Conviver para educar

por The Winners
0 comentário
Henrique César de Oliveira Fernandes

Educar ultrapassa a simplicidade da sistemática do processo de ensino e aprendizagem. O ato de educar tem seus alicerces na transmissão de costumes, hábitos, valores e normas que se encontram vigentes na comunidade em que estamos inseridos, exemplificados com compreensão e moderação no convívio familiar.

A sociedade moderna explicita que a educação não deve se constituir conservadora, possibilitando a abertura de todos as fronteiras para o exercício da descoberta, por parte da criança. A educação liberal não traduz em seu contexto de aplicação mediata, referencias de apoio e segurança à criança que consegue identificar no cotidiano familiar, a confiança e amparo indispensáveis ao crescimento.

Tal indefinição de valores pode refletir em um comportamento que sinalize frustração e sofrimento. Por sua vez, a educação controladora não instrumentaliza a criança para a independência, emperrando a explosão da criatividade e da iniciativa, impossibilitando o desempenho da capacidade para as atividades curriculares, tornando-a dependente da ação dos pais.

Um ambiente familiar saudável indica filhos com crescimento estável pois propiciam a criança e ao adolescente ambiente com suporte e apoio emocionais, permitindo escolhas que desenvolvam a capacidade e a consciência da independência responsável e, a segurança devidamente estabelecida pela interação de troca e credibilidade, firmadas pela atividade entre os pais e filhos.

Fatores externos influenciam na composição desta relação, sobretudo, no que tange à expectativa crescente dos pais, em relação aos filhos. O ritmo da aprendizagem, específico da personalidade intelectual, bem como o comportamento psicossocial, próprios de cada indivíduo, refletem no desenho estabelecido pelos pais, ao considerar que cada filho é um universo singular, determinando assim, os diferentes tipos de relação existentes no ambiente doméstico.

Ao dedicar-se a pratica do diálogo com os filhos, os pais solidificam os laços de amizade e confiabilidade, fundamentais para fortalecer o relacionamento, compreendendo o espaço temporal característico de cada período do crescimento e desenvolvimento, como descreve Vygotsky (2016).

Os extremos comportamentais presentes nas relações parentais contemporâneas acabam por delinear distúrbios de conduta frequentemente vislumbrados por meio da timidez excessiva, agressividade exacerbada, ausência de limites, por vezes indiretamente incentivados pela errônea resposta explicitada pela autoridade domiciliar, confundindo assim, a compreensão da criança no que diz respeito às ações, terreno fecundo às atitudes patológicas.

A criança, ao exercitar a rotina de tarefas, bem como o adolescente que aprimora o poder da argumentação fazendo valer-se de suas opiniões e desejo, em um espaço de convivência facilita profícuo ao entrelace das gerações e percepções, acaba por evitar que elementos alheios à família interfiram neste congraçamento estabelecido inclusive, nas Sagradas Escrituras, no livro de Provérbio, 22:06.

O equilíbrio vivenciado incentiva o implemento de multitarefas, evitando assim o desinteresse pelos estudos, ausência nas atividades letivas que tão bem representam alguns dos principais entraves ao andamento do processo de aprendizagem, imprescindível a constituição do sujeito.

Confiança, proteção, sensibilidade são características indeclináveis do poder dos pais para consolidar a personalidade dos filhos. A criança, apesar da tenra idade, já conhece os liames da manipulação e da negociação que devem ser demarcadas e proibidas quando em excesso. O diálogo fortifica a convicção, estimula a iniciativa e resulta no comporta-
mento autônomo.

Noções de disciplina e responsabilidade devem orientar o ato de educar no seio familiar para que o processo de ensino, fomentado pelas instituições sociais que polvilham o convívio social, a saber, a escola, a igreja, a comunidade, complementem o alicerce da personalidade do homem consciente de suas obrigações e presente em seus direitos.

You may also like

Deixe um Comentário