Arnoldo Wald Filho – Cônsul-Geral do Principado de Mônaco no Brasil

por The Winners
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The Winners – O senhor é um dos advogados de uma das mais longevas bancas de advocacia do Brasil, já com mais de 65 anos de existência. O que o levou a aceitar o convite para ser Consul Geral Honorário de Mônaco no Brasil?

Arnoldo Wald Filho – Na qualidade de advogado e patrono de diversas causas, é uma honra para mim poder representar o Principado de Mônaco, um país autossuficiente e dotado de uma importante representatividade no continente europeu. É, também, um desafio bastante motivador e uma maneira de contribuir com o estreitamento dos laços e o aprofundamento da relação bilateral, econômica e sociocultural, existente entre ambos os países. Por fim, o aceite do convite foi motivado pela possibilidade de endossar as diversas causas apoiadas e lideradas por S.A.S Príncipe Albert II, como, por exemplo, o trabalho por ele desenvolvido à frente do Museu Oceanográfico de Mônaco, criado por seu trisavô, e da sua fundação, “Prince Albert II of Mônaco Foundation” , a qual tem se dedicado, há mais de meio século, à preservação dos oceanos e do ecossistema marinho.

TW – De quando data as suas relações com Mônaco. Quando foi a sua primeira visita ao Principado?

AWF – Como turista, frequento o Principado de Mônaco há mais de 30 anos e, a partir de então, se iniciaram as relações institucionais que posteriormente evoluíram e se consolidaram na minha honrosa nomeação como Consul Geral Honorário de Mônaco no Brasil. Sob a perspectiva institucional, cumpre enaltecer o trabalho desenvolvido pelo Cônsul do Brasil em Mônaco, Sr. André de Montigny, e sua esposa, a Consulesa Luciana de Montigny, complementar e sinérgico ao trabalho por mim desenvolvido no território brasileiro.

 


TW – O Senhor tem uma grande preocupação com atividades sociais. Quais são essas atividades? A consulesa coordena esse trabalho?

AWF – Atualmente, além das atividades consulares, eu também contribuo com a “Prin ce Albert II of Monaco Foundation”, dedicada à proteção do meio ambiente e promoção de formas sustentáveis de desenvolvimento em escala global; e com a “Association Monaco Brazil Invest – AMBI” , uma associação privada sem fins lucrativos, de cooperação comercial, econômica e financeira entre Mônaco e o Brasil, presidida, em Mônaco, pelo Sr. Marcos Pileggi e, no Brasil, por mim. Na seara pessoal, também apoiamos, sob a coordenação e assistência permanente da Consulesa, diversos projetos e entidades ligadas às áreas da saúde, educação, artes e cultura. Possuímos, ainda, uma preocupação permanente com o equilíbrio político e sócio econômico do país, hoje traduzida, especialmente, na ajuda a pessoas menos favorecidos e no olhar atento à questão dos refugiados, tanto no Brasil como na Europa. No âmbito jurídico profissional, pertenço ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil há mais de 20 anos, entidade de classe que representa os interesses, não apenas dos mais de 1 milhão de advogados inscritos no país, mas, através da defesa de direitos coletivos e da garantia do acesso à justiça, de toda a coletividade. Na área jurídica, por fim, vale mencionar o louvável trabalho desenvolvido pelo brilhante advogado Dr. Richard Mullot, Chairman da Ordem dos Advogados do Principado de Mônaco.

TW – Recentemente o senhor recebeu SAS Principe Albert II de Mônaco, que veio ao Brasil realizar o Mônaco Blue Initiative – MBI. Esse projeto que SAS Principe Albert II corre o mundo se preocupa com quais atividades principalmente?

