A Nova Empresarialidade

por The Winners
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Fábio Lopes Soares, Fundador do Bureau Sapientia

É do pensamento de Zygmunt Bauman a ideia de que vivemos em uma modernidade liquida.

Nesse sentido, o mundo se tornou uma grande aldeia global geradora de engenharias sociais sem precedentes e com isso, os padrões vistos em gerações e épocas anteriores foram modificados profundamente para, mesmo com a coleta das variáveis disponíveis, ocorra um novo padrão entre empresas e consumidores.

Por outro lado, as diversas empresas que por razões diversas não haviam se profissionalizado, sofreram com as consequências do COVID 19, quer seja por não terem fluxo de caixa devido ou capital reserva, quer seja por acreditarem que os padrões de antes se repetiriam e com isso, o amadorismo e a falta de controles reais, levaram a falência negócios de gerações.

O que sabemos é que uma nova governança está a ocorrer: a governança pautada em uma Nova Empresarialidade, onde questões ligadas a ética da convivência, a gestão de ativos intangíveis e sobretudo, a interdependência e o confiança contratual serão o fiel da balança.

Essa Nova Empresarialidade, que demonstra na pessoa jurídica a dinâmica da pessoa física, capaz de realizar negócios com pessoas e não para pessoas, determina também sistemas de controles financeiros mais robustos apesar de simples, um pensamento estruturado para sucessão familiar e sobretudo, aprendizado rápido e prático.

Não é a toa que Daniel Kahneman em sua obra “Rápido e Devagar” institui formas de pensar que podem facilmente ser identificadas quando empresas não profissionalizadas se estruturam: a harmonia entre um pensamento sistêmico e racional, logo lógico e importante para a tomada de decisão e outro instintivo e sustentável, de certa forma preparado para uma visão humanista das relações empresariais. As pequenas e médias empresas também podem ser familiares.

Sabemos que empresas com essa configuração, quando profissionalizadas são imbatíveis, ao contrário, sucumbem ao amadorismo e ao curto prazo, deixando um legado e prejuízo a gerações, quando não dependentes de capital de terceiro sem previsão de lucro no curto e médio prazo.

Por isso questões ligadas a Governança de Relacionamento, Gestão de Riscos e Compliance são tão importantes em épocas de se reinventar os modelos de negócios. Algo é certo, o mundo e suas inter-relações não será o mesmo quando as pessoas físicas repensarem suas razões de convivência e influenciarem suas empresas.

Uma possibilidade seria ajustar o certo, ao invés de manter a escolha do que é fácil, por isso a recomendação de:

a) Buscar capacitação permanente com conhecimentos customizados para gestão societária, financeira/contábil e de pessoas para as empresas;
b) Elaborar sistemas simples de governança e constituir novas bases de controle, para com isso ter alguma previsibilidade dos negócios;
c) Investir em pessoas, pois resulta no maior ativo de uma empresa, seguida de processos robustos e de uma governança de relacionamento verdadeira.

Outro ponto é que não se resolvem problemas complexos com respostas simples: a escolha por conhecimentos especializados será o diferencial. De certa forma, nossos avós estavam certos quando diziam que o melhor investimento em uma pessoa é sua formação e o conhecimento que ele aprende e prática.

Talvez seja essa a característica da já mencionada Nova Empresarialidade: um fundamento em que o paradigma do tempo não se mantém e será a confiança contratual, a boa ciência e um olhar coletivo e diverso responsável por deixar viver as empresas familiares e profissionalizadas.

Essas empresas se reinventarão e passarão a verificar com olhos humanistas relações sustentáveis, já que é em sua cadeia de valor que se monetizará plenamente o que representa: o respeito silencioso a um consumidor atento em suas escolhas, desperto para os novos tempos e capaz de alavancar negócios sérios de empresas preparadas, perenes e éticas.

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