As oportunidades de negócios em decorrência da pandemia

por The Winners
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Silvio Pires de Paula

“Aquilo que não me mata, só me fortalece”. (Friedrich Nietzsche)

Todos nós levamos um susto, um baque, com a chegada da pandemia e as medidas de isolamento social, imediata interrupção de muitos negócios. Os planos pessoais e das organizações foram por água abaixo. Viagens proteladas, compras postergadas, até festas de casamento canceladas. Onde estão os consumidores? Nem o Yuval Harari no livro “21 Desafios do Século 21” intuiu a crise internacional decorrente de pandemia. O que foi discutido no Fórum de Davos em Janeiro deixou de ser relevante, tipo jornal do dia seguinte, pão amanhecido.Falando como empreendedor para empreendedores, quero conclamar a que nos unamos para reagir e reverter a situação, liderando a recuperação.

Já reclamamos demais. Nós que passamos gloriosamente por pelas muitas crises econômicas que de tempos em tempos acontecem no Brasil, sabem que essa vai passar também. Com certeza absoluta será descoberta uma vacina, um antídoto para a COVID-19.

Pesquisadores científicos no mundo inteiro estão em uma corrida para ver quem chega primeiro. É uma questão de tempo mas o resultado será vitorioso para a humanidade, como foi com outras epidemias. Na China, em Taiwan, na Nova Zelândia, na Eslovênia, na Coreia do Sul e outros países a pandemia já é história. Até quando persistirá a ameaça mais forte da pandemia no Brasil? Até Agosto no máximo voltaremos a ativar parte dos negócios e estaremos bem mais ativos a partir de Setembro.

Mas prestem atenção ao que está acontecendo: milhares de empresas estão se saindo muito bem em decorrência da pandemia. Vou citar alguns exemplos. As que têm e-commerce desenvolvido saíram na frente. Mercado Livre, Magalu. As que têm aplicativos de entregas e transportes.

No setor de saúde as que fabricam, vendem, distribuem, importam descartáveis de proteção à saúde como mascaras, luvas, desinfetantes. As indústrias de equipamentos para desinfecção. Fabricantes de leitos, respiradores, equipamentos hospitalares. Toda a cadeia produtiva que agentes, representantes, distribuidores e que fazem co-mércio exterior dedicado a esses produtos.Muitas empresas usam da oportunidade para fazer doações espetaculares: quem não sabe que o Itaú doou 1 bilhão de reais?

Em pesquisa nacional feita pela empresa Demanda, apuramos que 35% dos brasileiros que acessam inter-net sabem que o Itaú doou 1 bilhão de reais para combate a epidemia. Qual o valor desse conhecimento em beneficio da imagem do banco? O Santander tomou a iniciativa de financiar 400 mil bancas de todo o Brasil para reinventarem seu negócio ampliando a prestação de serviços, como consertos de celulares, costura e outras atividades.

Qual o resultado disso em negócios para o Santander?

Certamente tem cabeça pensante na direção do Itaú e do Santander. Há agora uma competição para quem faz doações de comida, cerveja, roupa, medicamentos, desde que isso seja divulgado pela imprensa, de preferencia pela TV. Todos querem mostrar que estão envolvidos, que se importam.

Sob o aspecto politico há um problema de gestão da crise. São muitas instâncias de decisão, quem manda? O que fazer? Alguns governadores estaduais estão assumindo um papel relevante a favor de vidas em contraposição ao presidente que desejando a retomada rápida dos negócios, transmite a ideia que parece não ligar para vidas. A opção não é salvar vidas ou ativar negócios mas salvar vidas também ativando negócios. Um avião precisa das duas asas para se manter em voo.

Medidas econômicas lideradas pelo governo de transferência massiva de recursos para a iniciativa privada diretamente nas mãos de cidadãos mantém a economia básica em funcionamento. Todos nós ficamos espantados com o elevado numero de mais de 50 milhões de brasileiros em situação informal Uma boa parte desse dinheiro será dispendido em alimentação, aluguéis, transportes, energia. Como a mesma liberação de dinheiro está ocorrendo em quase todos os países, aparentemente haverá sobra de dinheiro e falta de bens e serviços.

Quais setores sofrem mais em recessões: imobiliário, automotivo, turismo, entre muitos outros. Quando haverá recuperação da economia? Provavelmente iniciará no Brasil no ultimo trimestre de 2020 e se estenderá devagar em 2021. Na Europa a recuperação será no segundo trimestre de 2021. Só em 2022 haverá recuperação no mundo todo. Por padrão de recuperação de outras recessões, o que irá levantando primeiro: varejo, alimentação, hospitalidade, transporte aéreo.

Vamos então pensar em oportunidades. Como se define mercado: gente com dinheiro, com disposição de gastar. Quando há uma necessidade, aparece uma oportunidade para satisfazer. Onde as pessoas não usam sapato, há uma oportunidade para vender sapatos. No Brasil, há necessidade imensa de saneamento, educação, saúde.

A recuperação de emprego em larga escala passa por projetos como o Pró Brasil que prevê elevados investimentos nesses setores. A falta de saneamento e água tratada mata mais todo ano que a Covid-19. No Brasil apenas 53% dos domicilio possuem rede de esgoto e apenas 83% tem acesso à água encanada. Quase todos os outros países da América Latina estão melhores servidos.

Investimentos em produção de bens e serviços que estejam ligados à ampliação do sistema de águas e esgotos certamente terão demanda garantida nos próximos 2 a 3 anos. São os dois setores que mais rapidamente podem absorver os 13 milhões de desempregados do Brasil.A desvalorização do Real em mais de 40% em 2020 abriu imensas oportunidades para os exportadores brasileiros.