AWF – S.A.S Príncipe Albert II de Mônaco é um grande amigo do Brasil, tendo vindo a São Paulo por ocasião da “Monaco Blue Iniciati ve – MBI” e ao Rio de Janeiro por ocasião da realização dos jogos olímpicos, no qual houve uma participação bastante efetiva do Comitê Olímpico de Mônaco nos jogos e eventos a eles relacionados, sempre reforçando a mensagem de preservação do meio ambiente e de apoio às causas sociais. A MBI, por sua vez, é um Fórum de discussão organizado, em conjunto, pelo Instituto Oceanográfico de Mônaco, pela “Prince Albert I of Monaco Foundation” e pela “Prince Albert II of Monaco Foundation” , que realiza encontros anuais entre os seus membros e representantes do mercado e do mundo corporativo, da comunidade científica e acadêmica e de entidades governamentais e da sociedade civil organizada, nos quais são discutidas e analisadas possíveis sinergias entre, de um lado, a proteção ao ecossistema marinho e, do outro, o desenvolvimento socioeconômico. Trata-se de mais uma louvável iniciativa de S.A.S. Príncipe Albert II de Mônaco, o qual, assim como seu pai, Príncipe Rainier III, e seu trisavô, Príncipe Albert I, é um conquistador nato, o que, no contexto do século XXI, significa ser uma pessoa que batalha, com afinco, nas grandes causas mundiais, a fim de se alcançar uma sociedade, a nível global, mais justa, fraterna e igualitária.

TW – Quais são os planos do Monaco Honorary Consul in Brazil para os próximos anos?

AWF – Para mim, particularmente, Mônaco, muito mais que um país, é um conceito de eficiência, trabalho, luxo, educação e cultura e que, guardadas as devidas proporções, pode servir como exemplo, em diversos aspectos, para o próprio Brasil. É, também, um verdadeiro hub internacional, que concentra fóruns e eventos ligados às mais diversas áreas e atividades, além de contar com a presença, em seu território, de diversas multinacionais, inclusive renomadas empresas de auditoria. Queremos, assim, colocar em prática um plano de harmonização visando à integração do Brasil com os diversos eventos internacionais continuamente realizados no Principado, como por exemplo, eventos esportivos, dentre os quais se destacam os Grandes Prêmios de Mônaco da Formula 1 e da Formula E, o “Yatch Show” , o Aberto de Tênis de Monte Carlo, eventos culturais (óperas, teatros e eventos literários) , além de diversos eventos empresariais e corporativos. Nesse sentido, é de se destacar a já existente parceria entre o Iate Clube de Mônaco – o qual, obra do arquiteto Sir Norman Foster é, per si, uma instituição – e os Iate Clubes de Santos, este tão bem representado pelo Dr. Be rardino Fanganiello , e do Rio de Janeiro, cujo sucesso atribuímos, em singela homenagem, ao seu Presidente, S.A.S. Príncipe Albert II, ao seu Diretor, Bernard d’Alessandri, e o responsável pelas relações internacionais, D’ Hainot. Além disso, sob a brilhante coordenação de Michel Dotta, Chairman of the Monaco Econo mic Board , grandes empresários do ramo imobiliário de Mônaco visitaram o Brasil recentemente, o que demonstra uma maior abertura e aproximação econômica entre os dois países. Nesse sentido, não poderia deixar de destacar a participação ativa dos Ministros da Economia e Finanças e das Relações Exteriores do Principado, os Srs. Jean Castellini e Gilles Tonelli, bem como a presença, constante e gentil, do banqueiro Gian Luca Braggiotti, membro do Conselho de Administração de diversas empresas na Europa e nos Estados Unidos, dentre as quais a “Monaco Asset Management”, representante de uma das mais tradicionais famílias monegascas e um verdadeiro amigo do Brasil. Buscaremos, ainda, uma integração com o turismo de excelência desenvolvido no Principado, tão bem representado pela Societé Des Bains de Mer e seus ultra estrelados hotéis, entre eles o “Monte Carlo Bay Hotel & Resort”, aonde eu tenho o prazer de me hospedar toda vez que lá estou, além do extenso rol de restaurantes e casas e espaços de lazer e entretenimento, sem esquecermos que Mônaco é um país de segurança máxima às margens do Mediterrâneo, que, por sua vez, é um dos lugares mais bonitos do mundo. Por fim, seguiremos trabalhando pelo contínuo estreitamento dos laços entre o Brasil e o Principado, este igualmente bem representado por S.A.S Príncipe Albert II de Mônaco, um líder verdadeiramente à frente do seu tempo.

