadores relativos às Tecnologias da Informação e Comunicação (5).

No entanto, a Transformação Digital pode influenciar direta ou indiretamente vários dos demais objetivos e metas dos ODS:

Objetivo 1 – Erradicação da Pobreza: inclusão financeira dos mais pobres, pela combinação de terminais móveis com acesso à Internet, pagamentos móveis e novos instrumentos financeiros no ambiente digital.

Objetivo 2 – Fome Zero: Internet das Coisas, aumentando a produtividade na agropecuária, reduzindo perdas no campo e na logística de transporte e distribuição.

Objetivo 3 – Saúde e Bem-Estar: uso de terminais móveis com acesso a bases de dados médicos e viabilizando prontuários eletrônicos; e a Internet das Coisas, com monitoração e diagnóstico remotos.

Objetivo 4 – Educação de Qualidade: computadores com acesso a conteúdos digitais, ensino a distância, treinamento de professores e capacitação profissional.

Objetivo 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura: ampliação da infraestrutura de acesso à Internet, empreendedorismo digital e Internet das Coisas.

Objetivo 13 – Combate às Alterações Climáticas: redes de sensores combinadas com terminais de acesso à Internet possibilitam ação rápida na prevenção e mitigação de desastres naturais.

Objetivando promover a Digitalização da Economia e a Cidadania Digital, a E-Digital está fundamentada em cinco eixos Habilitadores: Infraestrutura, P&D + Inovação, Confiança, Educação e Internacionalização para operacionalizar a Digitalização da Economia e a Cidadania Digital, e quatro eixos de Transformação, sendo três deles para suportar a Economia Digital: Economia baseada em dados, Um mundo de dispositivos conectados e Novos modelos de negócio, e um para suportar a Cidadania e Governo Digital, com vistas ao pleno exercício da cidadania no mundo digital e à prestação de serviços à sociedade.

A partir do diagnóstico da situação atual e da definição de uma visão futura, para estes nove eixos foram definidas 100 ações estratégicas e os respectivos indicadores, com a seguinte distribuição (acima).

No endereço que se segue, você pode acessar a íntegra do documento publicado para suportar a E-Digital: https://institutomicropower.com/biblioteca/

 

Foco nas Pessoas:

Considerando que o engajamento das Pessoas é de fundamental importância para o sucesso das iniciativas e projetos para a Transformação Digital que está ocorrendo em nível Global, em velocidade exponencial, e provocando a redução do tempo para a absorção dessas mudanças, destacamos neste artigo cinco das nove ações estratégicas do eixo Habilitador: Educação e Capacitação Profissional, que consideramos essenciais:

 

Educação com resultados no médio e longo prazos:

Priorizar a implementação de competências no Ensino Fundamental, associadas ao Pensamento Computacional, tal como definido na Base Nacional Curricular Comum. Ampliar a conectividade em banda larga nas escolas urbanas e rurais, combinando soluções de conectividade, por cabeamento de fibra ótica, rádio e satélite, com o aumento da velocidade de acesso nas escolas já atendidas pela rede terrestre de telecomunicações, e com a estruturação de um novo modelo de financiamento da Internet de alta velocidade, para o sistema de educação pública.

Priorizar, no modelo do Novo Ensino Médio, o reforço nas disciplinas do grupo STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e as trilhas de formação técnica, para atuação em setores da economia digital, tendo em conta a importância de estimular meninas e mulheres a buscarem carreiras em áreas relacionadas às TICs, bem como alinhar a oferta de cursos com as demandas empresariais.

 

Capacitação Profissional com resultados no curto prazo:

Promover maior interação entre o setor privado e as instituições de ensino (universidades, institutos de pesquisa e de capacitação profissional e técnica), a fim de incorporar as demandas e necessidades das empresas digitais do futuro, aplicando conceitos como lifelong learning e educação vocacional.

Facilitar a obtenção de certificados e o reconhecimento, junto aos cursos tradicionais, de conteúdos adquiridos em treinamentos vocacionais, seja por meio de parcerias com instituições de ensino vocacional e/ou com empresas ou outras entidades.

Assim, é de fundamental importância o foco no desenvolvimento das Pessoas, para que estejam preparadas e possam se beneficiar das incríveis inovações que já estão mudando a forma como vivemos e nos relacionamos.

Para tanto, precisaremos contar com os profissionais que mais entendem de Gente: os Profissionais de RH, que, para atenderem às demandas da Indústria 4.0, como é popularmente conhecido o estágio atual da Transformação Digital em todo o mundo, precisarão assumir o papel de Protagonistas, juntamente com os profissionais das TICs – Tecnologias da Informação e Comunicação, ombro a ombro, lado a lado, para suportarem os desafios que estão sendo colocados para seus CEOs, pela competitividade cada vez mais acentuada nos mercados locais e globais.

 

RH 5.0 – Protagonista na Transformação Digital

Objetivando sensibilizar e preparar os Profissionais de RH, e contribuir com a implantação da E-Digital, o Instituto MicroPower para a Transformação Digital, contando com o apoio da ABRH – Associação Brasileira de Recursos Humanos – e do MBC – Movimento Brasil Competitivo –, iniciou em março de 2018 o projeto tático: RH 5.0 – Protagonista na Transformação Digital, pois na Indústria 4.0, o RH precisará ser vanguardista e antecipar-se às demandas, apoiando o preparo das Pessoas no seu desenvolvimento para as profissões futuras.

