Como será a educação pós-coronavírus?

por The Winners
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Faruk El Khatib, empresário

Não há uma só pessoa em todo o mundo que não possa dizer que foi impactada pela pandemia do Covid-19. Embora nós, aqui no Brasil, estejamos há poucas semanas em casa e nos organizando para esse momento de isolamento social, exemplos de organização vêm dos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Nenhuma outra grande crise alterou tanto os parâmetros do planeta quanto o atual vírus Covid-19. Nem atentados terroristas, nem crises financeiras, nem guerras, nem estadistas ou políticos.

Nenhum de nós consegue dizer como será a vida após essa crise. Mas uma coisa é certa: muita coisa vai mudar. E algumas tenho certeza irão mudar para melhor: há uma nova percepção de mundo principalmente no que diz respeito a solidariedade, relacionamento humano, igualdade social e especialmente a consumo. Entendemos hoje, melhor do que nunca, como a nossa vida está interligada a de outros e o quanto somos interdependentes, valorizando nossa sociedade.

O confinamento ou o distanciamento social nos demonstrou que é possível sim conviver em família e recuperar velhos hábitos como conversar diretamente entre as pessoas olho no olho sem utilizar tecnologia ou até mesmo aproveitar melhor os momentos de reflexão e de introspecção para nosso próprio crescimento.

Evidente que o uso das redes sociais e o entretenimento via internet suavizou muito estes tempos difíceis. Paradoxalmente, as redes sociais nos aproximaram ainda mais, seja das pessoas de nossa própria casa, ou dos amigos, que nos fazem chamadas de vídeo com maior frequência e com os quais conversamos mais e melhor.

Outra importante lição que este vírus está nos mostrando é como uma situação de saúde pode impactar a economia. Aprendemos essa lição rapidamente, nos tornando mais politizados ao mesmo tempo que somos mais solidários. “Quem pode, fica em casa”, é um mantra ultimamente.

Estamos mais solidários, mais sensíveis, mais empáticos, ao mesmo tempo em que estamos acompanhando melhor as notícias do mundo, informando-nos não apenas pelas redes sociais, mas retomando hábitos de olhar telejornais ou websites informativos.

No Brasil, em particular, talvez esse vírus acelere mudanças estruturais e políticas tão importantes que há muitos anos estão paradas ou se movendo de forma inconsistente.

Isto porque, o vírus nos mostrou o quanto nossa máquina pública é burocrática e ineficiente, boa parte, ou melhor, a maioria das riquezas geradas no país são consumidas para pagar folha e custeio deste gigantesco Custo Brasil. Essas valiosas lições chegam aos nossos lares com uma velocidade assustadora.

Quando falamos em educação, estamos nos deparando com novas discussões, como o “home schooling”, que é quando a mãe ou o pai assumem um novo papel de educadores de seus filhos, substituindo a escola (até mesmo com orientação dela). Essa discussão, além de esbarrar em questões como o preparo dos pais para uma quarta jornada, também nos mostra quanto o nosso sistema educacional não está preparado para novos desafios.

Falamos de um currículo escolar que talvez não prepare nossas crianças, jovens e adultos para esses novos tempos. Todo o nosso sistema educacional foi calibrado para imputar conteúdos, mediante um currículo escolar para lá de inadequado, em um ensino que tem o mesmo formato há séculos, que busca uma média aritmética para provar a competência dos alunos, independentemente de sua capacidade intelectual.

Outra lacuna que encontramos é a educação a distância: isto porque, inovamos no canal, mas não no conteúdo. Técnicas existem e novas devem surgir, mas utilizamos o ensino a distância para lecionar o mesmo currículo escolar antigo, sem formar as competências humanísticas que falamos antes.

A lacuna deixada pelo nosso sistema de ensino se reflete na má formação da mão de obra em todos os níveis profissionais dificultando a seleção e contratação pelas empresas. A qualidade dos colaboradores envolvidos é fundamental para o sucesso de qualquer atividade empresarial, esta a razão para investimentos contínuos e criativos na
formação e reciclagem da equipe.

Repensar questões como estas é fundamental não apenas para que saiamos mais fortes desta crise, mas também para que possamos estar preparados para o futuro. Estamos vendo que o ritmo das mudanças vem se acelerando cada vez mais e não é difícil de imaginar uma nova pandemia ou uma nova luta contra um novo inimigo invisível. O que precisamos fazer é nos preparar.

Esse preparo começa rompendo muros e barreiras. No tocante à educação, não é porque sempre foi assim, que precisamos que siga sempre igual. As estruturas antigas nos provaram não serem suficientes para responder de forma rápida e assertiva a essa crise.

Então, que tal deixarmos as estruturas antigas de lado e começarmos ouvindo as boas experiências e a partir delas nos reinventarmos?

Você pode me perguntar como vamos fazer aulas diferentes para pessoas diferentes. E eu te respondo com o que de melhor a tecnologia nos mostrou nessa época de isolamento: com inteligência artificial. Podemos usar de forma mais estratégia algoritmos, mas também podemos utilizar o que nos torna humanos: nossa inteligência e as emoções e sensações.

Tenho certeza que utilizar a tecnologia para criar um currículo que forme um cidadão para os nossos desafios futuros é algo que está ao nosso alcance e pode nos trazer a expectativa de um mundo melhor

Temos agora as ferramentas adequadas e os exemplos necessários. Para uma nova educação precisamos agora unir conhecimento, tecnologia e qualidades humanas, como empatia, perseverança e interdependência para uma educação que mais do que uma avaliação baseada em notas médias nos entregue cidadãos, pessoas mais felizes e conscientes de seu papel no mundo.

Não devemos perder esta oportunidade que o Covid 19 está provocando no mundo para tirar as boas lições. Com a união de todos sairemos mas fortes desta pandemia. A educação é a base de um país.

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