Quem tem investimentos em dólar está se saindo muito bem. É o momento de comprar o carro dos sonhos, a casa de praia dos sonhos. Passagens com validade de um ano, de ida e volta para Paris a $ 600 e para Santiago a $ 142. Tudo está muito barato no Brasil, agora em dólares. Mas não é isso que interessa ao empreendedor.

Se você tem aplicação em dólares pode importar o lucro da desvalorização do Real e comprar bens baratos, inclusive empresas concorrentes com estrutura já instalada. Escolher setores favoráveis, que após integração e modernização irão dar lucro. Contratar profissionais ótimos que estão disponíveis no mercado.Mas há necessidade de apressar a digitalização de processos, de modernização de empresas, de tornar a gestão das empresas mais ágil.

Vamos adiantar com os processos de digitalização que já estavam em andamento?

Bancos transferem clientes do atendimento pessoal para o virtual, isso vai representar economia maior lucratividade para eles. Empresas de games estão bombando, explodiu o numero de downloads. Aumentaram de valor. Há enorme demanda para desenvolvedores de softwares que aperfeiçoem e-commerce, e-education, e-gammes, e-diversão.

Em 2019 o faturamento do comercio interno brasileiro era de 290 bilhões de dólares. O comercio eletrônico no Brasil representava apenas 6% do total. Na China o comércio eletrônico representava 40%, nos EUA 12% e na Europa 11%. Há muito espaço para crescimento do comercio eletrônico no Brasil. O valor de mercado do Mercado Livre é o 5º. maior da América Latina, superando o Itaú e o Bradesco.

As maiores empresas da América Latina são a Petrobrás, Vale, America Móvil e Walmart. Depois já vem Mercado Livre. Isso é explicado pela ferramenta de negócios online montada em vários países da América Latina. Interessante dizer que o valor de mercado do Magazine Luiza é muito superior ao do GPA ou Carrefour embora o desses varejos mais tradicionais seja muitas vezes maior.

Durante a quarentena a eficiência da Justiça melhorou, mais decisões estão sendo tomadas, mais processos julgados, há menos distração, está funcionando bem a sustentação oral a partir dos home offices. Ou seja, houve redução de custos e de tempo de deslocamentos, audiência, gastos de materiais. A oportunidade para escritórios de advocacia é que devem aumentar as demandas judiciais por quebras de contrato, inadimplências. Haverá mais necessidades de acordos, conciliações, arbitragens.

O setor de serviços que aproveita a existência do home office está saindo bem.

Pela Demanda Pesquisas, temos feito pesquisas online e por telefone. As pessoas em home office respondem com mais tempo, dão mais atenção. Os médicos, os profissionais que trabalham fora, os gerentes de lojas de materiais de construção estão mais disponíveis agora. Fizemos 2 pesquisas nacionais on-line em Março e em Abril de 2020 sobre efeitos do confinamento e expectativas sobre a pandemia.

Houve muito interesse da imprensa em replicar os resultados que foram publicados em jornais de grande circulação. Obtivemos, com isso, mais visibilidade. Criamos um projeto oportunista de revisão do planejamento estratégico da empresa feito através de reunião a distancia, com Microsoft Teams.

Durante dois dias reunimos grupos de profissionais que estão trabalhando em casa para checkup da operação da empresa, linha de produtos e regiões, reavaliamos o portfólio de produtos identificando nichos de mercado em que a empresa não atua e que há oportunidades e finalmente entendemos as perspectivas após a Covid-19.

Como não há deslocamentos, hospedagem, passagens e alimentação dos participantes, o custo do exercício inteiro é de um quinto do que custaria se feito de forma presencial. E pode incluir mais gente, inclusive colaboradores de outros países. E mostra a preocupação e envolvimento da direção da empresa com toda a corporação.

Os brasileiros estão loucos para voltar a frequentar restaurantes, ir a shopping e ao cinema, poder ir a jogos, shows e eventos externos. Esses setores tendem a recuperar mais rapidamente. Como estamos cozinhando mais em casa, aumentamos a consulta de receitas na internet.

Também aumentamos a compra de alimentos semi-preparados nos supermercados.Laboratórios fabricantes de vitaminas, como a Cimmed estão faturando muito. Está claro para todos que não é mais possível depender tanto da produção industrial da China. Os industriais brasileiros devem receber estimulo governamental para produzirem aqui e reduzirmos a dependência dos chineses.

Setores que usam enorme mercado brasileiro sempre terão boa demanda: alimentação, limpeza, higiene, orgânicos, As associações e conselhos profissionais estão de movimentando. O CRA-SP Conselho Regional de Administração criou o serviço EDUCA ADM que facilita o acesso livre a mais de 1200 cursos profissionais à distancia, livres e gratuitas para quem desejar, mesmo não administradores.

Isso foi feito a partir de convênios com instituições de ensino superior como a FGV, FIA, UNIP, SENAC, FECAP, FMU, UNINOVE, UNESP, FESP e outras. Irão entrar também o SEBRAE, Bradesco e outras. O numero de inscritos nesses cursos cresce aos milhares todo mês.Percebo, com alegria que o grupo de serviços GCSM está criando uma universidade corporativa.

Esse grupo não para de crescer. Certamente antes como agora qualquer investimento deve ser precedido de pesquisas e planejamento cuidadoso.

Estamos aqui para ajudar…

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