Christoph Leitl: Presidente das Eurocâmaras

por The Winners
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The Winners – Gostaria de saber do Sr., presidente das Eurocâmaras, um pouco sobre o cenário atual do comércio entre os vários blocos econômicos mundiais, destacando os grupos mais promissores no momento.

Christoph Leitl – Em primeiro lugar, as Eurocâmaras sempre foram a favor dos acordos multilaterais, o que significa a OMC, mas está bloqueada agora pelos EUA, portanto, o plano B é fazer acordos bilaterais. Fizemos isso com o Japão depois de 2 décadas de negociação, fizemos com a Austrália, Cingapura, com o Canadá, com o México e agora estamos em negociação com o Mercosul, que significa América Latina e eu acho que é uma grande janela de oportunidades.

TW – Qual é a estrutura organizacional das Eurocâmaras e como ela opera?

CL – As Eurocâmaras são compostas por 45 câmaras nacionais, o que significa que a organização é muito maior do que a própria União Europeia, que possui apenas 28. Nos espelhamos no Conselho Europeu fundado há 70 anos e fazendo os direitos humanos seus princípios de lei, acordos culturais e etc.

Eles agregam muito para os valores de euros desde 1945, já são 1700 câmaras regionais e locais e elas estão servindo 20 milhões companhias com 120 milhões de empregados, maior representação de interesses de economia de negócios em euro.

TW – Fale sobre sua carreira apontando fatos relevantes que ocorreram durante sua jornada.

CL – Minha carreira? Muito curta. Estudante e a favor dos assuntos europeus da 68ª geração. Nós fomos o primeiro movimento de proteção ambiental, primeiro movimento contra as diferenças raciais, primeiro movimento para a libertação feminista e nos divertimos muito com isso.

Segundo passo, a minha empresa, a quarta geração de materiais de construção produzindo para o governo regional na Áustria, responsável pelas finanças, economia, tecnologia, educação e Europa mais uma vez e, em seguida, Câmara de Comércio e Indústria austríaca também acompanharam o nosso processo de alargamento da introdução europeia do Euro, etc.

E no ano passado, as Eurocâmaras como descrevi e a Global Chamber Platform (GCP), com 100 milhões de empresas e 1 bilhão de empregados.

TW – Qual sua opinião sobre o potencial econômico do Brasil para o comércio?

CL – Estamos usando esse potencial, porque são 33 bilhões [de dólares] de exportações da UE para o Brasil e vice-versa, exatamente 33 bilhões do Brasil para a UE. Isso significa um enorme potencial e muito mais de 300 bilhões de investimentos de empresas europeias no Brasil.

Isso significa que o Brasil está no foco do euro e nós, as eurocâmaras, o estamos esperando. Há espaço para melhorias, mas precisamos de um mercado aberto e a economia fechada que significa assinar o Mercosul o mais rápido possível e urgente.

TW – Como você observa as políticas econômicas e financeiras de países como os Estados Unidos e seu líder?

CL – Está trazendo incerteza e perda de confiança para o mundo. Algumas de suas posições são aceitáveis, mas o modo como ele está impulsionando seus interesses, através de poder militar, poder financeiro, poder político, não funcionará a longo prazo.

Se estamos perdendo a confiança, se temos egoísmo ao invés de diálogo, não estamos cientes de que o mundo é feito de uma rede de contatos e não de saldos.

Trump está sempre discutindo saldos, comércio, volume, índice, mas um saldo é um resultado que no geral é advindo de uma rede de contatos e destruir redes de contato é um enorme perigo para o desenvolvimento da economia mundial, bem como a economia dos EUA. É como dar um tiro no próprio joelho.

TW – Qual a percepção das Eurocâmaras sobre a falta de definição do Brexit? Quais são as possíveis consequências para a economia mundial?

