As conquistas e desafios na saúde

por The Winners
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Artigo escrito por Geraldo Alckmin, Médico, professor universitário e Ex-Governador de São Paulo

A Organização Mundial de Saúde – OMS estabelece que um dos principais indicadores de saúde de um país é a mortalidade infantil (número de mortos no primeiro ano de vida para cada mil nascidos vivos).

O Brasil tinha, em 1940, taxa de mortalidade infantil de 146,6, e em 2018, 12,4. Ou seja, tivemos uma melhora extraordinária e ainda temos muito a avançar.

No Japão e na Finlândia a taxa de mortalidade infantil é menor do que 2. A melhora na assistência pré-natal, no parto e a cobertura de vacinação das crianças recém-nascidas contribuíram para a redução do indicador ao longo das últimas décadas.

No Brasil estamos vivendo mais e melhor, a expectativa de vida ao nascer aumentou para 76,3 anos segundo o IBGE em 2018, sendo que as mulheres já se aproximam de 80 anos de idade.

Importante lembrar que, em 1940, os brasileiros viviam, em média, 45,5 anos; de lá para cá, a expectativa média de vida cresceu 30,8 anos, os indicadores de saúde melhoram quase todos os anos. A Constituição Brasileira (1988), no seu artigo 196, estabeleceu a saúde como direito de todos e dever do Estado, com acesso universal e igualitário. 

A maioria absoluta, 75% de nossa população, 145 milhões de pessoas, é atendida exclusivamente pelo SUS (Serviço Único de Saúde).  Além disso o SUS realiza ações de saúde coletiva – vigilância sanitária, imunização, combate de vetores, controle de endemias – para toda a população.

A Lei Orgânica da Saúde, Lei n. 8.080/90, prevê que a saúde é livre à iniciativa privada, e o seguro saúde atende mais de 50 milhões de brasileiros. As Santas Casas de Misericórdia e os Hospitais Beneficentes têm prestado bons serviços à nossa população, com destaque para a Santa Casa de Santos, fundada em 1543, com quase 5 séculos, uma boa herança lusitana.

Temos um grande desafio pela frente: o financiamento da saúde. Os custos quase dobraram entre 1970 e 2016: na Alemanha passou de 5,7% do PIB para 11,3%; na França, de 5,2% do PIB para 11%; em Portugal, de 2,3% para 8,9% do PIB.  O Brasil investe 8,4% do PIB em saúde; no SUS, 3,9% do PIB, ou seja, com 45% dos recursos atende 75% da população brasileira.

O encarecimento da saúde se deve principalmente aos seguintes fatores: 1) Transição demográfica – envelhecimento da população; 2) Transição epidemiológica – mudança dos perfis de doença; 3) Incorporação tecnológica na saúde. Entre as maiores causas de morbimortalidade no Brasil estão: as doenças do coração e dos grandes vasos, as neoplasias e as causas externas (principalmente homicídios e acidentes rodoviários).

Todas essas causas poderão ser reduzidas com boas ações na área da saúde e campanhas educativas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) elevou para “muito alto” o risco mundial de epidemias de Covid-19, a infecção causada pelo novo Coronavírus. É importante destacar que ainda não há vacina nem tratamento específico para a nova patologia, o que reforça o necessário investimento em pesquisa, frente aos novos desafios.

As doenças causadas por vírus são sempre preocupantes: a gripe espanhola, em 1918, foi uma pandemia que matou quase 50 milhões de pessoas no mundo; hoje, estamos muito mais preparados para enfrentar o novo vírus (Covid-19) e proteger a vida da população.

Com educação, bons hábitos, saneamento básico, melhor acesso aos serviços, equipes bem capacitadas, tecnologia, pesquisa e humanização o Brasil poderá avançar ainda mais para a promoção da saúde dos brasileiros.

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