TW – Como foi a sua relação com o Governo do Estado de Sao Paulo, como Monaco Honorary Consul in Brazil nestes anos?

AWF – A relação com o Governo do Estado de São Paulo é excelente. Trata-se de um governo aberto ao diálogo e que tem apoiado e se mostrado interessado nas nossas atividades e projetos. O ex-governador, Geraldo Alckmin, e o ex-prefeito da capital do Estado, São Paulo, João Dória, se tornaram verdadeiros amigos de Mônaco e estamos ansiosos para trabalhar com o novo Governo, o qual seguramente seguirá essa mesma linha, tendo em vista que estamos no meio de uma transição governamental.

TW – O mundo nos remete a uma enorme preocupação ambiental e de sustentabilidade. Como o senhor espera ajudar nessas atividades para conscientizar a sociedade do Brasil através da sua posição de Monaco Honorary Consul in Brazil?

AWF – Esperamos ajudar através do apoio, divulgação e participação nas iniciativas, eventos, atividades e projetos, dentre outros, da “Monaco Blue Iniative” e da “Prince Albert II of Monaco Foundation” , que se encontram, atualmente, na vanguarda das causas ligadas ao meio ambiente e à sustentabilidade, notadamente em relação à preservação do ecossistema marinho e ao desenvolvimento socioeconômico sustentável. É uma honra, para nós, poder fazer parte e ajudar as nobres iniciativas e causas patrocinadas por S.A.S Príncipe Albert II de Mônaco.

TW – A UE está prestes a assinar o maior tratado de sua história, com o MERCOSUL. Como o senhor entende esse tratado econômica e socialmente falando?

AWF – O Acordo de Livre Comércio, em fase de negociação, a ser celebrado entre a União Européia e o Mercosul, permitirá o aprofundamento das já intensas relações comerciais existentes entre os dois blocos e abrirá portas para novos investimentos na América do Sul e no Brasil. Nesse contexto, espera-se que essa nova relação auxilie, também, no reaquecimento da economia nacional, de maneira a gerar empregos e ampliar o poder de compra da população brasileira em um momento marcado pela saída, lenta e progressiva, de uma longa e forte recessão experimentada nos últimos anos.

TW – Acredita que ele será assinado em breve?

AWF – Ao que tenho notícia, ainda há alguns impasses e pontos pendentes de negociação e ajustes que me levam a crer que o acordo, há anos objeto de tratativas entre os dois blocos, deverá ser assinado apenas em 2019.

TW – Porque o Brasil é tão distante do mercado internacional, apresentando-se ao mundo como uma economia fechada?

AWF – Não posso acreditar nessa afirmação. Penso que o Brasil tem empreendido grandes esforços para ampliar a discussão, a nível global, de questões importantes, ligadas ao desenvolvimento econômico sustentável, como, por exemplo, a preservação dos biomas nacionais em risco, especialmente a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal. Naturalmente, é necessário estreitar e aperfeiçoar as relações comerciais com as grandes economias mundiais, como EUA e China por exemplo, mas, por outro lado, o próprio acordo a ser celebrado entre o Mercosul, no qual o Brasil vem assumindo um importante papel de liderança, e a União Europeia demonstra uma maior abertura do país, e da América do Sul, perante o mercado internacional.

TW – Qual a sua visão para o Brasil, economicamente falando, para a próxima década?

AWF – Super otimista! Acredito que o Brasil, ao longo da próxima década, tem plenas condições de resgatar o seu importante papel de lideranças nas causas socioambientais, bem como, a partir da retomada do crescimento do seu PIB e sem deixar de lado a busca pela redução da desigualdade social, voltar a figurar entre as principais economias do mundo.

TW – Algum evento com Mônaco agendado para 2019?

AWF – Sim, estamos com uma agenda super intensa de eventos para o ano de 2019 e traremos novidades em breve, que poderão ser acessadas no site do próprio consulado de Mônaco: http://consuladodemonaco.com. br/brasileiros-em-monaco.html

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