CL – Eu simplesmente não entendo o Reino Unido. Não é mais o Reino Unido. É o reino dividido. Eu simplesmente não
entendo que eles sempre pensaram que a ampla seleção europeia deveria ser uma economia forte, livre comércio, corporação e inovação, corporação e desenvolvimento de pesquisa, usando tudo isso.

Eles nunca foram politicamente engajados com a Europa, nunca viram sua aproximação política, estavam impedindo o timing político, portanto, é algo muito simples sair politicamente e permanecer na economia.

A Noruega é um exemplo que está funcionando. Por que não aqui? Para dizer ok! A democracia mais antiga em todo o mundo está dando agora o pior exemplo de democracia no contexto mundial e isso me preocupa como cidadão do mundo. Agora, convença-os disso.

TW – O que pode ser dito sobre a posição da América Latina no contexto global do comércio?

CL – América Latina, uma parte é integrada ao conteúdo global, a parte do Pacífico, mas o Brasil e a Argentina estão um pouco isolados. A Argentina está tentando sair do isolamento e acho que o Bolsonaro também, mas, portanto, eles devem abrir seus mercados e trazer seus países para uma nova dimensão das relações econômicas em todo o mundo.

TW – De acordo com sua visão, o que se projeta, a longo prazo, no alinhamento entre os blocos econômicos mundiais?

CL – Se a UE for capaz de trabalhar em conjunto e não trabalhar contra, se estivermos conscientes de que somos apenas como europeus 7% da população mundial, mas tendo mais de 50% do social expandido do mundo e mais de 50% do ambiente expandido – é o nosso padrão de vida – se queremos mantê-lo, só podemos trabalhar juntos e não contra.

Senão vamos nos separar e não jogar mais na Liga dos Campeões e na Liga dos Campeões, com certeza joga os Estados Unidos. Com certeza China, com boas chances. E também a Índia. Isso significa que teremos um mundo multipolar e esse mundo multipolar tem que funcionar junto por causa de muitos problemas que só são resolvidos trabalhando juntos.

Como exemplo temos a economia circular e a proteção do meio ambiente. Precisamos de um esboço mundial de desenvolvimento em tecnologia, finanças para estabilizar os sistemas, também contra a especulação e, em questões urgentes como proteções ambientais e estas são coisas que você não pode administrar nos EUA, você não pode administrar na China, ou na Europa, você precisa dizer: nós entendemos? Nós concordamos? Muito informal, não precisamos de um novo parlamento ou o que seja.

Nós entendemos? Nós concordamos? E o que faremos até a nossa próxima reunião daqui a meio ano? Depois trocamos nossos resultados e dizemos de onde viemos e como procedemos. Essa é a única maneira que vejo para um mundo estabilizado e recuperar a confiança.

TW – Conte nos sobre a sua vinda ao Brasil e suas impressões.

CL – Eu pessoalmente estou muito envolvido com uma luta e é contra o desemprego. Infelizmente, aqui no Brasil você pode reconhecer quais são as consequências desse percentual alto de desemprego: crimes, drogas, instabilidade e sociedade insatisfeita.

O povo brasileiro é paciente, mas toda paciência tem limite e, por isso, precisamos de uma nova forma de luta contra o desemprego, ou seja, trazer jovens para as empresas, educá-los nas empresas, quatro dias por semana, trabalhando e aprendendo. E um dia, em uma escola profissional com formação teórica para eles, depois de três anos essas pessoas serão muito mais qualificadas, e temos falta de pessoas qualificadas, portanto, não podemos reduzir o desemprego e combinar suas habilidades corretamente como está.

Estou convencido de que isso não é apenas uma meta para o Brasil, é uma meta para muitas regiões e muitos países. Mas aqueles países que haviam estabelecido o que acabei de apresentar, agora têm apenas uma pequena parcela do desemprego juvenil Europa. A responsabilidade por todos os nossos jovens é o maior desafio que há.

Significa abrir para eles o mundo onde possam agir, agir em seu próprio futuro.

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