A Finlândia está liderando o caminho para uma economia circular

por The Winners
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Lasse Keisalo, Cônsul Geral da Finlândia
Jere Pitkanen

Um país nórdico, com grande parte das suas atividades em um ambiente ártico com escassez de recursos, tornando a população com uma mente orientada a reutilização e melhor aproveitamento de tudo que está disponível. País que já enfrentou na sua história luta contra águas contaminadas, conseguindo dar a volta por cima e mantendo a maioria dos seus 168 mil lagos despoluídos, e inclusive, seguros para o consumo.

Dedicando recursos para pesquisa e desenvolvimento em questões de sustentabilidade e para um melhor uso dos insumos disponíveis atualmente, com o conhecimento adquirido durante os anos, país quer se tornar um líder em economia circular.

Como exemplo um dos setores mais importantes para cooperação entre a Finlândia e Brasil, e que está entre os pioneiros da economia circular, é o setor florestal. Desde a década de 1980 alguns produtores finlandeses destinaram parte dos fluxos secundários de produção de papel para a indústria de produção de tijolos, parte dos resíduos também é utilizado nas usinas para produção de calor e energia, e, cinzas restantes são usadas como subprodutos para estabilizar o solo, ações que mesmo antes que soubéssemos o que era economia circular, estávamos sendo guiados por seus princípios.

Hoje, o país é uma das referências mundiais na área de bioeconomia e com avanços significativos no uso de fibras naturais como substituto para plástico, ou, para desenvolvimento de novos produtos, como é o caso de têxteis a base de celulose.

Para a Finlândia, a economia circular é uma ferramenta para alcançar o desenvolvimento sustentável, combater as mudanças climáticas, economizar recursos naturais e melhorar o estado do meio ambiente, enquanto gera crescimento eco-nômico e empregos.

O país criou o primeiro roteiro nacional do mundo para uma economia circular, abrangendo o período entre 2016 a 2025. Novas soluções digitalizadas estão sendo testadas para energia renovável, reciclagem de nutrientes, construção de madeira com baixo teor de carbono, reciclagem de lixo municipal e reabilitação de áreas contaminadas, entre outras ações coordenadas.

Segundo estimativas, a economia circular pode contribuir com um valor agregado anual de pelo menos três bilhões de euros para a economia finlandesa até 2030. A meta do governo finlandês e do roteiro nacional é tornar a Finlândia líder mundial na economia circular até 2025.

Essa mentalidade enfatiza o papel do estado em facilitar uma plataforma de crescimento progressivo que seja favorável ao mercado interno e às empresas, e por outro lado, uma empresa forte com orientação para exportação e tecnologia combinada com a busca de soluções abrangentes e cooperação, cobrindo toda a cadeia de valor. Uma economia circular não está sendo criada apenas com o mercado doméstico, as vastas oportunidades apresentadas pelo mercado global são o núcleo da visão de longo prazo do roteiro.

A Finlândia buscará um papel pioneiro, concentrando-se em cinco áreas de foco interligadas: 1) um sistema alimentar sustentável, 2) ciclos de base florestal, 3) ciclos técnicos, 4) transporte e logística e 5) ações conjuntas. As sinergias entre essas áreas também serão levadas em consideração.As ações nas diferentes áreas de foco do roteiro são divididas em três níveis: ações políticas, projetos-chave e pilotos.

Entre mais de 100 ideias, os pilotos com maiores oportunidades de expansão e com melhor suporte à meta foram incluídos no portfólio de projetos. O processo de compilação do roteiro também identificou áreas nas quais a Finlândia deveria estar ativa, mas onde as iniciativas necessárias não foram esclarecidas ou as partes responsáveis ainda precisam ser encontradas.

Conseguir mudanças sistêmicas requer uma ampla gama de ações e muitas mudanças sociais. O roteiro da economia circular da Finlândia também visa criar e acelerar um “efeito bola de neve” mais amplo. O roteiro foi desenvolvido para ser ágil e se desenvolver ao longo do tempo, com foco em ações práticas e mudanças sistêmicas contínuas, além de avaliar as ações em relação ao objetivo original de ser um líder global da economia circular.

O conteúdo será monitorado, desenvolvido e atualizado durante o processo. A implementação produtiva do roteiro exigirá comunicações ativas e diversas.

Além de iniciativas nacionais, a Finlândia também está desenvolvendo a economia circular globalmente. O Fórum Mundial de Economia Circular, uma iniciativa da SITRA (o Fundo Finlandês de Inovação, que foi o principal premiado no Fórum Econômico Mundial em Davos, em 2018, e ficando em segundo lugar em 2019 atrás da Comissão Europeia), apresenta as me-lhores soluções de economia circular, e, reúne importantes pensadores e realizadores de todo o mundo. Em 2018, foi realizada em Yokohama, Japão; e em junho de 2019, em Helsinque.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) planejou para março de 2020 o primeiro Fórum Sul–Americano de Economia Circular, evento postergado devido epidemia de COVID-19, como uma seção da versão mundial coordenada pelo Fundo Finlandês de Inovação – SITRA, tendo por objetivo discutir os drivers e de-safios da Economia Circular, que substituiu o sistema linear de produção, por meio do uso eficiente dos recursos naturais, materiais e produtos, de forma cada vez mais inovadora, permitindo também o desenvolvimento de novos modelos de negócio.

Assim sendo, questões importantes quanto ao papel das lideranças empresariais, financiamento de soluções, capacitação e disseminação de boas práticas serão alguns dos tópicos abordados no fórum, que será mais um instrumento para a consolidação deste modelo de economia, agregando valor à sociedade.

Pensando nos futuros tomadores de decisão, foi disponibilizado um pro-grama para formar uma geração de nativos da economia circular. Criado pela doutora em Sociologia premiada pela ONU e pela especialista em economia circular Leyla Acaroglu, que percorre o mundo ensinando sobre pensamento sistêmico e solução criativa de problemas para promover a economia circular.

Ela produziu o material didático da “Circular Classroom” em cooperação com professores finlandeses e alunos do ensino médio. O objetivo era produzir conteúdo que, de acordo com o novo currículo, apoiassem a aprendizagem baseada em fenômenos e operações interdisciplinares. O programa incentiva professores e alunos a participar da economia circular e planejar uma mudança positiva, permite que todos conheçam os responsáveis pelas mudanças ao seu redor e tomem medidas em suas vidas e comunidades cotidianas.

Os materiais de ensino envolventes podem ensinar mais sobre o pensamento sistêmico, o desenvolvimento sustentável, a solução de problemas e as manei-ras pelas quais eles podem ser aplicados na transferência de uma economia linear para circular.

Conheça mais sobre o roteiro nacional, exemplos aplicados de economia circular, e, o programa Circular Classroom aqui e aqui.

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