Um dos entregáveis deste projeto é a primeira versão do Produto Mínimo Viável do PDI – Plano de Desenvolvimento Individual do RH 5.0, com suas seis novas Competências e Responsabilidades:

Pensamento Ágil – Agile Mindset:

A Transformação Digital é muito mais do que a simples digitalização de processos; é um novo conceito de sociedade, um novo modelo organizacional, um novo conceito de gestão, que é caraterizado por uma nova mentalidade: o Agile Mindset.

A dificuldade habitual da transformação de novos comportamentos e crenças é acrescida pela velocidade exponencial da Transformação Digital, para a qual hoje poucos estão preparados. A melhor forma de capacitar o Head de RH é através da vivência homeopática (pequenas vivências sucessivas) de experiências Ágeis, aplicando suas ferramentas e metodologias no dia a dia: Design Thinking, Design Sprint, Scrum, Squads, Tribes, Kanban, Canvas, entre outras.

Essas vivências irão gradativamente ajustando o modelo mental das Pessoas, reformulando o modelo de Gestão e a Cultura existentes.

 

Gestão de Mudanças – Change Management

Com a Transformação Digital, estamos todos vivenciando uma grande mudança em velocidade exponencial, provocada pela aplicação simultânea de duas ou mais tecnologias atuais e disruptivas e, neste contexto, é fundamental que as Pessoas estejam receptivas para absorver suas aplicações, pois invariavelmente essas mudanças irão tirá-las da zona de conforto.

Para tanto, temos que empreender a mudança para torná-la duradoura, colocando foco em três ações: Comunicação, Engajamento e Capacitação.

 

Gestão de Conflitos:

Toda mudança gera desconforto e desalinhamento de expectativas, que, se não forem tratadas de forma adequada pelas Lideranças nas relações com seus liderados, ou mesmo pelas Pessoas em suas relações pessoais e sociais, gera conflitos.

Estar preparado para antecipar e lidar com esses potenciais conflitos é uma das responsabilidades e competências que o RH 5.0 precisará adquirir e repassar para todos em suas instituições, construindo, assim, um ambiente colaborativo e de confiança.

 

Curadoria da Cultura Organizacional:

Com a aplicação do Agile Mindset, a Transformação Digital provoca alguns ajustes na Cultura Organizacional, que serão mais facilmente aplicados à medida que os Profissionais de RH estiverem conscientes e preparados para comunicar a necessidade das implantações e dos benefícios desses ajustes, para as Pessoas e os Negócios.

 

Ambiente favorável ao Autodesenvolvimento:

A implantação de um ambiente favorável ao Autodesenvolvimento é fator de sucesso nas Organizações que estejam em processo de implantação da Transformação Digital de Processos ou Modelos de Negócio, pois as ações de Aprendizagem e Desempenho acontecerão, em 90% dos casos, de forma vivencial no ambiente informal do trabalho e, neste contexto, o RH 5.0 deve exercer seu Protagonismo, engajando as Lideranças para potencializar o compartilhamento e a retenção do Conhecimento.

 

Contratos de Encaminhamento Social:

Encontrar Ocupação para as Pessoas que perderam seus postos de trabalho por conta da Transformação Digital será uma das mais importantes atividades do RH 5.0, garantindo-lhes, desta forma, as condições mínimas de uma vida digna.

 

 

A E-Digital reflete um amplo engajamento do setor produtivo, da comunidade científica, acadêmica e da sociedade civil, em diversas etapas do trabalho. Houve expressiva participação nos seminários e workshops durante o processo de formulação da Estratégia, assim como na Consulta Pública ao documento-base, que recebeu milhares de acessos e contribuições e tem como propósito: “Aproveitar todo o potencial das tecnologias digitais para alcançar o aumento da produtividade, da competitividade e dos níveis de renda e emprego por todo o País, visando a construção de uma sociedade livre, justa e próspera para todos.”

 

(1) Desde 2001, o Movimento Brasil Competitivo aproxima os setores público e privado, investe na cultura de governança e promove a gestão de excelência, com o objetivo de ampliar a competitividade nacional, o aumento da capacidade de investimento do Estado e a melhoria dos serviços públicos essenciais, oferecidos aos brasileiros.

(2) http://www.mbc.org.br/portal/brasil-digital/

(3) Estudo recente (3) aponta que a economia digital representava em torno de 22% do PIB brasileiro de 2016, podendo chegar a 25,1% do PIB em 2021, e apontando que uma estratégia digital otimizada pode trazer 5,7% de acréscimo (equivalente a US$ 115 bilhões) ao PIB estimado para determinado ano. Outro estudo (4) indica que, nos próximos anos, a economia digital global deverá crescer a um ritmo 2,5 vezes superior ao crescimento da economia mundial em geral. Essa economia digital global deve representar um montante de US$ 23 trilhões em 2025.

(4) Ver https://nacoesunidas.org/conheca-os-novos-17-objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-da-onu/. Acesso em 29/09/2017.

(5) Trata-se do Objetivo 9, meta 9c: “Aumentar significativamente o acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação e se empenhar para procurar ao máximo oferecer acesso universal e a preços acessíveis à internet nos países menos desenvolvidos, até 2022”.

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